6H Agridoce - netcast de tecnologia, ciência e internet

Emissão em mp3 sobre Linux, open source, novas tecnologias, exploração espacial e os limites da ciência.

Este blog está agora em sixhat.net. This blog moved to sixhat.net


Segunda-feira, Junho 30, 2003


 

Para eu rever... e quem mais quiser

Ainda não tive tempo para ler tudo, que estou de saida. Mas fica aqui antes de ir para outro lado.


 

Repetindo-me

Estive a ler este post. Foi um dos melhores dias de Junho.

Domingo, Junho 29, 2003


 

Estilos...

Quem utiliza o Mozilla pode agora ver este site com diferentes páginas de estilos. Para os utilizadores do IE eu vou pensar em escrever um script para poderem mudar de estilo... mas não é para já. Paciência..
No Mozilla a forma de o fazer é irem ao menu View e depois Use Style
Para quem utiliza o Opera 7.x pode também ver a página com vários estilos em View e depois Style


 

Leituras...

Tudo o que sonho ou passo,

O que me falha ou finda
É como que um Terraço
Sobre outra coisa ainda.
Essa coisa é que é linda.
Fernando Pessoa

Sábado, Junho 28, 2003


 

O andar da roda

Estado português à beira de condecorar ex-agente da PIDE

E ainda se admiram de que este país seja cada vez mais comparado a uma ditadurazinha?... e que as Fátimas fujam e se digam exiladas políticas?
Pois bem, este é o país onde ex-pides passeiam livremente por Lisboa. Onde Ex-Pides são condecorados pelo estado com ordens de mérito e onde se recusam as mesmas ordens de mérito a pessoas como o poeta moçambicano José Craveirinha. Uma vergonha para a assembleia e para o governo e para o presidente, mais não seja porque em vez de retirarem imediatamente a ordem, todos se remetem ao silêncio do comprometimento.

Quinta-feira, Junho 26, 2003


 

35mm

A comunidade do 35mm está efervescente. Depois de por lá ter encontrado o grenha e o woody, agora encontrei a sandra com uma bela foto de Praga. Talvez eu um dia também lá coloque algumas fotos. Entretanto o grenha disse-me que sábado vai haver um encontro do 35mm em lisboa. Ainda não sei pormenores. Se souber direi..


 

Imaginem a Suiça assim

Café original

Em Londres há um café onde quem passar vai estranhar que lá dentro todos gesticulem tanto. Mas se entrar, vai perceber que afinal ninguém ali está a dsicutir. Os empregados são todos surdos mudos e como tal a única forma de comunicar o seu pedido é através de gestos. A ideia atraiu já muitos clientes surdos e não só, tendo-se encontrando um ponto de discussão sem o tradicional ruído, caracteristico destes estabelecimentos.


 

Bloggers struggle to boost hits

"The writers I like are ones who've pushed all my buttons and got me to think or feel," he said. "I want to be able to do that to people; I want to make them think about things and feel things."

Afinal permiti-me mais um comentário sobre blogs.


 

Leonete Botelho sobre os blogues no Público hoje

Mas do que mais gosto nos blogues é da sua diversidade. Intrínseca e extrínseca. Faz-me acreditar que o futuro é possível sem que tenhamos todos de nos alistar em qualquer coisa, sem que tenhamos todos de ter rótulos redutores, esquerda-direita, homem-mulher, conservadores-liberais, e tantas coisas que tais. Que todos podemos ser constelações improváveis. E seremos, assim, sempre um pouco mais ricos.

E assim não volto a falar de blogues. Acabou-se a conversa sobre eles. Ponto final. Finito. Tou cansado desta polémica.


 

Primeiro balcão

Os caminhos eram escuros, nada se via da janela do comboio. Não havia luz. Apenas ao longe, no monte, se viam as labaredas incandescentes de um fogo. Ouviam-se os sinos de diversas aldeias a chamar à urgência a populaça. Reuniam-se no adro e em grupos de quatro partiam serra acima ao encontro do demónio. Alguns, enquanto caminhavam, apertavam ainda o cinto e o casaco. Eu vira aquele espectáculo todo, junto ao último apeadeiro. Lá havia luz. Mas o comboio não se deteve, afinal era um rápido e não podia parar em todo o lado. Agora circulava por entre campos na negridão completa. Havia luz em diversos compartimentos. Tinham acordado com os sinos. Lá ao longe víamos labaredas a consumir mato, restolho e pinheiros. Viam-se, por vezes, vultos nas bordas do demo. Tentavam travá-lo com terra e com ramos que se incendiavam e provavam a vitória do calor. Daqui, ao longe, não se percebia muito mais. Imaginava-se o demais. Imaginava-se as mulheres a levar leite lá acima para socorrer os intoxicados, imaginava-se as crianças em casa a chorar por terem sido acordadas a meio da noite. Imaginava-se o sacristão preso à corda do sino, a dar ao badalo: dlim, dlão, dlim, dlão. Imaginava-se apenas. Não se sentia o cheiro a queimado, não se sentia o calor na pele nem os pulmões secos, não se via a fuligem na cara dos companheiros nem o terror de ver uma vida de trabalho reduzida a cinzas numa noite de azar.
O comboio seguia pelo vale, rapidamente chegaria a outro destino. As janelas iluminadas seriam os camarotes de outro espectáculo, outras conversas, outras imaginações.


 

Falando de nós.

Devemos falar de nós como se estivéssemos mortos. Para ter a sorte de algum dia parecermos vivos. Ao menos por comparação com essa morte que nunca contemplaremos. Se a contemplássemos saberíamos então o que é “estar morto”. Mas mesmo então não saberíamos o que é ser morto.
Eduardo Lourenço - diário in Pública, n.º364 de 25 de Maio de 2003

Quarta-feira, Junho 25, 2003


 
... E eu trotava atrás deles, como toda a vida fiz, no encalço das pessoas que me interessam, porque as únicas pessoas autênticas, para mim, são as loucas, as que estão loucas por viver, loucas por falar, loucas por serem salvas, desejosas de tudo ao mesmo tempo, as que não bocejam nem dizem nenhum lugar-comum, mas ardem, ardem, ardem como fabulosas grinaldas amarelas de fogo de artifício a explodir,...


 

Ao telefone

Não sei como te sinto. Sinto que não me queres aqui, embora me procures em pensamento. Sei que estavas lá, junto ao portão. Viste-me sair e seguiste. Não paraste. Fiquei à tua espera, pensei que ias dar a volta ao quarteirão. Não voltaste. Fui-me embora. O autocarro não chegou. Sentei-me e esperei. Tu voltaste a passar. Sei que passaste mesmo estando longe. Vi-te. Não percebo porque não paraste. Penso que és um cobarde. Andas perdido e procuras-me. Sim um cobarde, ouviste bem. Falei-te que não és nada sem esse teu ar altivo. Cobarde. Um stocker. Isso é o que tu és. Deviam capar-te. Mas vi-te ali esperando. Estavas ali esperando.
O autocarro partiu. Levantei-me e fui a pé.


 

A Queda









E eu que sou o rei de toda esta incoerência,
Eu próprio turbilhão, anseio por fixá-la
E giro até partir... Mas tudo me resvala
Em bruma e sonolência.

Se acaso em minhas mãos fica um pedaço d’ouro,
Volve-se logo falso... ao longe o arremesso...
Eu morro de desdém em frente de um tesouro,
Morro à mingua, de excesso.

Alteio-me na cor à força de quebranto,
Estendo os braços d’alma – e nem um espasmo venço!...
Peneiro-me na sombra – em nada me condenso...
Agonias de luz eu vibro ainda entanto.

Não me pude vencer, mas posso-me esmagar,
- Vencer às vezes é o mesmo que tombar -
E como inda sou luz, num grande retrocesso,
Em raivas ideais, ascendo até ao fim:
Olho do alto o gelo, ao gelo me arremesso...

.....................................................
Tombei...
E fico só esmagado sobre mim!...


Mário de Sá-Carneiro
Paris, 8 de Maio de 1913

Terça-feira, Junho 24, 2003


 

O andar da roda

O caso do envio de militares da GNR para o Iraque

Não sei qual foi o ministro que ofereceu ao senhor Bush, a colaboração da GNR portuguesa nem sei se eventualmente não foi o Durão quando foi visitar o seu amigo americano, mas não posso deixar de comentar o seguinte:
Quem quer que tenha sido, é um incompetente. E admiro-me que ninguém tenha ainda questionado essa pessoa por esta incompetência. Então agora vamos oferecer os préstimos de uma força policial que não temos? Se a GNR não podia ir para o Iraque porque não tinha os meios para tal, então porque é que o tal ministro foi oferecer o concurso de 120 homens? Só vejo duas razões para o ter feito. Por incompetência, e não saber quais os meios disponíveis aos seus homens, ou então sabendo o estado da GNR, procurou arranjar uma forma de comprar equipamento americano, aliás nosso aliado e que nos ajudou a ganhar a guerra. Ou seja.. lança-se a GNR para a frente, depois diz-se que se vai pedir equipamento à Itália emprestado que nós até tínhamos uns jipes.. mas deixámo-los em Timor. E vamos com os carrinhos italianos para o Iraque. Mas devem ter percebido que cá somos todos maus condutores e era uma vergonha mandar 120 homens com carros emprestados. Então disponibilizaram 5 milhões de euros (1 Milhão de CONTOS) para comprar jipes à pressa. Claro que o dinheiro vai sair do bolso dos contribuintes. E agora já se vai atrasar a ida dos militares, porque ainda não há jipes. É que os Jipes são Hummers americanos, sim coincidência, e ainda não chegaram todos. Ou seja. Ou o ministro é incompetente ou andou a enganar todos e isto é uma processo de comprar armamento ao nosso aliado, se calhar a bom preço porque afinal os americanos estão ao nosso lado na guerra do Iraque. Ora, por incompetência do ministro ou por logro, a pessoa que ofereceu 120 homens desarmados para ir jogar paintball com os 400 mil soldados desempregados do ex-exercito iraquiano, só pode ser demitida, já que ainda o não fez por iniciativa própria.
Será que não há um único jornalista que se tenha lembrado disto?

Segunda-feira, Junho 23, 2003


 
Já não me ria assim há algum tempo.. bem.. desde que fui ver o matrix 2

Sexta-feira, Junho 20, 2003


 

This kiss away it’s me in the process.

Queríamos todos que os nossos ritmos de vida fossem assim sincopados. Infelizmente não são. Uma música de Jazz é só por si muito mais terrível para os sentidos. Somos lentos, tropos em a acompanhar. Temos a mente preguiçosa. Como o calor que nos invade. Ele estava sentado junto ao bar. Falava lentamente. Ouviam-no. Bom sinal. Pensei que devia ser inteligente. Segui os seu movimentos enquanto declamava mais uma poesia para um público distraído. Bebiam, conversavam e por acidente assistam ao espectáculo. Ele continuava à conversa. Também não me ligava muito. Acho que ninguém na sala ouvia o poema. Pobre Buk, faltava talvez a cerveja e o insulto que tanto utilizaste para que te dessem alguma atenção. Mas de repente acelerei o ritmo de leitura e decidi estragar-te um pouco a compostura. Perdi. Continuaram a ignorar-me. Não faz mal, pensei. Afinal acabo mais cedo e vou já embora. Li mais dois ou três poemas. Calmamente. Afinal estavam todos mortos ali. Ninguém ia a lado nenhum. Não havia pressas. Buk era uma dos poucos que me ouvia. Estava sentado a um canto. Nada dizia. Limitava-se a beber. Já tinha pedido dois ou três Whiskys quando se levantou e saiu. Segui-o. Passou pelo outro, junto ao bar, e dirigiu-se às escadas. Até tu? Pensei. Já tinha esgotado uma meia hora de poesia. Achei que era hora de terminar. Talvez ainda estivesse alguém interessante no bar. Ele continuava a falar devagar. Continuavam a ouvi-lo e eu gostei de o ver. Achei que era inteligente. Finalmente terminei. Recebi meia dúzia de aplausos forçados. Desci e dirigi-me ao bar. Quando passei por ele segurou-me um braço e sussurrou-me:

	it

takes
a lot of

desperation

dissatisfaction

and
disillusion

to
write

a
few
good
poems.

it's not
for
everybody

either to

write
it

or even to

read
it.


(Poetry de Charles Bukowski)

Quinta-feira, Junho 19, 2003


 

Gerador de Cores Para Sites



Autores : Kohaistyle


 
ALBA

Enquanto o rouxinol à sua amante

Gorjeia a noite inteira e o dia entrante
Com meu amor observo arfante
Cada flor,
Cada odor,
Até que o vigilante lá da torre
Grite:
«Levanta, patife, sus!
Vê, já reluz
A luz
Depressa, corre,
Que a noite morre...»


Ezra Pound

Quarta-feira, Junho 18, 2003


 


Lembram-se das corridas mais loucas do mundo? Eu adorava esta menina. Andei apaixonado durante muito tempo.


 
não sacar
ei (apesar
da vontade)
uma rosa
contra (indo)
lâminas

quando muito (escolhi-
das armas) rirei
de seu (só) saber de cortes

Marcos de Carvalho
Alfenas/MG-Brasil


 
Casamentos e funerais. Por cada um dos primeiros, há dois dos segundos. Tristes nós, que temos que ir a ambos. Que fazemos nos espaços em branco? Como os preenchemos?

Terça-feira, Junho 17, 2003


 
Alguém veio aqui procurar a origem da palavra agridoce. Ora fica aqui rapidamente a explicação: Agridoce vem de agri + doce. Se o doce não oferece dúvida, já que vem do latim dulce - doce, já o agri poderia vir do latim agru – campo, mas não, vem do latim acre – pontiagudo. Ou seja agridoce é um doce pontiagudo.
Aqui metaforicamente claro...

Segunda-feira, Junho 16, 2003


 
I’ll think no more!

Há coisas que tem dimensões diferente conforme as vemos aqui ou lá. E lá aquilo que está fica gravado na memória. Para lá chegar tem que se andar contra um vento ensurdecedor. Percorrer um km à chuva, vento e granizo. Mas lá tudo muda, tudo fica mais nítido. Aí tudo fica claro. Lá, caminhamos descalços e sem falar vamos para onde nos apetece. Vamos para nós mesmos nos encontrarmos. Estamos na ponta da baia e para trás fica o passado. Nada é importante. Apenas o ribombar do mar. E eles a passar velozmente. Não conseguimos falar. Apenas respirar. E cheirar aquela maresia.

É um vício.

É um degradado ser que ali vai. Que caminha lentamente pelo pontão. Lá estão três garrafas abandonadas. Deitadas, vazias, protegidas do vento pelas rochas. Mais ao longe um pai levou o filho a apanhar mexilhão. Não viu as garrafas. Mas lá as coisas parecem menores. Tudo é rápido, tudo foge. 15 minutos antes ainda aquelas garrafas estariam cheias. E ele estaria sentado nas rochas. Pensando... ouvindo o zumbido crescente em seus ouvidos. Mas tudo isto apenas 15 minutos antes. Uma fracção menor do tempo necessário para lá chegar. Caminhou aquele km lentamente ouvindo o vento, sentindo a areia a penetrar como farpas nas suas pernas desnudadas. Lá ficou gravado na memória, na pedra no mar. Engolido por um delicioso mar calmo de verão. Ruidoso para provocar o esquecimento rápido mas indolor. O mar recebe todos.


 
Lembras-te?

Perfect Skin

i choose my friends only far too well
i'm up on the pavement, they're all down in the cellar
with their government grants and my i.q.
they brought me down to size, academia blues
louise is a girl, i know her well
she's up on the pavement, yes she's a weather girl
and i'm staying up here so i may be undone
she's inappropriate, but then she's much more fun and
when she smiles my way
my eyes go out in vain
she's got perfect skin
shame on you, you've got no sense of grace, shame on me
ah just in case i might come to a conclusion
other than that which is absolutely necessary
and that's perfect skin
louise is the girl with the perfect skin
she says turn on the light, otherwise it can't be seen
she's got cheekbones like geometry and eyes like sin
and she's sexually enlightened by cosmopolitan and
when she smiles my way
my eyes go out in vain
for her perfect skin
yeah that's perfect skin
she takes me down to the basement to look at her slides
of her family life, pretty weird at times
at the age of ten she looked like greta garbo
and i loved her then, but how was she to know that
when she smiles my way
my eyes go out in vain
she's got perfect skin
up eight flights of stairs to her basement flat
pretty confused huh, being shipped around like that
seems we climbed so high now we're down so low
strikes me the moral of this song must be there never has been one


Lloyd Cole and the Commotions

Sábado, Junho 14, 2003


 
asdnvco a

ietoeral
nd assi i
eair sggd
cdn poiea
eevnrsnnd
s eoo aie

Sexta-feira, Junho 13, 2003


 
A última hora

How many times does a man have to cry?
The answer, my friend, is riding in the wind.
The answer is riding in the wind.

Impotência. Quando se abate sobre nós, tudo o resto deixa de ser importante. Spike Lee ascendeu à categoria de "monstro do cinema". Não sei quantas categorias há no cinema, mas Edward Norton enunciou umas quantas ao espelho. Não sei no dia a dia se sente a prisão, quando quase não se vêm policias no filme. E os que se vêm são um casal muito gay, corrupto e fotográfico e os 3 irmãos que prendem Monty. Não sei onde estavam as algemas da sociedade, mas estavam nos cumprimentos do Monty a cada passo que dava. Todos sabiam da fatalidade e da impotência para fugir a essa fatalidade. A personagem pelo menos de alguns libertou-se, seguindo o seu caminho natural. Na impotência de ir para a cadeia, liberta-se das garras da mafia. Monty njão chorou. Mas chora-se no filme. Spike Lee afirma-se Nova Iorquino. A forma como vai buscar o Central Park, para novo ícone da cidade. A forma como Monty passeia pelas ruas e forma como insulta toda Nova Iorque, que no fundo não é mais do que o grande elogio do filme à cidade. Afinal aquilo é o que ainda permanece. O que é inevitável. Este filme é sobre todos os ícones de Nova Iorque, não a do glamour da Broadway, mas dos que vivem e trabalham lá no dia a dia. Dos dealers brancos e ricos ao negros pobres do Harlem, dos junkies, dos iuppies de Wall Street, que mesmo após, se recusam a abandonar o local, dos pseudo intelectuais que andam a comer menores de 18. Dos bombeiros bebedolas, que no bar onde as paredes mostram as fotos dos colegas que ficaram nos escombros, gritam pela sua equipa de basebol, dos russos e dos seus chãs, dos tailandeses, dos ucranianos, dos porto riquenhos, dos dominicanos, dos mexicanos, dos pretos, dos indianos, dos italianos, dos irlandeses, dos iuppies, dos gays, do pai, da namorada, do Doyle:
Que por impotência é salvo e que é o único a ter um papel positivo no filme, para além do próprio Monty, que é servir para que Jacob volte a recuperar uma vida amorosa saudável.
Todos os restantes encontram-se num caminho para a perdição. Todos não. Lembram-se do Fight Club? O iuppie descobriu o seu lado humano. Deixará de precisar da sua bola anti-stress. Perderá dinheiro na correctora. Deixara de viver ao lado do buraco do WTC. Ou então talvez não! Mas não falará. A primeira regra do Fight Club é "não falar do Fight Club". Mas que importa isso?
O tempo destroi tudo!
O tempo carrega o fatalismo de trazer preso o futuro, contra o qual somos impotentes.

Uma nota final: nunca há falta de movimento. Lee quis mostrar uma cidade não fotográfica, uma cidade fervorosa, em diversão. Pessoas que se divertem, que seguem a sua vida normalmente. Pessoas capazes de sorrir e capazes de confiar. Uma cidade cheia de agitação, até nas horas mais inóspitas.

New York Lives! Esta é a sua fatalidade!

25th Hour - Spike Lee - 5/5

Quinta-feira, Junho 12, 2003


 
Teatro Meridional no Noroeste


Esta foi a peça da noite... e que peça... Ainda a digerir...

UPDATE:

Talvez esta peça esteja carregada com o fatalismo do filme de que falo acima. talvez as personagens estejam presas a um presente-passado-futuro... Talvez seja essa impotência o motor gerador da acção e a busca do passado para encontrar o futuro. Reflexão sobre os caminhos que cada um percorre, como percorre e quando percorre. Afinal é uma fatalidade andar em círculos. Andamos todos em busca de qualquer coisa e muitas vezes apenas na origem encontramos.

Quarta-feira, Junho 11, 2003


 
Desde que cheguei a Viana ainda não escrevi um texto em condições.

Terça-feira, Junho 10, 2003


 
Um pudim delicioso com cobertura de chocolate e nozes... hm... soberbo.


 
...and where does the newborn go from here? The net is vast and infinite.
in Ghost in the Shell.

«Quando escrevo no meu diário, ou mesmo sem ser no meu diário (Será que falo do Blog?), muitas vezes faço-o a lápis (pronto, não estou a falar do blog). Isto porque pode um dia alguém querer apagar as minhas palavras da existência e assim terá o processo facilitado. Bastar-lhe-á utilizar a safa (borracha para o sul) para me lançar no esquecimento. Assim não precisará de incorrer em jogos de poder e de política barata. Não precisará denegrir o meu nome na praça pública ou recorrer às injurias pessoais, como as que eu produzo amiúde no meu diário.
Chegou a este ponto da leitura? (pausa de 30 segundos para admiração e para aguçar (afiar, novamente para o sul) o lápis). Admirado por eu não ser perfeitinho e recorrer a processos tão vis, como a injuria e a calunia? Pois é, o meu diário tem que suportar tanta coisa. Mas agora com certeza quer saber se o seu nome é um dos contemplados com as más educações do meu diário. É! É e é e é e é! Se não for numa página será noutra, ou então será certamente depois de me processar. Fico à espera da notificação do tribunal. Mas por aqui já percebeu porque escrevo a lápis.

Ainda há quem me leve a sério? Ah... Azar... Pensam que eu sou ele! Ah.. Azar... Eu sou eu... tenho vida própria.. vontade própria e não permito que um corpo me capture. Sou etéreo, não permaneço. Podia escrever um poema sobre mim, mas aí não estaria a dizer nada a alguns. Estaria apenas a mostrar um poema incompreensível à maioria. Eu sou aqui... O problema é pensarem que eu sou eu. Eu ele ou ela ou it! Ou então nós todos! Quem somos? Somos tu? Nah Certamente não seremos tu? Toma cuidado, um dia serei tu! E deixarás de estar aqui e perceberás a loucura. Mas para onde me leva este caminho?»

Segunda-feira, Junho 09, 2003


 
41º40'.5N - 008º50'.3W

Tinha tanto sobre o que escrever e tenho tão pouco a dizer-vos. O meu caderninho anda sempre tão repleto de pequenas notas que torna-se difícil escolher uma sobre a que falar hoje. A verdade é que não me apetece muito falar. A Guida (uma excelente designer, que recomendo a quem precisar de uma) perguntou-me admirada se eu aqui em Viana também colocava coisas no blog? Pensava que eu apenas o fazia quando estava em Lisboa. E vim para casa a pensar neste assunto. Viana realmente não é um ponto de escrita, antes um posto de escuta. Aqui sente-se e frui-se o passar lento do tempo. As coisas que rabiscamos nos nossos caderninhos darão, eventualmente, algum material bom, mas apenas eventualmente, repito. Em Lisboa olho para trás e transbordo de saudades. Vou vendo o que passa e o que passa sinto devagar. Sinto com redobrado prazer. Um regresso. Mal me sento em Lisboa logo penso quando posso voltar a Viana. Daí à escrita não à hiato. E tudo transborda e grita a minha paixão e o meu desejo por esta cidade.

Para aqueles mais curiosos e mais insatisfeitos com a minha parca descrição dos relatos acima... aqui fica a minha agenda cultural Vianense:
Está a decorrer em Viana o VIII Festeixo - Festival de Teatro do Eixo Atlântico. A programação vai a meio mas aqui fica o que ainda podem ver se por acaso passarem por cá. Eu estarei por lá algumas vezes:

[...]
Dia 9 - Filipe Ferrer - "As Pestanas da Greta Garbo" Texto e dir. de Filipe Ferrer
Dia 10 - Oficina de Malukus - "Lixo Luxo Poético", concepção e dir. de João Ricardo Oliveira
Dia 11 - Teatro Meridional - "Mandau" texto e enc. De Natália Luiza
Dia 13 - Grupo de Dança Pjembe e Grupo Pac - "O Juízo do Povo", dir. José Luís Gravata
Dia 14 - Carlos Mendes e A. Vitorino D'Almeida - "Canções da Broadway"

Local: Teatro Municipal Sá de Miranda. Espectáculos às 22.00 H.
Org.: Teatro do Noroeste e Câmara Municipal de Viana do Castelo

Por outro lado o Café-Teatro apresenta uma série de espectáculos e continua a ser uma excelente alternativa para a noite Vianense. No próximo Sábado os Alla Polacca vão subir a palco às 23h.

Outra das coisas que desejo fazer e ainda não fiz foi comer a tal prometida francesinha. Para já os planos apontam para quarta-feira. Logo se verá.

Outra das coisas que pretendia fazer era também ver o 25th hour que vai estar cá em sessão cineclubista esta semana. Como não vi em Lisboa (eu sei, podem dizer que sou um inculto e que devia ter visto...) talvez vá ver aqui.

E começo a ficar sem muito tempo para fazer estas coisas todas. A ver vamos como consigo conciliar isto tudo. De resto o tempo está excelente e a praia do cabedelo onde ontem fui ver os windsurfers está linda... como sempre. No Sábado à noite fui dar um giro e para minha surpresa encontrei uma reconstituição de um mercado e do quotidiano de Viana do Séc. XVI na zona histórica da cidade. Infelizmente foi só no Sábado e no Domingo. Mas presumo que para o ano haja mais. Entretanto é engraçado verificar o quão enquadrado este evento fica na malha antiga da cidade. É que da igreja matriz à Praça da Erva, pela Rua do Poço abaixo, estava tudo pejado de trajes, sons e cheiros típicos da época, emprestando um colorido estranho, quase alien a toda uma zona histórica. Serviu para nos lembrar que por vezes é fácil esquecer o passado e ficar embrenhado num cyber mundo novo. Quais poetas guerreiros dos novos tempos. Cavaleiros do apocalipse nas suas armaduras reluzentes, estavam ali os originais, o passado. Uma excelente lição de história.

Domingo, Junho 08, 2003


 
Para ver quando voltar a Lisboa e tiver ADSL novamente: as músicas do Daniel Galera no seu projecto PKÔU

Entretanto podem ler o post sobre a curva normal do Marcelo Träsel, sobre blogs...


 
Hoje numa visita por um dos meus regulares, encontrei este meu amigo a participar desta comunidade online que é o 35mm. Gostei das fotos e recomenda-se este moço.

Sábado, Junho 07, 2003


 
Ele passa, dança.

Ela lidera a valsa.
Graciosamente ele acena
Responde. Distrai-se momentaneamente.
[Ajeita o cabelo em caracóis.
Ela foge e ele no encalce.
Abrandam, param.
Trocam olhares furtivos, logo arrancam.
Seguem-se ao longe.
Caminha descalça, de oiro ao sol, bela.
Faz um beicinho de quem está nervoso.
Pregam-se partidas. Jogam à apanhada.
Suspira quando a perde. Logo a segue.
Espera espera. Lá vem ela.
E a dança continua mas logo acaba.
Um último olhar, um último sorrir.
Assim se fica a ver dançar.

Passar a ponte da Arrábida no Porto é ao mesmo tempo um momento de alegria e tristeza. Alegria porque aquele momento fugaz em que se está a olhar lá para baixo para o Douro é das coisas mais belas que se pode imaginar. É triste porque rapidamente acaba e se a tentação de sair ali para o Campo Alegre é grande, a obrigação de seguir viagem é imperativa.


 
Estou de volta a Viana do Castelo. Terra fetiche de meus desejos. Onde todos os perdidos procuram e raramente se encontram, mas onde sabem encontrar caminhos. Aqui estou eu. Sonhos meus que aqui me trazem a cada passo. Sou um dia em cada instante e um instante em cada momento, de sonho em sonho, de caminho em caminho. Hoje sonhei um sonho acordado. Ela. Estava ali à distância de tocar! E eu retraído. Traído pelos meus pensamentos. Em devaneios me deixei andar calmamente. Seguro, pé ante pé, fui até ao bordo da minha cama para ver se realmente estava acordado. Estava. Sim era real. Uma maravilha de sonho. Numa calma sempre conseguida nestes recantos de Viana. Estava a viver o sonho e consegui mais um segredo. E que doce segredo meu, este meu recanto.

Sexta-feira, Junho 06, 2003


 
    epitáfio para o corpo


Aqui jaz um grande poeta.
Nada deixou escrito.
Este silêncio, acredito,
são suas obras completas.

Paulo Leminski


 
Há músicas na vida de uma pessoa que são incontornáveis. Uma delas é sem dúvida a Queda do Império do Vitorino. Hoje por acaso ouvi a música e de repente todo um conjunto de imagens vieram de rompante. Lembro-me de o meu pai nos levar ao fim de semana a casa de um amigo músico. Era uma vivenda numa aldeia ao pé de Viana do Castelo. Enquanto nós íamos jogar uma futebolada na entrada da garagem, os adultos ficavam à conversa. Esse amigo de meu pai adorava Vitorino. Nesses sábados à tarde havia sempre música em alto volume lá em casa. Vitorino apregoava a sua queda do império a vacas e ovelhas e não sei porquê este álbum marcou-me, embora não o entendesse na altura. A mim e a uma geração. Ainda hoje, quando o ouvi arrepiei-me. Há coisas fortes demais. Ainda bem.

Queda do Império


Perguntei ao vento
Onde foi encontrar
Mago sopro encanto
Nau da vela em cruz
Foi nas ondas do mar
Do mundo inteiro
Terras da perdição
Parco império mil almas
Por pau de canela e mazagão

Pata de negreiro
Tira e foge à morte
Que a sorte é de quem
A terra amou
E no peito guardou
Cheiro da mata eterna
Laranja Luanda
Sempre em Flor.

Vitorino

Quinta-feira, Junho 05, 2003


 
Excelente peça sobre o mundo dos blogs e mais concretamente sobre a recente BlogTalk - Muito boa leitura para quem tem Blogs...

Quarta-feira, Junho 04, 2003


 
Lembam-se com certeza do Blog Where is Raed?, que se dizia pertencer a um jovem iraquiano, que durante a guerra conseguiu escrever um diário de guerra a partir de Bagdad? Pois o The Guardian encontrou-o e vai agora publicar crónicas quinzenais deste jovem arquitecto de 29 anos. A primeira já saiu.


 
Agora para coisas mais sérias...

Não deixem de ver o que se passou em Genéva


 
Mais um momento pulp

Autopromoção? Este vai directamente para o caixote do lixo... Mas parece que na alemanha eles até gostam dele...


 
Génio de Harold Bloom
Alguém sabe se este livro já saiu em Portugal?


 
A Palavra F...

Terça-feira, Junho 03, 2003


 
Profecias de um Shakespeare que se perdeu nos caminhos de um cibernético mundo. Perdidos. Organizaram o tempo e o tempo caiu em mim. Fui para além (lá) e depois caí (cá). Laca pala laca pala laca pala. Parecem dizer os inauditos excrementos da sociedade. Um caminho lento.. lentíssimo como qualquer outro caminho. Não há velocidade na verde moto que nos conduz. Ouço cantigas de desdém. Atiro a paços largos as pernas que me seguram, uns centímetros mais para a frente. Pego num livro ao acaso e leio:

Deve-se observar alguma prudência quando se navega contra o vento... pois o vento de popa não trouxe a ponta de um chavo... Esta temporada, as señoritas estão na moda no inferno, mas estou farto de trepar esses Vesúvios palpitantes de pichas estrangeiras.

Claro que o livro não foi ao acaso. Mas a passagem sim. Ou julgo que sim. Mas tudo está confinado a ciclos pré-defínidos e pouca decisão tomaremos sobre o nosso futuro. Qual jogo de computador, podemos sempre voltar ao início. Alienado o futuro, cabe-nos agora alienar o que resta do pouco presente que ainda apercebemos através dos filtros radiosos de nossos olhares ternurentos.
Solto uma gargalhada enquanto olho para o juiz mais uma vez.

(Entram somente sombras na minha tenda quando passa gente entre o acaso e eu.)

Outro livro, outro poeta. Nova vida, novo regresso. Não fugirei ao destino.


 
Chove em Lisboa. E no pó de tijolo de Roland Garros passou mais um dia. O nono. Chove em Lisboa. E a agência espacial europeia lançou a Mars Express. Chove em Lisboa. Mentira, não chove em Lisboa. Faz calor. Um calor desgraçado. Mas podia chover. Não precisávamos de sars para nos sentirmos doentes e impotentes... basta este calor sufocante e os nossos hospitais. Por isso devia chover em Lisboa. Mas devia chover durante 45 dias, mais 5 que os de Noé, um por cada dia de trabalho da semana. E poderíamos testar os nossos sistemas de protecção civil. Porque duvido que as sarjetas estejam limpas e conseguissem escoar toda essa água. Chove em Lisboa. Quero que chova em Lisboa. Ordeno-te que faças chover.

Domingo, Junho 01, 2003


 
ISTO


      Dizem que finjo ou minto
      Tudo o que escrevo. Não.
      Eu simplesmente sinto
      Com a imaginação.
      Não uso o coração.

      Tudo que sonho ou passo,
      O que me falha ou finda,
      É como que um terraço
      Sobre outra cousa ainda.
      Essa coisa é que é linda.

      Por isso escrevo em meio
      Do que não está ao pé,
      Livre do meu enleio,
      Sério do que não é.
      Sentir? Sinta quem lê!

Fernando Pessoa
Ficções do Interlúdio

Arquivos

10.2002   11.2002   12.2002   01.2003   02.2003   03.2003   04.2003   05.2003   06.2003   07.2003   08.2003   09.2003   10.2003   11.2003   12.2003   01.2004   02.2004   03.2004   04.2004   05.2004   06.2004   07.2004   08.2004   09.2004   10.2004   11.2004   12.2004   01.2005   02.2005   03.2005   04.2005   05.2005   06.2005   07.2005   08.2005   09.2005   10.2005   11.2005   12.2005   01.2006   02.2006   03.2006   04.2006   05.2006   06.2006   07.2006   08.2006   09.2006   10.2006   11.2006  

a MACacada - DR Nimages - Linux Fácil - Sixhat Pirate Parts

This page is powered by Blogger. Isn't yours?

Subscrever Mensagens [Atom]