Sixhat Agridoce - netcast de tecnologia, ciência e internet
Emissão em mp3 sobre Linux, open source, novas tecnologias, exploração espacial e os limites da ciência.
Sexta-feira, Outubro 31, 2003
A minha casa nova
Enquanto espero pelos tipos das mudanças, posso dizer que este é o primeiro post colocado a partir da minha casa nova. /yupiee/
Para todos os efeitos a casa ainda tem um ar desolador. O quarto (ainda estou à espera da cama) apenas tem a minha mesa, um banco de cozinha e o meu portátil. E os homens das entregas ainda não chegaram... que desatino.
E já agora, cá fica de
onde estou a colocar este post:
Mozilla/5.0 (X11; U; Linux i686; en-US; rv:1.3) Gecko/20030430 Debian/1.3-5
Quinta-feira, Outubro 30, 2003
tapete de folhas secas e sal
Sentaram-se os dois lado a lado. Sabiam que seriam poucos os que quereriam manter o seu estilo de vida. Sedentarizar-se era a moda. Parar. Ir viver para os arredores de uma qualquer grande cidade. Ser subjugado. Condenar a tribo a ser eternamente marginalizada, pobre e infeliz. Escrava dos ricos, que nunca os aceitariam como iguais. Os ratos do deserto.
"Três chávenas de chá,
a primeira forte como a vida,
a segunda doce como o amor e
a terceira pelo prazer"
Olharam-se uns para os outros enquanto bebiam. Sabiam a tensão que viviam naqueles momentos. Enquanto bebiam o saboroso líquido, avaliavam os seus inimigos e testavam os seus aliados. Tudo em torno daquele tapete tratava de gado, sal e chá. Quem não tivesse gado, não estava ali. Depois havia aqueles que se tinham instalado nas margens das cidades. Muitos tinham trocado algum do gado, pelo negócio do transporte de sal. Tinham para isso desmontado dos camelos e caminhavam agora à sua frente, transportando no dorso do animal 80 quilos de sal. Por tuta e meia. As famílias viviam de volta das tendas. Algumas não conseguiam largar o chão. As camas das casas de tijolo eram muito moles. O chá. O chá era a única coisa que os unia. Os das cidades já nem vestiam os turbantes brancos para a cerimónia. Eram cada vez menos os que ainda acreditavam na comunhão com o deserto. Sentiam ser o fim. Beberam o chá. Olharam de novo em volta. Estavam sozinhos. Os restantes tinham-se levantado no fim do primeiro chá, do forte. Chegaram lado a lado. Ficaram sós. Levantaram-se e caminharam direitos aos camelos. Quando lá chegaram, o homem da esquerda arredou o turbante e disse ao outro:
"
Vai, o chá fez-me azia. Vou com eles para a cidade"
as infinitas utilidades da esforovite
Um gato andava pelo telhado de zinco. Um filme sobre culturas pós modernas pretendia ser o passo final para o gigantesco confronto que se avizinhava. Desembainharam as espadas. Os olhares penetrantes como lanças, foram desviados por um molho de palha que se atravessou na avenida. Mesmo naquele instante em que uma música dos filmes de cowboys começava a ganhar volume. Um novo olhar e pensaríamos que aquele olhar frio tinha a situação controlada. Lentamente, passo ante passo, aproximam-se. Quando finalmente estamos pregados à cadeira, sentindo que a acção vai começar, no preciso momento em que a lamina desembainhada começa a descrever o trajecto mortal sobre o seu inimigo, uma ventania faz tombar a cabeça de esferovite do mau da fita. Todos riem. Vê-se um assistente a correr a colocar o cabeça do inimigo no local. A heroina caiu de cu, por causa da inércia. Cai a noite também e mais um dia passou nas produções inacabadas. Já não há luz para filmar.
Terça-feira, Outubro 28, 2003
Não posso deixar de falar
deste editorial aqui...
Mr. Bush's ignorance may reflect his lack of curiosity: "The best way to get the news," he says, "is from objective sources. And the most objective sources I have are people on my staff." Two words: emperor, clothes.
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Ovo estrelado
Nove vezes fui à fonte. Nove vezes trouxe uma cantara. Nove caminhos percorri e nove passageiros da carreira encontrei. Vi em cada viagem um Deus e um Diabo. Um serviçal e um maestro. Um desenho enjeitado. Caminhei célere, mas perante tanta azafama não me despachei antes do anoitecer. Nove estrelas olhei na via láctea, nove monstros me guiaram. Nove mares naveguei em busca de riquezas e desejei voltar a vê-los a todos. Vi. Saltai senhores que aqui vai o que busca, o que vos atropela os pensamentos. O que vos traz as especiarias e os paramentos. Vi. Saltai, não piseis o ovo estrelado que ficaremos apenas com oito. São nove. Nove vezes fui à fonte. Nove vezes trouxe a cantara. Nove caminhos. Nove. Redondinhos. Ovos estrelados os que calquei.
Segunda-feira, Outubro 27, 2003
Mudando
Estou de mudanças. Esta semana troco o lar doce lar por ... um lar doce lar ... ali para os lados da Paiva Couceiro. Sim, de regresso a Lisboa, 7 anos depois de viver na periferia. Hoje foi dia de comprar uma cama e um guarda fatos. Sempre as coisas imprescindíveis quando se muda de casa. Mudanças. Esta semana mudarei. Na próxima semana estarei instalado. Ainda não definitivamente, mas quase. Estou de mudanças.
Domingo, Outubro 26, 2003
Prólogo
Lars von Trier. Um filme do qual nada sabia. Tirando que tinha perdido em
Cannes.
Kidman,
Bacall,
Skarsgård, alguns dos nomes. Que mais? Que as filmagens tinham sido tortuosas. Com actores a dizer que nunca mais trabalhariam com Lars. Com um filme documentário em género confessionário Big Brother, paralelo ao próprio filme, e...
O Filme
Podia estragar aqui surpresa de irem ver o filme. Sim podia. Falarei apenas que ninguém criticou este filme por causa do orçamento. Posso também dizer que se junta a teoria da relatividade com o desprendimento camiliano por um fim de filme necessário e curto. Tudo filmado com mestria, sem acessórios, apenas com o essencial para o que espectador siga apenas o que se quer contar.
Nicole Kidman
Tenho que ser honesto. Quando a Nicole Kidman se separou do
Tom Cruise e fez o
Moulin Rouge, pensei que não poderia esperar nada mais dela. Que seguiria um caminho vertiginoso de transparência, como o que seguiu a
Gwyneth Paltrow, e se perderia para sempre. Mas a verdade é que não. Agora sem ter a carreira orientada por mr. olhos azuis, a senhora Kidman revela-se a cada olhar uma surpresa. Voltei a ficar fã.
Conclusão
Dogville. É sem dúvida um must see. Mesmo que não se queira, é um must see. De preferência na versão longa. Se nos dão mais 30 minutos de filme, porque não aproveitá-los? E é aqui que acaba o comentário e o filme.
Who is afraid of americans?
Sexta-feira, Outubro 24, 2003
Num artigo de hoje do
NYT, a propósito de uma votação no senado americano, que é um primeiro passo na liberalização das viagens de americanos a cuba, percebe-se bem o porquê da renitência de George Bush(inho) em abrir portas a cuba. Concorde-se ou não com o regime de Fidel Castro, a história provou que o caminho das sanções económicas iniciado por Kennedy em ‘62, mais do que prejudicar o regime, prejudica a população desse regime. E apenas para o presidente americano isto não parece uma evidência, aliás, como a sua política externa tem demonstrado. Acontece que para além da política externa americana ser naturalmente contra o levantamento das sanções a cuba, há também uma razão interna muito forte: A Florida. Isto porque neste estado, residem imensos expatriados cubanos, opositores do regime de Fidel Castro. Embora os estados do Sul pretendam o levantamento das sanções, a fim de estabelecerem laços comercias com cuba, Bush tem medo de perder o apoio precioso dos opositores de Fidel, nas próximas eleições para a presidência americana. Opositores de Fidel, que naturalmente preferem a punição sistemática do regime, mas que se esquecem sobre quem verdadeiramente as sanções incidem.
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Algeria, Benim, Brasil, Roménia e Filipinas!
Qual destes fará alguma diferença contra o poder de veto dos 5 grandes? (Estados Unidos, Russia, China, Reino Unido e França)
Os restantes membros, para quem não sabe são (até ao fim de 2004): Angola, Chile, Alemanha, Paquistão e Espanha
O
Google prepara-se para fazer um leilão de acções na internet, no princípio do próximo ano. Ao contrário de alguns flops de outras dot.com o
google parece ser um investimento seguro. No fundo é sempre uma questão de confiança do mercado. Eu se tiver umas milenas de parte... tavez pense em comprar umas acções do maior motor de busca do mundo.
FDS
Sábado - 2003/10/25
Céu muito nublado, ou encoberto.
Chuva nas regiões do centro e do sul estendendo-se gradualmente às regiões do norte, sendo por vezes forte nas regiões do litoral oeste a sul do Cabo Carvoeiro.
Queda de neve nas terras altas acima dos 1200 metros de altitude.
Condições favoráveis à ocorrência de trovoada, em especial nas regiões do sul.
Vento moderado a forte do quadrante leste, rodando para o quadrante sul. Nas terras altas o vento soprará muito forte de sueste, com rajadas que poderão atingir os 100 km/h.
Pequena subida da temperatura mínima.
Com esta me lixaram o fim de semana. E Domingo não melhora:
Céu geralmente muito nublado.
Vento moderado do quadrante sul, soprando por vezes forte até 50 km/h no litoral oeste a sul do Cabo Carvoeiro. Nas regiões do norte o vento soprará moderado do quadrante leste.
Aguaceiros que poderão ser fortes nas regiões do sul.
Aguaceiros e condições favoráveis à ocorrência de trovoada.
Subida de temperatura.
Quarta-feira, Outubro 22, 2003
O Iraque estava carregadinho de armas de destruição maciça. Tão carregadinho que ninguém da administração Bush até hoje as encontrou. Entretanto a Green Peace entrou no terreno e fez um mapa com a localização de algumas dessas armas. Se calhar as mais mortíferas, as nucleares. Vejam onde estavam
elas escondidas afinal.
from Marco Polo - for Beverley
The desert is said to be so big
that it takes a year to travel its length;
even at the
narrowest point
the crossing lasts a lunar month.
The desert is only
mountains and sand,
valleys and sand
and there's nothing, nothing to eat.
But if you travel a day and a night
in winter,
there is drinking water —
too little water to quench
the thirst of a big company,
but enough
for a hundred or so men
and their retinue of animals.
And so, all the way
through the desert
you must travel
a day and a night
till you find water.
I can tell you that
in three or four places,
the water is bitter and brack;
but at the other watering-holes,
twenty-eight in all,
the water's sweet;
though there are
no beasts or birds
because there's nothing to eat.
But I assure you
that one thing is found there,
a very strange thing,
and this is the truth of it:
When you ride
through the night
of this desert
and you loiter
or doze in the heat
and fall behind
your company
and, coming to,
hurry to catch them
then you hear
spirits talking,
in the voices
of your companions.
Sometimes they seem to call your name,
you leave the path after them,
and and don't come back to it.
Or you may hear the clatter
of a cavalcade of riders
luring you from the road;
and follow them,
and when day breaks
find you are
the victim of illusion.
There are some who,
travelling in this desert,
have seen a band of men approaching
and fled, suspecting robbers,
and gone helplessly astray.
Even by daylight they hear these spirit voices,
or the strains of many instruments,
especially drums
and the clash of arms.
And this is why
travellers tend to stay
very close to one another,
and before they go to sleep
they put up signs which point
in the direction they're heading,
and they fasten little bells
round the necks of all their beasts
so that by listening for the sound
they can keep them from straying.
Well, that's how they cross the desert.
All that discomfort!
And now, let's take our leave of it
and talk of what's on the other side.
de Michael Cope
Terça-feira, Outubro 21, 2003
Recordação de Verão.
Havia um chão. Um belo chão cinzento, carmim?
Caiu no chão aquela pétala perdida.
Foi um destino sem fim. Sem destino nenhum que um dia caminhou por aquela álea. Abraçados, atados. Presos a passados e foram assim caminhando. Um zás trás pum. E caiu o cesto do arroz ao chão e as pétalas de rosas e foi um festim. Eu estava ali para ver o ajuntamento. Atraem-me sempre os ajuntamentos. E pensei. Que raios fazem estes todos de preto. Só os vejo assim em casamentos e funerais, e em nenhum deles eles atiram o arroz à entrada. Mas mais ficou para nossa delicia. Eu e de todos os nossos convivas. Andamos pela escadaria num banquete delicioso. Jamais pensávamos ser possível tal fartura. Talvez só vista no tempo de colheitas, junto das debulhadoras automáticas.
E comemos. Enchemos o papo. Durante uma hora vivemos no paraíso. Depois veio o sacristão com uma vassoura e varreu as escadas. Ainda protestamos, mas que podíamos fazer contra um pau de metro e meio?
Entre plágios se contam as verdades.
Ao ver a
Catarina e o
Rui nestas dissertações fico com a sensação estranha de que o ovo de Colombo afinal não teve assim tanto trabalho para ficar em pé. Não teve, porque afinal percebeu que há sempre muitos lados para o redondo de si e que o estar em pé, não passa da forma como o comilão do explorador olha para ele.
Segunda-feira, Outubro 20, 2003
Viana do Castelo, Portugal -
Manuel Natário, o mestre pasteleiro de Viana do Castelo que
Jorge Amado "transportou" para seu romance
Tocaia Grande, morreu na noite de sábado, aos 78 anos.
Quinta-feira, Outubro 16, 2003
Problemas técnicos
Consegui pendurar o meu windows XP (Como se fosse difícil!) mais uma vez. Desta foi de tal forma que tive que recorrer ao meu belo
knoppix para recuperar os meus documentos todos. No entanto penso que perdi os contactos das pessoas. Como estou ainda a recuperar os dados, não sei até que ponto foram feitos estragos. Se só no OS ou se no resto tb. Por isso vou manter-me pelo Linux e só depois decidirei que porra (leia-se OS da
M$) instalarei no portátil. Até lá estarei em contenção de palavras por aqui.
Quarta-feira, Outubro 15, 2003
Fausto
Entrei em casa a ouvir o "Por este rio acima" do Fausto. Não sei bem porquê, foi um momento excepcional neste dia cinzento. Estava cansado. Acabara de chegar da rua de um dia onde nada de novo houve. Onde o ciclo volta a mostrar-se desinteressante . Onde não se avança. Tudo permanece. Mas ele parte.
O barco vai de saída
Adeus ó cais de Alfama
Se agora vou de partida
Levo-te comigo ó cana verde
Lembra-te de mim ó meu amor
Lembra-te de mim nesta aventura
P´ra lá da loucura
P´ra lá do Equador
Hoje, pela 1:00 da manhã, a china tornou-se no terceiro país a conseguir colocar um homem no espaço. 50 anos depois da corrida ter começado furiosamente, só agora há um terceiro concorrente com capacidade de colocar homens em órbita. E como em tudo na vida, 2 é um casamento, 3 é concorrência. Pode ser que com este novo passo, a corrida à exploração espacial conheça novos desenvolvimentos e possamos assistir a algum novo empolgamento com a exploração dos limites para além dos limites.
Quanto ao taikonauta, nome dado pelos chineses aos seus exploradores do espaço, chama-se
Yang Liwei e entrará para a história depois de
Yuri Gagarin e de
Alan Shepard.
Terça-feira, Outubro 14, 2003
Presidente Khatami desvaloriza atribuição do Nobel da Paz a Shirin Ebadi
"O Nobel da Paz não é muito importante; os que contam são os prémios científicos e literários", postulou o Presidente reformista iraniano.
Ninguém estaria à espera que o presidente do Irão ficasse muito contente com o atribuição do
Nobel da paz à sua conterrânea, daí que a reacção de parca felicidade não seja estranha. Contudo é de realçar a anterior frase, onde para o presidente Khatami, o que importa são os prémios científicos e literários. Ora os prémios literários são aqueles que levaram o irão a condenar escritores à morte. Bem. Como os da paz são menos importantes, presume-se que Shirin Ebadi esteja em segurança. Isto apesar dos sorrisos amarelos do presidente Khatami.
Segunda-feira, Outubro 13, 2003
Danças Ciganas
Dançam ciganas esta noite na floresta. Chegam sombras dessas danças à aldeia. Dançam ciganas esta noite na floresta. Chegam gritos ao adro da igreja. Dançam mulheres ao som de flauta na floresta. Chegam luzes aos vinhedos da aldeia. Dançam na floresta. Na aldeia os homens dormem.
Sábado, Outubro 11, 2003

18 | 19 | 20 de Outubro
A Medeia Filmes vai organizar
OS DIAS DA ANIMAÇÃO, uma mostra de animação nacional e internacional que irá contar com uma RETROSPECTIVA DA
AARDMAN, uma das mais inventivas e visionárias produtoras de animação fundada em 1972, por David Sproxton e Peter Lord e famosa pelas animações da dupla
Wallace & Gromit; com três sessões organizadas pelo festival
Cinanima - PREMIADOS DO
CINANIMA (em antecipação ao festival que se vai realizar em Novembro) -e que junta algumas das curtas premiadas e que mais impacto tiveram nas últimas edições do festival e ainda uma selecção de ANIMAÇÕES PORTUGUESAS RECENTES e que conta com a música ao vivo dos
ELEPHANTS TERRIBLES a abrilhantar o início da sessão portuguesa e mais especialmente a antestreia nacional de uma média metragem...
Sexta-feira, Outubro 10, 2003
Está a decorrer o Festival de BD na AMADORA. Incluido no festival, o Centro Nacional de Banda Desenhada e Imagem (CNBDI) apresenta, entre os dias 26 de Junho e 21 de Novembro, uma exposição dedicada à história do Cinema de Animação em Portugal. Destaca-se a exibição de filmes de animação, como "
A Suspeita", "
A Sopa Fria" ou "
Os Salteadores", e ainda a mostra de diversos cenários e bonecos utilizados na concepção dos filmes. A não perder.
UPDATE: Não posso confirmar se
Os salteadores estão em exibição. Os restantes estão.
Quinta-feira, Outubro 09, 2003
Pilla desenhou. De relance vale a pena explorar.
Escrita Justaposta
Novo dia. Tanto para falar. O país a braços com uma crise. Um livro que quero comprar custa 9 contos. Uma amiga... as melhoras rápidas. E fico a pensar. Para que serve afinal isto tudo? Para que raio serve isto tudo afinal? Se não é para quando estamos aqui. Se não serve para nada. Se serve para apenas nos culparmos uns aos outros, então atiremos tudo para as urtigas. Sim. Para as urtigas. Gosto desta expressão. Mandar à fava e atirar as ditas (das quais não gosto) às amigas urtigas. Serve para aliviar, da mesma forma que serve para partir um prato. Ou um copo. Também serve mas é menos elegante. Na discussão furiosa de ter por casa, um prato dá sempre imenso jeito. Alguém tem algum prato aí à mão de me emprestar? Pode ser mesmo um prato raso. Um de sopa era melhor, mas não estando disponível... E já agora se tivesse um risquinho azul, sempre dava aquele toque de malvadez. Fui. Voltei 50 mil vezes. Ouço vozes. Vozes? Que vozes? Os demónios de Laplace. Talvez! Sim algo me sussurra ao ouvido novas de longe. Que raio farão estes demónios sem obsessão? Que raio faremos todos nós que passamos a vida a tentar expeli-los de dentro de nós. Nozes? Diriam alguns noses, com s. Mas noses e nozes são coisas diferentes. Mas serão assim tanto? Um é um fruto seco, gordo e énrugado O outro é o fruto da nogueira. Nada mau. Chalaceio eu hoje com a futilidade da palavra. Afinal que tanto encanto com a palavra. Diria ela! Ou então que raio serei eu sem ela. Queria sem dúvida dizer que afinal o mundo passa muito devagar. Muita explicação a dar. Amo-vos a todos como se fossem o meu primeiro amor. É verdade. Este monologo é chato? A porta do fundo é ali.
(Espero 10 segundos, talvez 3 apenas, mas espero)
Então? Ninguém sai? Que raio tenho que aturar agora que estou cerzindo meus botões? Deixem-me, vou partir. Abandonarei o cerco e buscarei novas conquistas? Nunca. A guerra ganharei. Brizida Vaz. Bas aonde? Escrevi sem regra. Sem sentido, apenas sentindo que há palavras que as palavras não dizem. Que há coisas mais importantes que o tempo. Que há lembranças mais eternas que o lodo em que o dia a dia nos faz chafurdar. Eternamente teu presente ausente. Permanentemente fiel. (Como o bacalhau)
Visitei um destes dias o
centro de ciência viva da amadora. Foi como visitar um filho. Em parte porque fiz parte do projecto, porque há lá muito trabalho efectuado por mim, mas como visitar um filho, porque a dada altura o filho cresceu sozinho e é hoje diferente daquilo que foi por mim deixado. Mas estão lá os genes. Notam-se ainda os meus passados. Se quiserem fazer um pai babado, visitem o centro de ciência viva da amadora (
ccva). Fica na casa
Aprígio Gomes.
Quarta-feira, Outubro 08, 2003
Questões pessoais.
Tenho escrito menos. É verdade.
Terça-feira, Outubro 07, 2003
Feira do Livro no Mercado da Ribeira
Esta feira está a decorrer e visitei-a hoje. A condição para os livros serem lá colocados é que tenham pelo menos 18 meses sobre a data de edição e o desconto seja pelo menos superior a 50% ao preço de capa. Boa ideia diria eu, não fosse...
1. Comprei um livro, “
A Erva Vermelha” do
Boris Vian, cujo preço de capa era 2365$00 e cujo preço de feira foi de 7,5€. Façam as contas.
2. Vi à venda o Poemario deste ano. Não sei se a edição terá já mais de 18 meses, mas fazendo as contas, teria que ter sido editado em abril de 2002.
Segunda-feira, Outubro 06, 2003
Ronda das mafarricas
Música:
Zeca Afonso
Letra:
António Quadros (Pintor)
Intérprete:
Zeca Afonso
Estavam todas juntas
Quatrocentas bruxas
À espera À espera
À espera da lua cheia
Estavam todas juntas
Veio um chibo velho
Dançar no adro
Alguém morreu
Arlindo coveiro
Com a tua marreca
Leva-me primeiro
Para a cova aberta
Arlindo Arlindo
Bailador das fadas
Vai ao pé coxinho
Cava-me a morada
Arlindo coveiro
Cava-me a morada
Fecha-me o jazigo
Quero campa rasa
Arlindo Arlindo
Bailador das fadas
Vai ao pé coxinho
Cava-me a morada
Da leitura #2
Habituar-se a gente a viver com ideias simples é como habituar-se a andar com fatos velhos e rotos. Indigna os outros. De forma que tem de se viver arredado.
Raúl Brandão
Da leitura #1
Porque é que a água, até o mais humilde charco, atrai e faz sonhar os homens contemplativos?
Raúl Brandão
Michael Moore está de volta, aos
livros, e desta vez o alvo preferido é naturalmente o presidente americano. E Michael Moore ataca, depois de ter efectuado as suas pesquisas, faz 7 questões que ficam por responder. E que mais uma vez mostram que o mundo não é o que o senhor Bush quer fazer parecer. Ou pelo menos que ainda há quem pense por si, por muito que haja quem queira que todos sejamos cordeirinhos.
Quinta-feira, Outubro 02, 2003
Infelizmente acabou. Foi o fim de uma viagem. Infelizmente. Acabou. Com toda a pena daqueles que a deixam partir. Que a sentem a dor de o ter ali à mão da leitura. De sentir que afinal havia alguém que criticava e escrevia com qualidade. Afinal partiu também, sete anos depois. Liberta-se da escravidão da máquina de escrever e parte para o e-terno ciberespaço. Obrigado NON! Obrigado ZonaNon!
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