Emissão em mp3 sobre Linux, open source, novas tecnologias, exploração espacial e os limites da ciência.
A grande Barraca(da).
Vamos imaginar que tinham um espaço onde queriam divulgar poesia. Tentavam ver em que dia da semana podiam fazê-lo e descobriam que somente podia ser feito à terça feira, véspera de dia de trabalho. Depois para solucionar o problema, decidiam ao longo da noite fazer várias mini sessões, quatro para ser mais preciso. Uma às 10, outra às 11, outra à meia noite e por fim uma à uma da manhã. Estas eram sessões de leituras curtas. 15, 20 minutos no máximo. Serviam-se estas iguarias intercaladas com bom Jazz. Permitia-se que as pessoas que não pudessem ficar até mais tarde, sempre ouvissem um pouco daquilo que procuravam e aumentava a circulação de pessoas pelo bar, gerando receitas bastante agradáveis. Ora a música, o espaço e a ideia já existem. Pena é que a poesia seja apenas lida a desoras e em sessão continua. Acontece que nem todos os que gostam de poesia a podem ouvir ser lida (que não se declama poesia) durante a madrugada. Faz isto com que a poesia que se quer divulgada e para todos, acabe nas mãos e ouvidos de uns (sempre os mesmos) que podem numa terça feira à noite, não ir trabalhar no dia seguinte. Fecham a poesia numa ideia de submundo própria, antagónica com a noção de libertação de qualquer poesia. É uma atitude egoísta, marcada por uma ideia de posse e de importância de quem lê e não da importância de quem ouve e do que ouve.
publicada por David Rodrigues #
18:25 