Sixhat Agridoce - netcast de tecnologia, ciência e internet

Emissão em mp3 sobre Linux, open source, novas tecnologias, exploração espacial e os limites da ciência.

Quarta-feira, Abril 30, 2003


 
A grande Barraca(da).

Vamos imaginar que tinham um espaço onde queriam divulgar poesia. Tentavam ver em que dia da semana podiam fazê-lo e descobriam que somente podia ser feito à terça feira, véspera de dia de trabalho. Depois para solucionar o problema, decidiam ao longo da noite fazer várias mini sessões, quatro para ser mais preciso. Uma às 10, outra às 11, outra à meia noite e por fim uma à uma da manhã. Estas eram sessões de leituras curtas. 15, 20 minutos no máximo. Serviam-se estas iguarias intercaladas com bom Jazz. Permitia-se que as pessoas que não pudessem ficar até mais tarde, sempre ouvissem um pouco daquilo que procuravam e aumentava a circulação de pessoas pelo bar, gerando receitas bastante agradáveis. Ora a música, o espaço e a ideia já existem. Pena é que a poesia seja apenas lida a desoras e em sessão continua. Acontece que nem todos os que gostam de poesia a podem ouvir ser lida (que não se declama poesia) durante a madrugada. Faz isto com que a poesia que se quer divulgada e para todos, acabe nas mãos e ouvidos de uns (sempre os mesmos) que podem numa terça feira à noite, não ir trabalhar no dia seguinte. Fecham a poesia numa ideia de submundo própria, antagónica com a noção de libertação de qualquer poesia. É uma atitude egoísta, marcada por uma ideia de posse e de importância de quem lê e não da importância de quem ouve e do que ouve.


 
A minha vida é cheia de alterações. A grande ilusão... Não consigo estar em muitas coisas parado... Sempre que me sinto chegar ao tédio, tento saltar. E nessas situações parto o prato que seguro na minha mão. Viajo.. vou ao Norte.. Vou e lá decido. Quase todas as decisões importantes que tomo passam por Viana do Castelo. Mesmo que diga que não voltarei a Viana, ou que diga que voltarei daqui a apenas 3 ou 4 anos... (Dependo do humor com que me apanham), quase tudo gira em torno daquela cidade. E muito da praia que fui vendo desaparecer. A praia do Cabedelo. Aquele que já foi um extenso areal... agora parece um matagal... com uma tira de areia lá no fundo e depois o Atlântico. Mas muito do que reflicto e do que decido é tomado nos ares frescos de Viana... e esta páscoa decidi coisas novamente. Passei a uma situação estranha... Deixei o ISCTE. Fartei-me de estar parado e decidi procurar novas aventuras. Sim estou desempregado... Não saí por troca com outra coisa qualquer... Saí porque preciso tempo para mim. E porque não consigo ter a mente ocupada em mais do que uma coisa ao mesmo tempo. Neste momento tenho a chamadas pontas pendentes por acabar. Está na altura de as resolver. Irei com ânimo novo e redobrado travar essa lutas antigas. Mas o curioso nisto tudo é que Viana assume, mesmo nos silêncios, um papel importante. Porque tudo passa pelo cheiro, pela humidade que se entranha no corpo, pela forma de falar com as pessoas. Vive-se melhor em Viana, vive-se num ritmo muito próprio e do qual tenho muitas vezes saudades. Em Viana não se anda a correr. As pessoas sabem que as coisas estão lá. Não há perigo de perdermos a nossa vida... de lhe passarmos ao lado. Mas também não se fica parado. As coisas mudam, mas mudam a uma velocidade apropriada para captar os instantes belos da vida. Uma vez descobri uma princesa. Agora descobri uma Rainha.

Domingo, Abril 27, 2003


 
E temos que fazer qualquer coisa sempre assim... Um fim de semana, uma distância longe de mim... de ti e de alguém mais.... Que coisa esta... Um ser sempre caminha e procura recantos.

Ele cava um caminho, ela procura-o no olhar ténue do ambiente carregado. O arado. O arado puxado por uma parelha de bois do barroso. Com seus cornos retorcidos apontando para o céu. E feito assim. A praia. A areia da Nazaré...O gado que puxa os barcos. Hoje são tractores. Mas afinal amo-te Lisboa. Amo-te Lisboa. Pequena princesa de amigos em tertúlias perdidas. O gado que caminha ao pé de mim e que conduzo até ao rio para beber, não sabe destes pequenos pormenores. Mas está nervoso. Sabe-o porque todos os dias o conduzo a beber. E este gado sabe que está na hora de beber. E sabe que eu o vou levar lá abaixo à ribeira. Quando me levanto da sombra das oliveiras ao fim da tarde e me dirijo para as peias, começam a ficar excitados. Passaram a tarde toda a ruminar e percebem que agora que o sol se começa a esconder por detrás dos pinheiros da Eira, é altura de ir à ribeira bebericar. Começam a ficar impacientes se me demoro um pouco mais, a apagar um cigarro, ou a compor alguma meda. Depois chego ao pé deles e faço-lhes uma festa na cabeça, para os sossegar, e digo-lhes uma palavra amiga. Enquanto seguro as fitas para os conduzir pelo caminho, dou-lhes um toque nas coxas, com o meu cajado. Assim começam a caminhar. O gado mais velho, sabe já estes sinais todos e não precisava de ser conduzido. Podíamos deixá-los ir sozinhos à ribeira que não se perdiam. Mas é uma questão de autoridade. Temos sempre que o acompanhar. Para que saibam que somos nós quem mandamos neles e que não podem fazer o que querem sozinhos. Uma vez a malhada do ti'Zé soltou-se da peia e ele deixou-a ficar. Ela foi-se afastando e foi beber sozinha. O ti'Zé não se importou muito. Depois isso começou a ser um hábito e a malhada ia sozinha beber. O problema foi que um dia o ti'Zé foi com ela e quando a quis fazer regressar ela recusou. E começou a espernear de tal forma que pregou um valente coice nos costados do ti'Zé. Até hoje quando muda o tempo, ouve-se o ti'Zé a resmungar no café por causa das dores e claro a história da malhada safada é contada entre mais uma rodada de bagaço e um jogo de dominó. Por isso é preciso ter cuidado com o gado. E por isso desde pequeno que sempre levei o gado à ribeira. Mesmo quando não me apetecia e queria ficar na Eira a jogar à bola com os meus compinchas. Grandes puxões de orelhas levei por querer jogar à bola em vez de ir para o campo cuidar do gado. Eu com era mais franzino sempre fui poupado aos trabalhos mais pesados. Ficava apenas a tomar conta do gado. Umas vezes dos bois, outras das cabras, que também tínhamos. Eu não gostava muito de tomar conta das cabras. Tinha que ir com elas para o monte e lá elas são muito irrequietas. Andam sempre a saltitar de um lado para o outro. É mais difícil. Tinha a ajuda do Trovão, o meu cão pastoreio, mas mesmo assim não era a mesma coisa. Com as vacas a coisa corria suavemente. Bastava de vez em quando ir mudar a localização das peias e pronto. Podia ficar debaixo das oliveiras a descansar. Ou então podia ir para o topo de alguma ameixieira e deliciar-me. Era preciso que fosse o tempo das ameixas, claro. Ou se por acaso levasse o gado para junto da Eira, dava mais corda à peia e ia jogar à bola com os meus amigos. Claro que nessas alturas era quando costumava levar umas traulitadas valentes por abandonar o meu trabalho. Mas enfim. Valia bem a pena. Um dia sairia do vale. E saí.

Conheci a minha princesa, que embora pequena e discreta a princípio, se tornou exuberante e repleta de pequenos prazeres. Por ela fugi, sem saber para onde fugi. E dos grandes espaços em que encontro, procurei recantos de amor e prazer. E eu e ela e nós fugíamos e nós no encontrámos. Aqui estamos. E sempre fui beber à ribeira do nosso encantamento em curvas de desalinho.

Sábado, Abril 26, 2003


 
A explorar http://www.koyaanisqatsi.org

Sexta-feira, Abril 25, 2003


 
«Zoilos, tremei! Posteridade, és minha»
Bocage

Os insultos são vários e dispersos. O agridoce revela-se a cada linha que escrevo. Cada vez mais. Percebo menos os outros. Percebo menos as distâncias. Percebo muito menos tudo e todos. Que coisa. Cada vez menos vou. Envio um email. Espero que a resposta seja rápida. Afinal a cibernética é uma garantia, julgo eu. Aguardo resposta. Espero. Um dia, um mês... E a vida continua. Perdi o tempo daqueles que me rodeiam e julgo que não é importante. Julgo que eles continuam ali. E esqueço que me esqueci. Que fui eu quem pediu um tempo. E que afinal ela não compreendeu. Eu que queria pensar, que quando junto não conseguia. E ela foi, foi para longe. Partiu. Foi também mudar de ares. Longe. Subiu a montanha e respirou só. E eu engrenei este tempo. E pensei que a roda da vida girava lentamente. E que era eu que estava desalinhado. Alinhava-me lentamente. E a roda da vida girava. Girou. E aguardo a resposta que já veio, mas que não vi. Não estava na casa certa da minha roda. Dispersei insultos e julguei-me grande. E afinal onde parei. Na minha casa de partida. A casa da descoberta e de onde tudo brota e tudo nasce. E a imagem que lá vi, de um velho, não mais era a minha ( imagem normal nesta situação ). Julgo que eles continuam ali. Mas ali o que é? É o meu refúgio, o meu cemitério. Onde coloco todos os mortos de meus insultos. E de onde em quando tento ressuscitar alguém. E nunca percebo que tal é impossível. Eles não voltam. Nunca o farão por vontade própria. Apenas o farão por piedade. E a minha ignorância de piedade não precisa.


 
Somos a geração dos gatos. Somos mesmo que não os tenhamos. E isso conforta-nos. É uma tristeza que em vez de sermos independentes, como os gatos nos ensinam a ser, sejamos apenas egoístas e carentes, como nunca os gatos nos ensinaram. Somos como cachorrinhos, que precisamos de toda a atenção. Bebemos da vontade de uns e do comportamento de outros. E que pretendemos fazer? Nada. É sempre mais fácil não fazer nada... e apenas ronronar-mos um pouco, de cada vez que o vento levanta um pouco de poeira. E não queremos nunca ser nós mesmos os motores dessa poeira. Depressivo? Vocês não viram ainda o depressivo. Um dia gostava de poder dizer tudo o que gostava de dizer, sem nenhum complexo de lealdade a ninguém. Aí espantaria muitos gatos e muitos cães teriam que se assumir. Porque a maior vergonha desses cães, que não sendo pastores alemães, é serem poodles de colo. E aos poodles de colo, dá-se lhes um belo de um pontapé, eu sei cá onde, e asfixiam-se debaixo de água. Dizem que as experiências de quase morte nos fazem viver mais intensamente a vida. Estes poodles precisam disso, ou então de ir morrer na beira da estrada. Há sempre um camião caridoso que os pode estrafegar.

Quinta-feira, Abril 24, 2003


 
MUDE (texto circulante na internet)


 
Chysis aurea"Parti um copo ao lavar a loiça. Magoei-me. Ele estava na sala. Via o noticiário. Grunhiu qualquer coisa do sofá. Enquanto coloquei a mão sobre água corrente, olhei para o meu braço magro. Depois novamente para o corte. Não parava de deitar sangue. Não ia fazer um penso. Ainda tinha pratos para lavar. A minha rua é sossegada. Normalmente não se ouvem ruídos depois das dez da noite. Será que alguém ouviu. A vizinha do andar de baixo com certeza. Está sempre à coca. Que pensará? É mulher. Entenderá. O pior é o marido. São todos iguais. Se esta merda parasse de sangrar, podia acabar de lavar a loiça. Daqui a bocado está aqui outra vez. Maldito co(r)po. Se fosse para casa da minha mãe? Não perceberia... Não, aqui é a minha casa. Aqui sou eu. É o que escolhi, a minha vida. Ainda me falta tanto... que horas são.. hm.. é tarde... Já nem sinto a mão. Até ficou um pouco roxa... «sorri» Já vi isto. Mas que fiz eu? Devia ter cuidado. Sou tão descuidada com estas coisas. O sangue está a estancar. Esfrego o braço, sacudo a mão e pego num prato. Ainda tenho muita loiça para lavar. Ele já ronca."

Terça-feira, Abril 22, 2003


 
A minha estadia no norte foi muito produtiva em termos de sonhos... e de mudanças na minha vida... mas ainda é cedo para falar... talvez amanhã, talvez depois...
...
...agora é tempo de chorar. Acabo de saber da morte de Nina Simone. E neste momento ouço-a a cantar Night Song. Estou ainda meio em choque... Apenas tenho a dizer que é um momento de grande emoção. Nina Simone morreu? Não é possível... Estou a ouvir a voz dela ainda... Como morreu. A minha Nina Simone não morre. Nunca morrerá. Há pessoas grandes demais para esta vida. E a Nina Simone é grande demais para várias vidas. Nina Simone estará sempre viva. Eu sei-o. Eu estou a ouvi-la...

Sábado, Abril 19, 2003


 
Alfama (8/8)
Um dois três quatro.
Um dois três quatro.
Um dois três quatro.

Um piano toca no átrio. Um voz inconfundível preenche os ar. Um mulher sentada numa mesa ouve, enquanto beberica um daiquiri.

"You must remember this
A kiss is still a kiss
A sigh is still (just) a sigh
The fundamental things apply
As time goes by"

Ela retira da malinha um lenço de homem. Cheira-o e volta a guardá-lo. A sala parece vestida de veludo e cetim azul escuro. Quando a música acaba, o pianista vem sentar-se ao lado dela. É um negro pequeno, um pouco gordinho. Era com certeza algum músico de Jazz a fugir à guerra de Paris e que estaria em escala em Lisboa.

"And when two lovers woo
They still say: "I love you"
On that you can rely
No matter what the future brings
As time goes by"

Reparei que ela parecia perguntar por alguém. Ele abanou a cabeça e continuou a beber. Parecia refugiar-se no Whisky. Ela também baixou o olhar, e pareceu esconder uma lágrima. Entretanto ela levantou-se e colocou a mão dela na mão dele. Ele baixou o olhar e apertou-lhe a mão com a outra, enquanto ela se afastou. Quando ela saiu da sala, ele subiu novamente ao piano, olhou para Rick que estava no varandim do primeiro andar esperando um sinal:
«Play it, Sam, play it»

"Moonlight and love songs - never out of date
Hearts full of passion - jealousy and hate
Woman needs man - and man must have his mate
That no one can deny

It's still the same old story
A fight for love and glory
A case of do or die
The world will always welcome lovers
As time goes by"


 
Alfama (7/8)
Voltei a encher-me de paz. Porquê? Porque sonhei uma destas noites com a mulher da minha vida. Encontrei-a num almoço e desde logo senti que era ela. Como é que uma pessoa sabe? Sabe apenas. Não há sensação nenhuma em especial, apenas se olha para a pessoa e diz-se que esta pessoa é alguém com quem não te importas de passar o resto dos teus dias. É verdade. É aquela pessoa, que mesmo ainda antes de falares com ela já sabes que é ela. Já percebeste que vais poder estar ao lado dela para sempre e que tudo o mais deixa de ser importante. Claro que a consciência que essa pessoa existe, leva a um problema muito grande, que é procurá-la. Não me lembro do que falei com ela, durante o meu sonho. Sei apenas que almoçamos numa esplanada. Uma esplanada do género daquelas de Paris. Não me lembro também do seu rosto. As suas feições são um pouco difusas, mas talvez a reconheça no dia em que esteja na sua presença. Ou pode ser que também ela me reconheça e tenha um dia sonhado comigo. Talvez na mesma situação, num mesmo espaço, num mesmo lugar. De aspectos físicos sei apenas que é loira, alta e magra. Mas mais nada. Se bem que estes aspectos físicos podem ser muito duvidosos. Primeiro, como sei que é loira, se nem me lembro do rosto? Segundo, como sei que é alta, se estava sentada? Terceira, como sei que é magra, se a imagem que tenho dela é difusa? Apenas tenho esperança que a imagem completa dela esteja guardada algures nesta caixinha e que se avive quando a vir. A única coisa que posso fazer é estar atento e atento e aproveitar a vida em tudo aquilo que ela me der e nunca deixar de estar atento. Isto porque não é possível fazer como o escultor cipriota, que desiludido com as mulheres, esculpiu Galateia, uma das Nereidas, de tal forma bela que nenhuma mulher se lhe comparava. Para Pigmaleão, que a tinha feito, era a mulher ideal (como a do meu sonho é). Pediu a Vénus que lhe desse vida e a deusa assim fez. Pigmaleão casou com a sua "estátua viva". Acreditarei eu em Vénus?

Quinta-feira, Abril 17, 2003


 
Alfama (6/8)
Enquanto fotografava, Juvenal resmungava do postigo de sua casa. "Que malditos, aparecerem aqui a esta hora, malditos sejam, que me desgraçam o arranjo. Vão-se embora, seus f..." e a censura de narrador entra em acção. Claro que enquanto o fotografava, não sabia qual a razão da sua indignação. Contou-me mais tarde quando o voltei a encontrar. Pelo que descobri, aquele beco estava amaldiçoado.
Há muitos anos, ainda Juvenal era novo e se mudara recentemente para Alfama, houve um problema de amores ali no beco. Havia Lídia, uma jovem voluptuosa, Manuel "vinagre", que tinha a taberna e havia Juvenal, estivador de profissão. Desde o dia em que ali chegou, não pode deixar de reparar na beleza de Lídia. Logo se apaixonou:

"Mas uma coisa é eu gostar dela, outra completamente diferente era ela reparar sequer em mim. Dizia-se na rua que se deitava com Vinagre, embora eu desconfiasse que não. Mas a verdade é que o Vinagre rondava muito a janela de Lídia. Levava-lhe flores e convidava-a muitas vezes para ir à revista com ele. E fazia-o em alto e bom som, para que todo o beco ouvisse.
Mas disperso-me. Ora a tragédia aconteceu numa noite em que eu cheguei mais tarde e estava já bebido. Tinha ficado à conversa com uns colegas e no caminho para casa tinha ainda parado para aliviar o meu desgosto de amor com uma puta que às vezes me "acolhia". Boa moça, pena que andasse naquela vida. Mas ouvia-me falar de Lídia e isso aliviava-me. Não sei se por ter bebido demais, ou se por ter falado demais, quando estive com ela, não tive vontade, e fiquei doido. Sai e subi ao beco furibundo. Gritei o nome de Lídia e insultei-a várias vezes. Vi que a janela do seu quarto se iluminou o que contribuiu para que eu continuasse a proferir impropérios. À porta de casa apareceu entretanto o Vinagrete, em ceroulas. Enfureci-me. Chamei-lhe "puta" e fui a casa buscar a Colt. Arrombei a porta e apanhei-os no quarto. Acho que nem vi para onde disparei. Mas disparei. Isso eu sei. Não foi acidente, como me disseram para dizer depois. Claro que acertei em quem não queria acertar. Feri mortalmente Lídia que viveu ainda três semanas entrevada, com uma bala na coluna. Depois do tiro, a Colt encravou e isso permitiu ao Vinagre dominar-me, o que não devia ser difícil por causa da bebida, senão também ele tinha levado chumbo.
Estive pouco tempo preso. Afinal tinha sido um acidente. Voltei para esta casa da qual apenas saio para tratar as flores do beco. Apenas o faço se o beco estiver sozinho. Porque a vergonha que me cobre é grande e ainda não consigo olhar ninguém de frente. Por isso não gosto de visitas ao beco. As flores também não gostam. Elas sabem que estão ali apenas por causa de Lídia. E são flores triste, que crescem menos que as outras. Também choram a minha dor."

Quarta-feira, Abril 16, 2003


 
Alfama (5/8)
Quando o velhote que descia a rua olhou para mim e eu apertei o disparador, senti o meu coração a parar. Parecia uma premonição. Sabia que algo tinha ficado mal. Talvez o enquadramento, talvez a exposição. Não sabia o que teria sido... Depois olhei para o eléctrico que lentamente se preparava para descer a rua e pensei que aquele sentimento talvez se devesse ao eléctrico vermelho. É sabido que esta cor provoca uma agitação nas pessoas. Não é em vão que os eléctricos são todos vermelhos, ou amarelos. Sinais de perigosidade. E este talvez me tenha transmitido essa mensagem. Talvez seja isso ou talvez tenha sido o olhar seco do velhote que descia a rua. Calmamente. Tinha-se despedido de uns turistas que lhe pediram indicações, ainda o eléctrico vinha muito ao cimo da rua. Os turistas, pelos ares e pela conversa, pareciam ser alemães. Eu segui-os com a objectiva. Achei-lhe uma certa piada, caminhando com um ar um tanto ou quanto lunático. Olhando para o ar, como fazem todos os turistas. Em busca de algo que não sabem muito bem o quê. Descobrindo coisas que se calhar nem nós sabemos existirmos, porque caminhamos sempre de olhar baixo. Segui-os lentamente e vi-os aproximarem-se do velhote. Perguntaram-lhe qualquer coisa. Pelos gestos da resposta ( bom português nunca deixa de ser hospitaleiro e não responde nunca com um "no hablo") pareceu-me que os turistas queriam ir para a Graça. Também nós lá iríamos mais adiante. Agora era tempo de descer. Observava-os descontraída, quando o eléctrico se assomou ao cruzamento. Aí o velhote despediu-se dos alemães e recomeçou a descida. Do lado, alguém do meu grupo, perguntou-me se não fazia uma foto ao eléctrico. Não desconfia com certeza que o meu motivo nos últimos minutos era outro. E assim fiquei no meio da linha do eléctrico, tentando apanhar o momento perfeito para a fotografia. E quando disparei, percebi que captara o inevitável. Aquele olhar do senhor denunciava-o. Ele foi andando e o eléctrico também. Eu entretanto, chegara-me ao passeio para lhe dar passagem. Nesse preciso momento o velhote passou também e ele, entalado entre mim e o eléctrico, entalava-me entre ele e a parede. Chegou-se ao pé de mim e disse:
"Roubou-me um olhar, agora roubo-lhe um beijo, menina."
E foi assim que me pediu um beijo emprestado.


 
Alfama 4/8

"Sua majestade, o rei dos Hititas, Suppiluliumas I

Sabe por seus espiões, com certeza, que meu marido, o grande Nob-Khepem-Rá, faleceu em circunstâncias estranhas ao natural rumo das coisas. Sabe também que os olhos de sabre que o circundavam neste palácio do norte, sempre zelaram de forma duvidosa pelos interesses deste reino, contrária aos ensinamentos do senhor Akenaton, que apesar de herético, governou segundo convicções fortes. E essa força divina transportava-se para os escravos e para os agricultores. Nunca como então os nossos celeiros estiveram cheios. Sabe vossa senhoria a triste história que Tutankaton passou. Sabe como sempre foi falado secretamente, por causa de ser filho Kyia, segunda mulher de Akenaton, e sabe que foi segunda escolha na sucessão de seu pai, tendo-lhe mesmo seu tio precedido na ascensão a Deus do Egipto. E sabe que todas estas desventuras são fortes para uma criança. Por isso é que tendo acompanhado esta vida de corte. E tendo sido já mulher de Akenaton e de Smenthkan, decidi desposar Tutankaton, para preservar o sangue de uma grande linhagem e de alguma forma o tentar proteger. Sei por isso que paguei com grande peso o amor que tive por meu Deus. E assim me vi casar com uma criança de 9 anos. Despeitados, alguns na corte começaram a colocar entraves à governação do jovem Deus e rapidamente o convenceram a se desligar do culto do pai, e o convenceram a mudar o regime de culto do Egipto, que voltou a adorar Amon mais que o Faraó. Tutankaton mudou de nome e passou a Tutankamon. Então tinha 11 anos. Mas nunca foram sossegadas as nossas vidas, apesar de a mudança ter apaziguado um pouco as ordas dos velhos da corte Ay e Horemheb. Estes sem ninguém que se lhe opusesse, foram reclamando a sí as grandes obras do Deus dos egípcios. Quando estava para completar 18 anos de vida temeram Deus, mataram Tutankamon. Mas estas histórias já vossa excelência sabe. Agora talvez não saiba que Ay se apoderou do trono e pretende governar o Egipto à sua lei. Ele que não é legitimo na linhagem dos faraós. Por isso lhe peço sábio rei, que façamos uma aliança de paz e de prosperidade. Envie-me um dos vossos filhos para me desposar e dessa forma assumir o governo do reino que Rá escolheu com seu.
O desespero deste reino é grande pois será calamitosa a memória de Tutankamon se o governo cair em mãos párias."
E Ankhesenamon, antes Ankhesanaton, esperou nos jardins da cidade alta e foi desesperando. Recebeu emissários do rei Hitita que vieram averiguar da veracidade dos seus relatos. Passeou por Tebas e fez oferendas a Amon. Mas as suas preces não eram jamais ouvidas. O Rei nunca mais lhe enviava um príncipe que a retirasse daquele cativeiro psicológico. E Ay pressionava-a.
Um dia encontrou Ay em preparativos para partir. Disse que subiria o Nilo e que voltaria dentro de alguns dias. E que voltaria triunfal. Ankhesenamon que se preparasse. Quando Ay voltasse haveria uma nova ordem no Egipto. Ela preocupou-se. Que prepararia Ay. Falou com as amas de quarto a saber se elas saberiam alguma coisa. Mas não. Ninguém em Heliopolis parecia saber o porquê desta partida súbita de Ay, com um tão pequeno número de homens. Passados 15 dias Ay voltou. Ay entrou no quarto de Ankhesenamon e tomou-a como Deus toma o que é seu. No fim, disse-lhe que seria sua mulher e casaria com ela dentro de 8 dias. Ay colocou guardas à porta de Ankhesenamon e ordenou-lhe que a vigiassem dia e noite. Assim foi escrito, assim foi efectuado. Mas nesse mesmo instante, Ankhesenamon decidiu morrer. Tinha compreendido que Ay fora matar Zamanza, filho do rei dos Hititas, mesmo antes de este entrar no Egipto. Ankhesenamon deixou a vida nesse instante e apesar de ter casado com Ay, passado algum tempo desapareceu sem deixar rasto. Há quem diga que se embrenhou nas águas do Nilo para nunca mais voltar. Que o rio a levou para o outro lado. E que ainda hoje quem sulcar essas águas pode ter a sorte de ouvir os lamentos daquela que foi mulher de 4 governantes do Egipto. E que quem a ouvir vai perceber o amor que, mais do que aos Deuses que a governavam, ela tinha pela família desses Deuses. O Nilo mais uma vez guardava as suas divindades e guardava também quem por elas era consumido.

Segunda-feira, Abril 14, 2003


 
Alfama (3/8)
Três jovens muçulmanas em minaretes prisioneiras, ficaram olhando o sul. Uma ouvia poemas de seu amado príncipe, outra tecia tapetes e a terceira tomava banho no rio mais a norte. Tocaram as sinetas de alarme e todas se recolheram ao claustro da casa. Seus irmãos partiam para a o combate e mal se despediram. O pai, preocupado, mandou-as recolher à ala das mulheres e disse-lhes para subirem aos minaretes, que aí ficariam mais protegidas. Aconselhou-as também a trancarem as portas e a só as abrirem quando ele viesse por elas. Acontece que o pai delas partiu também para a guerra e elas esperaram cada qual no seu minarete. Do alto dessas torres observaram ao longe o pó levantado pelos cavalos na árdua batalha. Por vezes julgavam ouvir algum ruído, mas tal era impossível, devido à azáfama que se verificava na rua. As mulheres corriam em todas as direcções. As crianças choravam. Alguns homens caiam já, ensanguentados. Procuravam alguém que lhes valesse. As mulheres davam-lhes água e tentavam fazer com que não fossem espezinhados pelos cascos dos cavalos que passavam a toda a velocidade. As três irmãs observavam. Sentiam vontade de descer e de ajudar, mas não ousavam desobedecer a seu pai. Agora o barulho da rua apresentava-se cada vez maior. Havia gritos estridentes que pareciam sobre-humanos. Já não se ouviam cavalos a passar. Aqueles que há pouco tempo corriam colina acima para combater os outros, eram agora perseguidos por estes, colina abaixo. A rua da frente da casa estava apinhada de gente. Um carro de água tombou bloqueando por completo a passagem. Aqueles que eram mais ágeis conseguiram saltar por cima. Os restantes ficaram espezinhados. E foram facilmente eliminados. Um a um. Não deixaram ninguém vivo. Afastaram-se, foram dar a volta à casa. Elas tiveram medo. Algum medo.. Mas afinal a casa estava bem protegida e elas nos minaretes estavam escondidas. Ninguém as via ali. Pelo menos por algum tempo. A irmã mais nova soluçava um pouco. As outras disseram-lhe para não chamar sobre si as atenções. Depois juntaram-se na antecâmara de acesso aos minaretes e fizeram uma jura eterna. Ali ficariam para sempre todas juntas, todos juntos olhando o sul.


 
O anãoAlfama (2/8)
O anão

O anão sobe desce desce sobe e desce novamente. Desce desce desce sobe sobe desce desce sobe, não, desce.
O anão subia descia descia, subia. Um dia o anão caiu e partiu um braço. Um dia o anão hesitou e não subiu. Saiu de casa... e voltou a entrar. Entrou? Ficou lá durante um pouco. Voltou a sair.
E uma questão assolou-nos nesse dia. E um caminho apareceu gizado num chão escuro.
Era noite e não tínhamos água.
Era noite e o maldito anão caminhava à nossa frente. Já não descia, já não subia. Caminhava a direito. Só ele parecia saber para onde ia. E caminhávamos e subíamos e descíamos e descíamos e subíamos subíamos subíamos descíamos e o anão caminhava a direito. A estrada ao fim meia hora sob aquele sol tórrido parecia tornar-se curva embora caminhássemos em linha recta há várias horas. Uma sombra. Pareceu-me ver uma sombra. Um desejo de parar. Mas aquela questão perseguia-nos e continuávamos a seguir maquinalmente o anão. O anão de vez em quando parava. Olhava para trás e sorria com um ar de predador. Um anão, um predador. A mescalina começava a fazer efeito. Os sábios tinham-nos avisado. O anão era traiçoeiro. Subia e descia. Voltava a atrás. Que queria. Senti o seu hálito sobre o meu rosto. Cheirava bem. Cheirava a incenso e a especiarias. Nunca conheci ninguém que tivesse um hálito assim. Segui-o mais alguns passos. O anão voltava a caminhar. Tinha um barrete vermelho. Parecia o Pai Natal, alguém comentou. Um Pai Natal no deserto, sob um sol abrasador e a medir 30 cm... O anão agitava os braços. Não sei se de euforia ou para nos convencer a segui-lo. Nós íamos... íamos sempre. O meu céu é vermelho. O meu e o do deserto. Um sol vermelho de sofrimento. No deserto quando chove a areia absorve o sangue, mas deixa o odor e o estertor da morte para os que passam.
O anão sobe desce desce sobe e desce novamente. Desce descia? Talvez desça um dia? Sobe? Julgo que já não, mas são poderosos os poderes da mescalina.

Domingo, Abril 13, 2003


 
Alfama (1/8)
Vejo-a, de uma janela, a subir a rua. E as suas curvas salientes carregam um desejo escondido. A sombra.. agarra o percurso e chega primeiro a mim, aqui na janela. Sobe lentamente. O sol não ajuda. Um cão vadio fareja uma sarjeta um pouco mais abaixo. Na janela da vizinha do segundo andar ecoa um disco da Amália. Sente-se o cheiro a sardinhas. Algures num destes becos talvez. Não se vê daqui da Janela. Mas também não posso comer sardinhas. Ordens do médico. Ela vem já a meio, mas está tão longe... E as saudades que eu tenho dela. Estou cansado de estar aqui fechado por detrás desta janela, sem poder ir à rua, sem falar com quem quero. Sem a sentir na minha pele. Sem a ver, sem lhe tocar. Agora que a vejo tenho um medo que ela não me reconheça. Que não reconheça a minha casa. Olho para ela por detrás desta minha janela e espero. Espero que ela não volte a descer por esta rua íngreme e não me deixe novamente aqui sozinho. Frio e abandonado. Sou demasiado frágil para o aguentar. Há já muito tempo que a minha vida é um terror, nestas trevas que me rodeiam. A casa está bolorenta como se seguisse o meu estado de espirito. Olho mais uma vez. Ela está a chegar à esquina da casa. Tocou-lhe ao de leve e continuou a caminhar. Este tempo parece um minuto, um longo minuto. Não sei. Talvez esteja enganado. Os olhos estão turvos de saudade. Ela caminha vagarosamente. Está calor. Da calçada quase se ouve o seu caminhar, embora caminhe levemente. Chego-me ao parapeito, procuro vê-la melhor daqui desta janela. A Janela é pequena para a o meu desejo. Ela está mesmo debaixo dela. Olho-a. Não me viu. Vai dar a volta. Quase me desequilibro e quase caio à rua. Quando me levanto vejo o Tejo e para lá do Tejo a planície. Ela já não está na rua, já deu a volta. Fecho a janela e sento-me esperando.

Quinta-feira, Abril 10, 2003


 
Reescrevendo a história? Talvez? Gostava de saber por vezes como aproveitar melhor a vida! Por vezes julgo-me a ver a vida passar. E fico deprimido... Então procuro partir a loiça toda e procuro saltar e viver. Mas esta sociedade coloca tantos entraves a quem quer fazer algo. Para se ser espontâneo, temos que ser metódicos... Que maldito contra-senso.

Quarta-feira, Abril 09, 2003


 
Quando as pessoas assumem a beleza
como emanação do belo
É porque a fealdade existe
E quando assumem a bondade
como ideia subjacente ao bom
É porque existe a maldade
Portanto como conceitos entre si recorrentes
Prevalecem a Existência e a Não-Existência
Conjugam-se o fácil e o difícil
O longo e o baixo contrapõem-se
A voz e o eco harmonizam-se
A dianteira e a traseira não se distanciam
O sábio rege-se pela inacção
Ensinando sem falar
Deixando as dez mil coisas nascerem e crescerem
Sem reivindicar nisso a sua participação
Promove a sua evolução gradual
Sem nisso mencionar a sua contribuição
Nem reclamar por isso qualquer mérito
E como não se expõe
Permanece na mais absoluta solidão

Lao Zi (1º Quartel séc. VI a.C.)

Terça-feira, Abril 08, 2003


 
Já vi o filme Gato Preto Gato Branco, mais de 20 vezes e de cada vez que o vejo descubro um detalhe que me tinha escapado em anteriores visionamentos. Isto para além de já saber algumas falas de cor... em Jugoslavo... Mas este é um filme que recomendo vivamente a todos aqueles que ainda não viram e em tempo de guerra este dever ser dos visionamentos mais apropriados.

Segunda-feira, Abril 07, 2003


 
No fim são todos transparentes... Todos transparentes. Pior... são todos tão cinzentos... que o desespero que os assola, os há-de fazer gritar de dor. Maior que o terror jamais imaginado. Maior que o desterro em terras longínquas. Dor. Azar o vosso e o de todos os que vos acompanham. Gritem bem alto a vossa dor. Tentem em vão expiar os vosso pecados. Virem-se para os vossos Deuses e perguntem porquê! E olhem-nos através da pele transparente das vossas mãos. Olhem bem, porque esse é o fim.


 
Vale a pena ler esta crónia.


 
O próximo encontro de bookcrossistas está agendado para Sábado, dia 12 de Abril, em Sintra.

Vai decorrer no próximo fim-de-semana, mais precisamente no Sábado, um encontro de "Bookcrossistas" em Sintra. Independentemente de me parecer meritório todo e qualquer encontro de promoção do livro, este ou outros não fazem muito o meu género. Sou do tipo introvertido no que diz respeito aos meus leitores. Detesto mesmo pensar no leitor. Para mim é uma figura anónima e como tal inexistente. Não quero saber o que lêem ou como lêem. Nem quero saber se lêem. E sou assim tão desprovido de curiosidade em relação aos meus livros, estranho seria se não o fosse em relação aos livros dos outros. Se não me importa se alguém lê o que escrevo, porque me importaria se alguém lê o que leio? Não vou ao encontro de "bookcrossistas". O encontro não será mais do que um convívio e de um engalanar de um estatuto que me parece fútil. O verdadeiro e último interesse do bookcrossing, a meu ver (para evitar críticas futuras), é fazer chegar livros a pessoas que raramente se interessam por eles. É o abandonar do livro ao anonimato. E ter aquela restea de esperança que um dia alguém faça bom proveito do livro. Agora os bookcrossitas, como se chama, fecharem-se em si mesmos não me parece útil e até certo ponto desinteressante. Por outro lado se lhe chamassem um encontro de leitura pública, ou de debate público, em que fossem os "bookcrossistas" a ir ter com a população, numa missão quase social, aí talvez me convencessem mais depressa.


 
US plans to loot Iraqi antiques

It has emerged that a coalition of antiquities collectors and arts lawyers, calling itself the American Council for Cultural Policy (ACCP), met with US defence and state department officials prior to the start of military action to offer its assistance in preserving the country's invaluable archaeological collections.

The group is known to consist of a number of influential dealers who favour a relaxation of Iraq's tight restrictions on the ownership and export of antiquities. Its treasurer, William Pearlstein, has described Iraq's laws as 'retentionist' and has said he would support a post-war government that would make it easier to have antiquities dispersed to the US.


O pior que podia acontecer ao Iraque está já a ser efectuado, mas pior ainda é o que está a ser feito à humanidade.


 
Fiz uma das coisas mais dolorosas dos últimos tempos: A declaração de IRS de 2002

Domingo, Abril 06, 2003


 
www.iraqwar.ru
05.04.2003
U.S. Doesn't Want Occupation of Iraq

The United States has no intention of imposing long-term control on Iraq after the overthrow of President Saddam Hussein, U.S. Deputy Defense Secretary Paul Wolfowitz was quoted on Saturday as saying. "We don't want it to be an occupation -- we also don't want it to be something the coalition imposes on Iraqis," the man credited as a driving force behind the invasion of Iraq by U.S. and British troops told the Daily Telegraph newspaper.


Imaginemos como seria uma guerra se por acaso os americanos quisessem que fosse uma ocupação... se calhar ai ficariam na fronteira do Kwait a mandar beatas para o outro lado.

Sábado, Abril 05, 2003


 
Ouvi uma entrevista do Hans Blix... e o senhor sueco tem toda a razão quando diz:
"É bom que com 200 000 homens e um orçamento de 64 mil biliões de dólares, os EUA encontrem armas de destruição maciça, senão deixa de haver justificação para o ataque ao Iraque. E quanto à possibilidade de o Iraque as vir a utilizar agora que apenas está cercado, é primeiro preciso que o Iraque tenha armas de destruição maciça para as poder eventualmente utilizar."

A verdade é que todos justificam esta guerra (aqueles que a justificam, porque há outros que nem isso) com a necessidade de eliminar o perigo da utilização das armas de destruição maciça por parte do Iraque. E ninguém diz: E se os americanos destruírem o Iraque e não encontrarem armas de destruição maciça? Se responderem a esta questão sem fugir à mesma (e muitos fazem-no) então os meus parabéns: Estão no bom caminho para futuro presidente dos EUA ou primeiro ministro da GB.


 
Fiz o download de alguns mp3 de Mogwai da Internet... (Ilegalidades eu sei, mas não resisti a ouvir antes de comprar). E Fiquei fascinado com o a sonoridade. Percebi porque já actuaram com os Sigur Rós e revelaram-se uma excelente surpresa.

Sexta-feira, Abril 04, 2003


 
As editoras de livros deviam ser todas banidas da sociedade... Isto porque um livro mal impresso não é um livro... É apenas papel. Que nem serve para limpar as partes... Ora acontece que muitas destas ditas editoras pegam nas asneiras que fizeram... os tais livros mal impressos, aos quais faltam páginas, ou que tem o texto torto, e vendem-nos depois como se fossem livros velhos em segunda mão. Atendendo ao preço actual dos livros, é natural que as editoras estejam em crise (embora nunca se tenha publicado tanto como agora), mas daí a aproveitarem-se das feiras de livros em segunda mão ou dos livros manuseados para venderem livros que não são livros porque estão incompletos, é um abuso. É um abuso da confiança dos leitores e é uma má imagem para as próprias editoras. E sempre que isso acontecer essas editoras deviam ser colocadas numa lista negra para que percebam que não podem compensar a falta de rigor e de iniciativa editorial (que se reflecte nas dificuldades financeiras) com a venda de papel por atacado. Isto é um logro.

Aqui fica a primeira editora que pratica esta política de vender o que não é um livro:

A Campo das Letras - Esta editora é uma das que colocou na recente feira do livro manuseado, livros que não são livros, por lhes faltarem páginas, que se encontram em branco.


 
O Emprego do Tempo

Quarta-feira, Abril 02, 2003


 

ESTOU AQUI


Para quem estiver interssado, nomeadamente às pessoas presentes na embaixada americana

Eu também não ando armado e também não gosto de guerra e se quiserem saber, também não concordo com o que os americanos andam a fazer no médio oriente. Por isso se quiserem fazer um posto de controlo ali em frente à embaixada, eu costumo passar lá todos os dias de manhã. Se por acaso pensarem que eu sou uma ameaça, por favor disparem sobre mim.

A propósito das 9 pessoas mortas num posto de controlo no iraque, que se encontravam desarmadas (Quem é que anda a cometer crimes de guerra? E quem é que vai ser julgado por crimes de guerra?)


 
A propósito de Far from Heaven.
Tenho que me deixar disto.


 
Inscrevi-me no BookCrossing e ainda estou a pensar no assunto, como podem confirmar pela minha estante vazia. O Ricardo também está inscrito e anda à procura de bookcrossers na zona dele. Quando tiver um sentimento mais claro quanto a esta situação direi novidades.

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