Emissão em mp3 sobre Linux, open source, novas tecnologias, exploração espacial e os limites da ciência.
A minha t-shirt estava suada e as minhas cuecas também. Por causa destas merdas é que gosto de vir para a praia sozinho. Não há “
amor, gostas de mim?”, nem há “
tens a certeza que não queres ter filhos?” nem muito menos “
nunca te casarás, se eu morrer?” e acima de tudo não fica um tipo apeado às 4 da tarde numa estrada de terra batida com 35ºC à sombra e a 30 km do hotel. Fogo, estou todo suado. Maldita gaja. Para o ano vai cada um para seu lado. Eu vou com os gajos para Espanha. Ela que vá com as amigas para parte incerta. Malditos humores. Será que passa alguém? A esta hora está tudo a torrar nas praias. Ninguém se vai embora. Nem uma sombra para me sentar. Acho que vou descalçar-me. Pelo menos sempre não sentia os pés tão inchados.
Ao fim de uma meia hora vi um carro ao longe. Não vi um carro, mas antes o pó que ele levantava. “
Afinal a gaja veio-me buscar”. Menos mal. Sempre posso tomar um banho antes do jantar. Deixa lá ver o que ela diz. O carro parou:
- Entra!
- Então? Voltaste?
- Sai!
- Pronto, pronto, eu estou calado. “
Nem pensar em deixar fugir outra vez este carro.”
Andamos 10 km e estávamos à entrada da estrada de asfalto. Uma daquelas que atravessam o Alentejo de norte a sul e que só são muito concorridas quando é verão.
- Sai! Para a semana mando-te as tuas coisas lá de casa. Escusas de tentar ir buscá-las.
E arrancou. Deixou-me ali. E para cúmulo estava descalço. Tinha deixado as botas no caminho lá atrás. E o alcatrão estava quentíssimo. Derretia ao sol. Eu continuava suado, encharcado até às cuecas e agora estava em processo de divórcio. Nada mau para o primeiro dia de férias.
publicada por David Rodrigues #
20:47 