6H Agridoce - netcast de tecnologia, ciência e internet

Emissão em mp3 sobre Linux, open source, novas tecnologias, exploração espacial e os limites da ciência.

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Domingo, Novembro 30, 2003


 

Inverno

Não sei se este será, mas pelo menos parece ser, um dos mais frios invernos de que me lembro! Bom para ficar em casa, junto de uma lareira. Junto de pequenas coisas que nos encham a alma. Hibernamos. Esperamos que o vento deixe de gelar as orelhas. Já nem as castanhas quentes, que agora estão mais caras, nos confortam. Que raio de tempo. E maldito pingo no nariz, que me persegue neste frio.

Quinta-feira, Novembro 27, 2003


 

Tim Tim Por Tim Tim

Ouvi hoje de manhã no carro...

(Aroldo Barbosa e Geraldo Jacques)

Int.:
Você tem que dar, tem que dar
O que prometeu meu bem
Mande o meu anel que de volta
Eu lhe mando o seu também
Mande a carta em que eu dizia
O amor não tem fim
Que eu lhe mando outra explicando tim tim por tim tim
Você tem que devolver
O que era meu, bem meu
Mande meu retrato e ponha outro em seu lugar
Morreu um rei, salve o rei que vai chegar
Não sei sofrer, não sei chorar
Eu sei me conformar

Gilberto Gil canta.

Quarta-feira, Novembro 26, 2003


 

Simplicidade

Amanhã faço anos. Sim, podem-me desejar um feliz aniversário, se assim o quiserem. Como faço anos, decidi dar-me ao trabalho e assinalar o dia no blog com uma mudança de layout. O aspecto “portal” desapareceu, os links ou evaporaram-se, ou foram enviados lá para o fundo. Eliminei quase tudo o que havia no layout antigo.
Porquê? Porque sim. Porque estava cansado. Porque precisava de simplicidade. E este é o novo conceito deste layout. Simplicidade. Para quem quiser saber mais de mim vai ter que procurar nos arquivos, procurar na net, noutras paragens, noutros caminhos. O que aqui fica é apenas o que vou colocando dia a dia, momento a momento, sem outras interacções. Sem distracções. Mais frontal, mais compatível (não me esqueci dos ecrãs 800x600) e mais meu. Menos abrangente talvez, mas é o layout que eu precisava neste momento.

Segunda-feira, Novembro 24, 2003


 

Todos os anos é a mesma coisa

Peguei na minha Smith-Corona com vontade de escrever. Carreguei papel e olhei a folha em branco. Comecei a carregar nas teclas ao calhas. Mesmo que não fosse nada de especial. Queria apenas escrever alguma coisa. Eu sei que não tenho escrito muito. Não tenho falado muito de mim, das minhas paranóias ou dos meus desejos. A verdade é que durante algum tempo tenho deixado de transmitir. Parei, como se a fonte secasse. Não é um processo novo. Nada disso. De vez em quando acontece. Perdemos a vontade de ler, escrever ou contar seja o que for. Nessa altura prepara-se um novo layout e tenta-se esperar por melhores dias. Acontece que esta meia crise tem uma razão especial: O meu aniversário que se aproxima. Não sei se é a consciência de uma idade avançada... (dei por mim a colocar no CD um albúm de Culture Club. Alguém se lembra? ) ou se do tempo outonal que se tem verificado. Da janela da minha casa nova, todas as manhãs tenho visto o circo ali montado, a anunciar Natal e festas e criancinhas e prendinhas... Não é mau, não senhor. Só que eu sei que para o Natal tenho que atravessar o doloroso aniversário. E por cima da tenda está um espesso nevoeiro. Até já o fotografei para me distrair. Até hoje não percebi porque não sou fã de fazer anos. E nestes ... ainda não consegui perceber. Alguma sugestão? Alguém sabe?

Domingo, Novembro 23, 2003


 

Kill Bill

Ser uma coisa evidente é ficar reduzido a quase nada.
Teixeira de Pascoaes

A busca é algo que tempos sempre que ponderar. Porque a apresentação de resultados durante a busca é perigosa e por vezes maligna de nossos intentos. Buscamos? O que buscamos? Seremos sempre mais um pouco? Poderemos caminhar sempre na fronteira entre o nada e a genialidade? Talvez alguns consigam. Outros terão sempre uma enorme dificuldade. Para Tarantino é como andar ou respirar.
Tarantino voltou a exceder-se em Kill Bill. Pelo menos na primeira parte do filme, que a segunda só lá para a Primavera... Ao ver o filme, em que os truques analépticos não foram escondidos, antes demonstrados, fiquei com essa sensação: No quase nada “escondido” ficou a genialidade do revelado. Tarantino é um mestre a filmar. Fá-lo como ninguém, com um controlo absoluto do ritmo, percepção, cor, composição e demonstra a cada frame ser um a enciclopédia sem fundo do cinema mundial. Kill Bill apenas tem o defeito de ser um filme em duas partes, por imposição da Miramax. Mas até nessa questão Tarantino foi pragmático. “to be continued” revela que o filme não acabou. Apenas teremos que fazer um intervalo de alguns meses. Se eu era já admirador do estilo, mais fiquei. Aguardo a segunda parte...

Sábado, Novembro 22, 2003


 

Rugby, Taça do Mundo


E a Inglaterra venceu. 17-20, após prolongamento. Emocionante e a taça vem para a Europa.

Sexta-feira, Novembro 21, 2003


 

India Song


A minha vida é a minha morte.
A sorte é a minha sina. A sina que traz a morte. A Minha morte. O meu passear e a minha inanição. Fico ou parto? Eventualmente todos se acabam por habituar. Todos. Mesmo os que rejeitam. Mesmo os que nunca dirão que se habituarão. Viverão no estertor, no fedor daquele rio, serão engolidos pelo Ganges e ficarão estáticos sem o passar do tempo. Apenas com o passar dos braços. Presos à teia do delta. Presos à India. Presos a ela.

Quarta-feira, Novembro 19, 2003


 

Realidades

A propósito de todos quantos utilizam a tecnologia:
Uma boa fotografia depende do fotografo, mais do que um motor depende do óleo.
Na parede da oficina onde fui levar o meu carro para uma mudança de... óleo, claro.
Foi pena não ter comigo a minha maquina.


 

Aplauso, apesar do atraso.

Sem qualquer peia de nenhum lobby, a China decidiu apertar o cinto aos construtores automóveis. Vão passar a existir limites ao consumo de combustível derivado do petróleo. A China, que de auto-suficiente, passou a dependente de petróleo, pretende assim iniciar uma política que levará no futuro à utilização de veículos híbridos. Um must dos próximos anos.

login:[sixhat] pass:[sixhat]

[Outros links]
www.commutercars.com

Segunda-feira, Novembro 17, 2003


 

Taça do Mundo de Rugby

E a França também ficou pelo caminho... A Inglaterra vai juntar-se à Austrália na final.

Sábado, Novembro 15, 2003


 

Taça do Mundo de Rugby


O Taça do mundo de Rugby está a chegar ao seu auge. Uma das equipas que já conquistou um lugar na final, foi a poderosa Austrália (detentora do título), que venceu a não menos poderosa Nova Zelândia (grande favorita deste ano) na meia final por uns expressivos 22-10. A outra semi-final (amanhã às 9h), opõe a França contra a toda poderosa Inglaterra, de quem muitos esperam que possa fazer frente à Austrália e possa trazer de novo o título para a Europa.




Terça-feira, Novembro 11, 2003


 

Lembrança de Adriano

Imponho a mim alguns ritmos, senão parto. Imponho a mim algumas condições senão cedo. Senão não vos escrevo e não serei eu aqui. Serei falso e apenas uma ilusão de outras coisas. Uma farsa. Uma tragédia. Uma peça em quatro actos, porque o velório da minha vida assim o exige. Um paço de cada vez. Um desejo. Um xadrez sempre mal jogado. Sempre disfarçado. Cansei-me de iludir. Vou descer do cavalo. Procurar meu aio e vou comer. Tenho fome. E vou comer sentado junto da fogueira, que tenho frio. E vou agasalhar-me, que sinto a chuva. E vou apoiar-me numa pedra ao levantar-me, que estou velho e cansado.

Corre o pano.

(Fim)

Domingo, Novembro 09, 2003


 

Num Tapete de Água

Não podia dormir ainda. Estava a olhar para o céu. Via uma lua a ser consumida pelo cansaço como eu. Aos poucos ia sendo “ratada”, como diria a minha mãe. Ia, vinha, voltava a ir, queria cair nos meus ombros com o seu luar. Queria destruir os meus desejos, queria subir a uma montanha e atirá-los de lá à lua. Mas a lua nunca percebeu completamente o meu caminho. E nunca estava lá quando eu chegava alto.
Outras vezes deixava-me apenas a dormir e não pensava em nada. Ficava apenas de papo para o ar em cima do colchão e quando acordava, ia ao banho.


 

Matrix Revolutions

Que dizer do 3? Aquilo que todos disseram já? Melhor que o 2? Pior que o 1?
Naturalmente. Apenas isso? Valerá o M3 mais alguma coisa do que dar um fim condigno a uma série que a dada altura parecia cair num risível pranto? Valerá a pena gastar 5 euros por aquilo? Talvez. Talvez. Depois do fiasco do M2.... Provou-se neste M3 que o M2 nunca devia ter existido. O M2 foi um filme que apenas serviu para gerar dinheiro. E nota-se que andaram perdidos,os realizadores do filme, ao sabor da máquina do cinema:
1. Monica Bellucci, bela como sempre, perfeita como sempre, tem 1 minuto de cena? Nem isso. Acho que diz apenas uma frase. Depois do papel importante do 2, que raio se terá passado nos testes de público alvo?
2. Carrie-Anne Moss, bela, não como antes, mas bela. Que raio de morte lhe foram arranjar. Já tinha visto mortes lentas. Mas esta, foi agonizante para nós termos que esperar tanto tempo a vê-la morrer.
3. O fim, o fim Dragon Ball. Que fim, prova-se mais uma vez que a nível de efeitos especiais há cada vez menos para inventar. Pelo menos no rumo que o cinema está a tomar actualmente.
4. Laurence Fishburn, por algum motivo a sua personagem, de forte, decidida e omnipresente no filme 1, passou a um quase subalterno, palerma e desacreditado por todos, nos filmes 2 e 3. Não se percebe esta viragem. Morpheus é no M1. Nos outros arrasta-se.
5. Zion, Zion é uma miragem de tansos. De prisioneiros.
6. O Sol, os humanos na sua esperteza, conseguem lançar uma nave espacial para cima da camada de nuvens espessas, e conseguem ver o sol. As máquinas, que são quem depende dele, não conseguem perceber que o sol está ali ao pé e preferem continuar a utilizar humanos como fonte de energia? Muito barata é a vida humana (perdão, energia solar). Por outro lado, a energia dos humanos? De onde vem?
i. Se vem de humanos, no fundo os humanos estão a ser canibais.
ii. Se vem de uma fonte alternativa, então porque não a descobriram as máquinas?
7. Por fim, a chachada do cristo salvador, do homem com uma missão, crente, descrente, frágil, milagroso, ressuscitado. Keanu Reaves. Mau actor como sempre. Diz-se como piada, que a cegueira e consequente venda, foi um truque para se conseguir disfarçar o facto de ele não saber representar e na cena da morte da Trinity, toda a gente no plateu se rir das carancas que ele fazia para tentar convencer que estava a chorar. Colocou-se uma venda, e arranjou-se um plot para ela, afinal aquele Bane/Smith esteve lá para quê?
8. Por fim, é certo que vai haver mais um Matrix, ou numa senda Star Wars, mais 3. Não será no próximo Natal. Provavelmente nem no de 2005. Mas acredito que em 2006 Keanu e os irmãos Wachowski voltem à carga.
9. Agora é que é mesmo o fim, porque tudo o que tem um princípio tem eventualmente que ter um fim: Ir ver? Ou não ir ver. Sim, vale a pena ver. Vale os 5 euros? Não. Não vale. No final dependerá da carteira de cada um.

Quarta-feira, Novembro 05, 2003


 

Palavras para quê?

Um de estes dias em que esteja para aqui a ler alguma poesia, ouvindo a música dos Gianoukas Papoulas, e pensando que raio vou escrever neste blog, que segundo parece é(?) de literatura(ai sim?) do Rodrigues, David de seu nome. Gajo que tem a mania de usar o nick sixhat, seja lá isso o que for. E tem também a mania de citar o al berto. Pensa ele que pode colocar aqui no blogspot tudo o que lhe vai na real gana. Ora acontece que a receita para isso não é colocar fotos do Milan Kundera, mas antes... voltando ao Al Berto:

Al Berto, pseudónimo de Alberto Raposo Pidwell Tavares (1948-1997), nasceu em Coimbra e faleceu em Lisboa. Nas primeiras obras poéticas, Al Berto seguiu de perto a linha surrealista, especialmente a que emana de Herbeto Hélder. Posteriormente, funde a poesia na prosa, criando uma espécie de deambulações fragmentárias. Foi distinguido em 1988 com Prémio Pen Club de Poesia pela obra O Medo.


 

Passeio ao Campo

No outro dia vi B. estava sentado junto à confluência daquelas paredes. Aliás, esquina. Esperava-me há dois meses. Nessa esquina existia um orifício muito pequeno que só nós dois conhecíamos. Dentro dele havia uma chave. B. pegou nela e limpou-lhe o pó. Depois estendeu-a para mim. Peguei-lhe e guardei-a no bolso.
Não íamos a Portugal, a casa dos nossos pais, há exactamente um ano e dois meses. Eu estive fora. Estivemos ambos. Mas eu atrasei o meu regresso. Desde que fecháramos a casa, nunca mais pensei em voltar a Lisboa. Vivia longe do país. Longe da identidade nacional. Para sobreviver. Para não pensar na tristeza.
B. telefonou um dia de tarde. Perto do lusco-fusco da tardinha. Estava nesse preciso momento a orientar a perfuração de poço e ainda tinha mais umas horas pela frente. Um ano depois voltava a ouvir falar de Portugal. Era B. quem me lembrava a minha identidade. Aquela que quase esquecera nas noites de trabalho à luz dos queimadores de gás. Sim, voltarei. Daqui a dois meses, disse.
Deixei 500 contos na mesa da sala. Saí e não olhei para trás. Deixei também a chave na porta e um bilhete dizendo que voltava para o petróleo. B. meu irmão, queria que eu entrasse num negócio com ele. Não podia. Não era já irmão dele. Ele era poeta, nada percebia de negócios. Andava sempre falido, por botequins e tabernas. Bebia absinto para esquecer, dizia que para ter inspiração. Deixei o dinheiro e fugi novamente. Tinha voo dali a duas horas.

Terça-feira, Novembro 04, 2003


 

A Pequena Cidade

Um dia quis ter um império. Sim, um grande império. Queria ser ditador e déspota. Queria poder mandar cortar a cabeça aos meus súbditos ao ritmo da chuva que caísse no pátio da cidade proibida. Queria. Deu-me para aquilo naquele dia.
Naquele tempo (e eu ainda sou do tempo em que... ) comprava-se tudo na drogaria do mercado. Eu na minha ingenuidade fui lá e perguntei ao lojista se por acaso não tinha nenhum império para vender. Incrédulo, olhou, riu-se e por fim lá me disse que não. Que tinha esgotado o último há 15 minutos. Por 15 minutos não consegui comprar o meu império. Houve alguém que o fez antes de mim. Por isso hoje, que apenas sou presidente de câmara (diga-se, dá menos trabalho e sou igualmente ditador), gosto muito de chegar a horas. Pode ser que um dia volte a encontrar o império. Pode ser.
- Acorde senhor. Olhe que vai chover. Abrigue-se.
- Onde se abriga um sem abrigo, senhora? Deixe chover, que enquanto chove eu vou cortando cabeças.

Segunda-feira, Novembro 03, 2003


 

Meditação em tempo de guerra

Encostei a caneta a um canto. Disse que não queria mais viver entrincheirado. Que ia levantar a cabeça. Tirei o meu capacete.
- Põe lá isso, pá. Queres levar um balázio nos cornos? - Disse o sargento.
- Não, mas se é para morrer ao menos morro de pé.
Apoiei as mãos nos joelhos e ergui-me. Acho que nem cheguei a erguer-me complemente. Ainda a meio caminho da posição vertical, levei com uma cítrica, e outra, e mais duas cruzadas. Enfim, deitaram-me ao chão novamente. Diz o sargento:
- Eles não percebem nada disto, mas são muitos e atiram a tudo o que mexe. Mas deixa-os gastar munições.
E assim foi. Deixei-me ficar sentado na trincheira. Mais um Inverno. Na Primavera voltaria a levantar-me.

Domingo, Novembro 02, 2003


 

Quero uma vida em forma de espinha

Sou serviçal de cavalariça. Sou de meu amo um louvado empregado. Dedicado, sou leve quando monto e caço como ninguém. Serviçal, sempre pronto, sempre atarefado. Sou o moço de estrebaria. Sou o encarregado. Um dia caminhei a seu lado e fui eu quem lhe preparou a carne da caça.
Este ano, passarei o Natal sozinho.
Ontem passou aqui um mercador ambulante. Não voltará a passar por aqui antes do próximo Verão.
Comprei cianeto.

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