6H Agridoce - netcast de tecnologia, ciência e internet

Emissão em mp3 sobre Linux, open source, novas tecnologias, exploração espacial e os limites da ciência.

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Quarta-feira, Dezembro 31, 2003


 

De Saída

Falta pouco para daqui a pouco. Ou seja. O pouco que falta, não leva a nada de novo. Apenas a logo e logo é já tão perto. Pouco a pouco tudo fecha e pouco a pouco o logo fica agora e apenas esperamos que o passado não tenha passado depressa demais . Bom ano para todos.


 

Num Álbum

Como talvez nos muros em ruínas
Que formam as paredes do meu quarto,
Da minha avenida luzidia.
De alvenaria sempre derrocada.

Fui. Passo ante passo. Vi-te no quarto. Vi-te lá escondida onde o lustre apaga os gestos e as sombras cortam os silêncios. Esperei um momento. Dois talvez. Saíste apressada como me ignorando. Procurando outros pontos de apoio, o braço dele. O cigarro enrolado. O carro de porta aberta. Deitava já as labaredas e inundava o ar de ruído. Voltaste-te.

«O teu filho? Sei lá do teu filho.»

As fotografias estendiam-se pela rua. O álbum escaqueirado jazia e a chuva começava a comê-lo. Na janela do quarto a luz apagava-se. Acabavam as sombras, os silêncios. Apenas a escuridão era presente e todos olhavam para o lado.

Voltei à janela.

«Aqui está o teu filho. Toma»

Terça-feira, Dezembro 30, 2003


 

F

Celeste. A passagem para a outra banda é um caminho curto. De centros e desencontros e desfeitas miraculosas e caminhos despedaçados. E tudo não é mais que um movimento de pulso. Uma escadaria íngreme em caracol. Um recanto escuro onde o fumo bafiento nos entra pêlos poros do corpo. Azul. Assim é a manhã.


 

Inferno



Estou a escrever directamente do inferno. Sim de um dantesco inferno. Posso contudo dizer que aqui faz frio e a menos que tragam alguns cobertores, e já agora alguns filmes eróticos, isto não tem metade da piada que se podia imaginar.

Segunda-feira, Dezembro 29, 2003


 

De volta

Mas apenas logo à noite. Ou seja... Ainda a caminho... Ou seja... nada de novo para dizer.

Domingo, Dezembro 28, 2003


 

O Jantar de Cabidela

Em Maio deste ano, falei de um jantar, que pontualmente vamos fazendo. A nossa visita ao arroz de cabidela é pontual por causa das distâncias, mas sempre desejada. Agora foi vez de juntarmos mais duas pessoas, que por essa altura não estiveram presentes e lá partimos para mais um repasto. No mesmo sitio, com o mesmo ambiente e com a mesma qualidade na comida. Reviram-se os amigos de longa data, contaram-se novidades, conviveu-se, desejaram-se as maiores das felicidades e ficou-se desde já com saudades do próximo jantar. Mesmo tendo passado parte do jantar à luz de velas, que lá fora estava uma borrasca descomunal, saboreamos com imenso prazer o sossego e ambiente familiar com que somos tratados.

Vim deste jantar muito satisfeito. Verdadeiramente satisfeito. Porque este jantar é a constatação de uma verdade que temos dentro de nós. A de que independentemente dos anos passarem, do tempo nos levar por caminhos diferentes, continuamos a gostar dos nossos amigos. Acho que poucas vezes lhes disse isto directamente. Talvez por pensar que eles o sabem intrinsecamente. Mas aqui fica o meu testemunho. Gosto verdadeiramente deles. Hoje, ficaram a saber que tenho uns sites por aí, e talvez algum dia, algum passe por aqui. E se passar queria mesmo dizer-lhe que gosto verdadeiramente dele, mesmo estando tanto tempo longe, estando tanto tempo sem falar, sem telefonar ou sem dizer "água vai".

Com o passar do tempo, com a gravidez do J. e da R., com o casamento do F. e da T., com a D. e o N. felizes, sinto o tempo a passar. Sinto-me bem como estou, embora tenha que reconhecer por vezes alguma inveja, natural, claro. Mas sinto-me bem com o que sou, como sou. Só que por vezes faço algo que já desisti de fazer, que é: "O que serei daqui a um ano?". Penso e não sei a resposta. Por vezes gostava de saber. Gostava de poder afirmar "daqui a um ano serei isto e farei tudo para estar nesse ponto". Não o consigo. Desisti de o fazer há muito tempo. Ao ver os meus amigos, por vezes eu gostava de ter as certezas que eles tem. Mas há muito tempo que deixei de pensar no futuro. Amanhã é já longe demais. E o passado é o único presente. Isto embora eu cada vez mais confunda os tempos das coisas e não me lembre de datas nem momentos.

Sábado, Dezembro 27, 2003


 

Nada de novo.

Como se pode constatar, depois do Natal, quase não há nada de novo...


 

Quasi quasi

Estou a ver a vida é bela. Mentira. Não estou a ver. Apenas a ouvir. Sabendo o fim do filme a experiência de o ver torna-se muito mais dolorosa. Assim ouço-o apenas. E aos poucos vou espiando de soslaio a televisão.


 

Peso

Entretanto o Natal passou e eu claro estou mais gordo. Agora vai ser uma corrida até ao Verão para perder este inchaço.. ou pelo menos para o disfarçar...

Terça-feira, Dezembro 23, 2003


 

Frio e Boas Festas.


Está demasiado frio para teclar o que quer que seja. Tenho os dedos quase congelados. Para além de que a louca procura de prendas de última hora não dará com certeza texto apetecível para o comum dos mortais. Sabemos bem que nestes dias deixamos de ser racionais. Deixamos de nos comportar de forma normal. Atropelamo-nos por aquela prenda que afinal não serve para ninguém e que um qualquer neurónio nos impeliu a comprar. Mas era preciso que esse neurónio sirva para alguma coisa racional, para além de gastar o dinheiro que não temos. Mas mesmo não o tendo, e sendo uma época em que anda tudo com uma crise de falta de dinheiro e de juízo, cá fica:

Um bom Natal para todos...

Quem quiser ver o postal das boas festas que vos desejo, pode clicar aqui. (Precisa ter o Flash 7 instalado.)


 

Rabanadas de vinho

Entrando na cozinha da minha mãe pode-se desde já encontrar um grande cacete colocado sobre a banca. Amanhã servirá para fazer rabanadas de vinho. Algo que todos os natais é imprescindível na minha casa e que me faz lembrar o calor do Natal em pleno frio de Dezembro. Como há muitas receitas de rabanadas feitas com leite (grrrr até tenho um arrepio), aqui fica uma das variadas receitas de rabanadas de vinho.

Ingredientes:
Cacete especial
Vinho verde tinto
Canela a gosto
Açúcar a gosto.
Limão a gosto
Ovos q.b
Óleo q.b.

Corta-se o pão de cacete em fatias, da grossura de um dedo.
Põe-se ao lume um tacho com vinho levemente açucarado e um pau de canela.
Logo que se principie a ferver, passam-se as fatias de pão pelo vinho quente, deixando-as amolecer um pouco (atenção para não partirem). Passam-se nos ovos batidos e fritam-se em óleo a ferver de modo a ficarem douradas. Colocam-se no prato em que vão a servir e regam-se com um calda de açúcar em ponto não muito alto, com um pau de canela e um pouco de casca de limão. Em vez desta calda, pode optar apenas por polvilhar as rabanadas de vinho com açúcar em pó e canela em pó.

Sábado, Dezembro 20, 2003


 

Saudades.

Viana do Castelo vista do Cabedelo
Faltam menos de 12 horas para partir... Hm... Faltam menos de 16 horas para chegar...


 

Concurso de Contos de Natal

Quero apenas dizer que gostei muito dos contos de Natal que foram enviados. Poucos, mas bons, como seria de esperar. Para a próxima vez, talvez haja mais participantes. Talvez, se houver uma próxima vez. Este ano não deverá ser, porque torna-se apertado. Com tudo o que se passa, com tudo o que o tempo leva. Entretanto podem responder ao desafio colocado no outro lado, no Bla Lisboa. Parabéns aos que participaram, a todos o meu obrigado. Os prémios seguem dentro de instantes.


 

Conto de Natal #10

O meu natal era branco. Branco de cal. Era luz de candeia. É para alumiar o
caminho ao menino, dizias. O meu natal é saudade. Saudade da criança, que não tinha saudade. Tinha amor. O meu natal era branco.
Sandra Orvalho


 

Conto de Natal #9

O Pierre comia pão com manteiga. A Jaqueline comia pão com manteiga. O Michele comia pão com manteiga. O Charles comia pão com manteiga. O Jean Paul comia pão com manteiga. O Emanuelle comia pão com manteiga. A Silvie comia pão com manteiga. Todos comiam bacalhau pelo Natal.
DR

Sexta-feira, Dezembro 19, 2003


 

Conto de Natal #8

Uma. Duas. Três. Quatro. Cinco. Seis. Sete. Oito. Oito frases. Viste, viste? Cumpri o desafio.
DANG, DANG, DANG, Eliminado por excesso de optimismo.
Luis Borges


 

Conto de Natal #7

TuuuuuuuuuUUUUUuuuuuuuuuuuuuuuu, passou um carro a alta velocidade por ela. Não parou. Continuou na berma da estrada. Vem lá outro. TuuuuuuuuuUUUUUuuuuuuuuuuuuuuuu, malditos. Sempre com pressas. O Próximo, o próximo apanho. TuuuuuuUUUUUXLackaTrackaCapummmm, (ups...)
Artur Zetes

Quinta-feira, Dezembro 18, 2003


 

Mais um NIM

Não costumo falar de política, mas hoje de tarde ouvi no carro o debate parlamentar a propósito da visita mensal do primeiro ministro à assembleia. O tema de discussão central foi o aborto. Não foi a interrupção voluntária de gravidez nem foram as semanas, nem o pp. Foi o aborto. E a sensação com que fiquei foi...

Agora tenho que escolher as palavras com todo o cuidado, senão chamam-me de comunista, o que em Portugal neste momento é de um estigma castrador. Porque depois de alguém ser rotulado de “comunista” passa a não ser ouvido, nem considerado, a não ser pêlos impostos. O outros, os que ainda não foram rotulados, passam a ter cuidados especiais quando se encontram com os “comunistas” e para evitar ficarem contagiados com a “doença” limitam-se a acenar a cabeça, mas sem ouvir, num teatro que até chega a ser patético. Por isso, dizia eu que tenho que ter cuidado com as palavras. Não que tenha problemas de ser comunista, mas antes porque detesto falar para as paredes.

...ora bem, dito isto e voltando à rádio. Ouvi o debate e fiquei com a leve sensação que o nosso primeiro, andou um pouco aos papeis. Durante todo o debate esteve nervoso. Atacou, atacou, atacou, sem percebermos muito bem o que queria esconder. Porque até quando foi finalmente forçado a mostrar o que pensava, disse que afinal o aborto era uma decisão intima de cada um, mas que o PSD não aceitaria rever a lei, nem por referendo, sobre a descriminalização do mesmo. Que dava liberdade de consciência aos seus deputados sobre o aborto, mas determinava disciplina de voto quanto à descriminalização.

Ou seja: Pura e simplesmente disse àquelas mulheres em Aveiro que o poder político acha que elas no seu intimo tinham todo o direito de tomar a decisão de abortar ou não, mas que porque optaram errado, agora tem que ser humilhadas na praça pública, porque ele, o primeiro ministro do país, acha mais importante agradar ao senhor Paulo Portas. Elas (são sempre as mulheres as culpadas disto tudo) podem bem passar um tempinho na cadeia.

Durante o debate de hoje a forma de argumentar do primeiro, fazia parecer que era Durão quem estava na oposição e que quem governava era o PS... Bem... se calhar o nosso primeiro pensa assim. Afinal fartou-se de repetir que o referendo sobre o aborto tinha sido ainda há tão pouco tempo. Foi há 5 anos, no ainda 1998 e no ainda governo PS do engenheiro Guterres.

Ora o desnorte e o nervosismo desta tarde são sintomáticos de algo que se vem dizendo há algum tempo: que quem manda e orienta este governo é o PP. Que o senhor primeiro ministro, tendo um medo incontornável de eleições, se vê obrigado a manter o partido popular no governo, com medo de governar em minoria. E que está a deixar-se conduzir, sem dirigir. E que se perde em questiúnculas menores e tratos inadequados ao estadista a que aspira ser. Prova que tem um governo que se encontra à deriva e ao sabor das polémicas e mais grave, que não tem ninguém dentro do partido para o ajudar na liderança, sendo que ele não tem a força para o fazer.

Nota expecial para o artigo de opinião de José António Lima no Expresso que fala deste estado de coisas, ainda antes do dia de hoje.


 

Não

Não. Eu não leio o teu blog. Não conheço e não quero. Não sou obrigado e não me apetece. Ok?


 

Conto de Natal #6

A formiga é um animal burro. Não sabe que há Natal. Aliás, nem sabe que há milhões de formigas como ela que não sabem também o que é o Natal. Aliás, nem sequer sabe que as outras não sabem. Não sabe por exemplo que está a atravessar a rua mais movimentada da América, e não sabe que por ser noite de Natal não há um único carro na rua. Não sabe pois, que por causa de uma coisa que não sabe, a sua mísera vida vai durar mais algum tempo. É assim o Natal da formiga. Dela e de outras tantas que atravessam a rua sem saberem para onde ir, apenas porque seguem a formiga da frente, que não sabem não saber nada como elas.

DR


 

Conto de Natal #5

Bate leve, ou pesadamente. Bate na fúria de uma página de cetim. Imaculada, mancha-a com o sémen. Torna tudo um mar de pétalas de jasmim. O Jasmim tem pétalas?
Revolta-se, rasga a página. Arranca-a do seu ventre. Amachuca-a e atira-a sob as luzes que enfeitam a árvore de natal.

Artur Zetes


 

Conto de Natal #4

Anda vagorasamente.
Cai um dia . O comboio, tu tu. Mais rápido seria.
Que ria, que ria para assinalar o caminho.
A pradaria é longa e longo é o caminho. Anda feliz, gordo, pançudo. Porque raio vem aqui meter o nariz?

DR

Quarta-feira, Dezembro 17, 2003


 

O Passado, o presente e o Futuro em technicolor

Normalmente tentamos tomar as melhores decisões sobre o futuro, pensamos nós. Por vezes tomámos as decisões e afinal são o maior disparate que fazemos. Há algum tempo tomei uma decisão a teu respeito que foi muito errada. Agora sei que é tarde para me te pedir desculpa. Sei que não te conseguirei falar, mesmo que mo peças, porque afinal não saberei faze-lo. Sentiria que fá-lo-ia por falhanço meu. Que seria uma tentativa de remediar algo que pensei perdido. Algo que provocaria no futuro o pensar que afinal tudo não passa de uma grande farsa, que tudo não é mais que uma segunda escolha. Não quero que isso possa acontecer. A amizade não é isso. Nunca foi. Nunca será. Por más decisões tomadas na vertigem dos acontecimentos, adultera-se a linha do tempo. Faz-se tudo perder-se. Faz-se o mundo chorar. Já uma vez escrevi que não podemos alterar o curso da história. A única coisa que podemos fazer é lamentar a má sorte das nossas decisões. Foram tomadas. Agora é tarde de mais. É pena que tarde demais nos apercebamos do tarde demais. O tarde demais é verdadeiramente a coisa mais triste que existe. Não merecias isso. Também tenho saudade do tempo. Também gostava. Mas há sempre esse tarde demais. Esse fim.

oh,yes

there are worse things than
being alone
but it often takes decades
to realize this
and most often
when you do
it's too late
and there's nothing worse
than
too late.

Charles Bukowski


 

Conto de Natal #02

Maldito Inverno que me gela as mãos e me enrija a mente.
Maldito sol que não vem, que se desobriga da tarefa de aquecer o tédio húmido deste Natal.
Volta.
Volta a aquecer-me.
Sei de um caminho.
Por ali, não por ali.
Esta neblina não deixa ver o caminho de volta à aldeia.
Detesto a consoada.

DR


 

Conto de Natal #03

Relincha alegremente o Trovão. É o nosso cavalo preferido e sente que também nós estamos em festa. O Trovão é pai de um bela égua. Nasceu hoje de manhã, dia 25. Acordamos e logo o Manuel nos veio chamar, que a Charneca estava em trabalho de parto. Veio o veterinário, vieram todos ainda em pijama. O sol brilha hoje com uma luz especial. A cria já tem nome: Aurora.

Artur Zetes


 

Conto de Natal #01

carnes frias... um conto de natal em oito linhas

estava ao frio/ sol/ sombra/ chuva/ vento...
via-o/a/os/as a través do vidro/buraco/fechadura/fresta
estava/as/am a comer/beber/falar/dormir
senti alegria/ tristeza/ solidão/ uma lágrima/ palpitações
sentei-me ali mesmo e escrevi/ adormeci/lembrei/pensei
- "quero lá saber!! tenho fome... VOU!...tenho que ir!! "
trespassei de uma vez o portão/janela/cortina/porta
trespassaram-me três balas de feliz natal... santo e sossegado.

Margarida Mesquita


 

Concurso internacional de contos de natal

Devido ao enorme sucesso que o concurso teve (sim, já fechou, já não há hipótese de oferecer mais livros a ninguém, uma vez que já acabou o prazo) foi preciso fazer uma selecção de contos de natal. Aqui ficam alguns, apenas por ordem de chegada. Ou quase. Ao longo dos próximos 3 dias seguirão os restantes. Os vencedores serão contactados pessoalmente.


 

Chupistas

Há aqueles que nos chupam até ao tutano. Que exigem de nós tudo no conforto do seu anonimato. Há aqueles que nunca nada querem e que tudo desejam. Mas apenas se puderem ter o que querem como vampiros. Há aqueles que são senhores da dissimulação, da falsidade e da intrujice. Deparamo-nos com eles de permeio com os outros. Não os sabemos distinguir. Apenas sentimos a suas ferroadas como se fossem as nossas desgraças, as nossas secretas desilusões. Não os escolhemos nunca, são eles que nos escolhem, sem nunca terem dado um passo em frente. Sem nunca dizerem que o são. “A idade é um posto” dizem os mais velhos. É verdade, é tão verdade. Mas só com ela se aprende a suportar os chupistas.

Terça-feira, Dezembro 16, 2003


 

Last Chance

Ok, isto é publicidade enganosa, claro. Mas a verdade é que o desafio das oito frases, uma história de Natal, está quase a acabar. Até logo à noite. A partir de amanhã começam a sair aqui os resultados. Para participar, escreve uma história de Natal com 8 frases. Envia para sixhat@msn.com e podes vir a ganhar fabulosas prendas de Natal. Bem, fabulosas só se gostares de livros.

Segunda-feira, Dezembro 15, 2003


 

Há duas palavras muito semelhantes de certa forma...

Pateta e Poeta.
Ora isto é só uma observação. Não quer dizer que os primeiros sejam sempre os segundos, nem os segundos pareçam ser uns primeiros. Mas a verdade é que por vezes os outros confundem os dois. Como exemplo, ouvido hoje de manhã na rádio... Bocage foi considerado o primeiro, e como tal internado num hospício. Mas hoje é manifestamente reconhecido que Bocage era mais do segundo do que do primeiro. E por tal: Onde ficamos? Primeiro ou Segundo? Confundem-se não é? Para além de que o primeiro acaba por ser algo do qual o segundo não faz escárnio. Porque naturalmente o segundo percebe o que os outros não percebem e que a seus olhos pode parecer o primeiro, tal como o primeiro o é. Confundido? Ainda não? Paciência. Eu estou e entre o primeiro e o segundo a ligação parece por vezes ténue. Porque entre ambos há uma lógica de diversão pessoal. De satisfação / expiação / catarse dos seus eus. Há um reencontrar-se muito pessoal. Daí que se confundam o primeiro e o segundo. Ou talvez não. Depende do olhar terno que lhes lançarem.


 

Escrever precisa-se.

Demoro tanto tempo a preparar papel e caneta que muitas vezes perco o fio à meada das palavras que trago cá dentro. Devia haver uma forma mais rápida de transcrever o que penso. Devia haver uma forma de não se perderem pensamentos céleres. Um invento por favor. Um invento. Senão esta poesia ficará para sempre perdida. Este conto inacabado. Aquele romance eternamente engavetado. Um invento, um invento.

A propósito de escrever, continua aberto o desafio do Conto de Natal em oito frases. Vejam pormenores mais abaixo. Já foram recebidos alguns contos, e como disse, se não disse, digo agora, há algumas prendas para distribuir pelos melhores... Não percam tempo. Até dia 16 apenas. Faltam menos de 48h...

Domingo, Dezembro 14, 2003


 

Acabou?


E finalmente os americanos conseguiram uma cara para mostrar ao mundo. Agora resta saber o que farão a seguir? O que vai acontecer a Saddam? Onde será julgado? Será julgado? Que melhor prenda de Natal poderia o filho da serpente ter desejado , que estava tão criticado em casa?
A prisão de Saddam, naturalmente é o fim de um ciclo. É bom para o Iraque e bom para o mundo. Mas é ainda melhor para Bush filho.

Resta saber agora quem será o novo inimigo? O Irão? A Coreia do Norte? Podia-se pensar que sim, mas talvez se engane quem assim pensar. É que apesar da vitória, esta teve o peso de muitos sacos pretos. E tão depressa Bush não vai correr o risco de iniciar nova campanha. Pelo menos não antes de Novembro do próximo ano, altura de eleições nos Estados Unidos.

Por fim, encontraram Saddam escondido num buraco no chão. Mas até hoje não encontraram uma única arma de destruição maciça. Terão que escavar mais? Ou o que alegadamente legitimava a invasão, afinal nunca foi mais que uma farsa para perseguir o homem e o seu petróleo?

Saddam foi capturado. Acabou um ciclo terrível no Iraque. Surgirão novas oportunidades para o povo iraquiano. E quando é que terão essas oportunidades? Quando sairão do Iraque os americanos, agora que tem o seu trofeu?

Sábado, Dezembro 13, 2003


 

Do outro lado destas paredes...

Não basta abrir a janela
Para ver os campos e o rio
Não é bastante não ser cego
Para ver as árvores e as flores.
É preciso também não ter filosofia nenhuma.
Com filosofia não há árvores: há ideias apenas.
Há só cada um de nós, como uma cave.
Há só uma janela fechada, e todo o mundo lá fora;
E um sonho do que se poderia ver se a janela se abrisse,
Que nunca é o que se vê quando se abre a janela.


(Fernando Pessoa)

Terça-feira, Dezembro 09, 2003


 

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Segunda-feira, Dezembro 08, 2003


 

Indignação


Quanto à forma como são tratados alguns temas. No Afeganistão, os americanos mataram 9 crianças num raide em busca de um Taliban e ninguém fala. Ninguém diz que o matar nove crianças com um exército é um acto de terrorismo. Por outro lado a guerrilha iraquiana continua a atacar o exercito invasor e continua a ser tratada por terrorista. Este jogo de palavras denota bem a vontade americana de passar uma imagem bem diferente daquela que é a real.

Quando um dirigente tribal do Sul do Iraque, veio dizer que se encontrou com Saddam e que é ele quem dirige pessoalmente as operações de guerrilha, ficamos a pensar o quê? Que ele é o Bin Laden? Talvez seja essa a imagem que alguns querem fazer passar. Mas para os mais distraídos, a guerra no Iraque não acabou. Nunca houve a capitulação de uma das partes. Nunca houve rendição. A parte que lá estava, pura e simplesmente “refugiou-se nas montanhas” e faz luta de guerrilha.

Que os americanos lhes chamem terroristas, nada diferente seria de esperar. Os indonésios chamaram terroristas aos Timorenses. Nós chamávamos terroristas aos africanos das ex-colónias. Os israelitas chamam terroristas aos palestinianos. O que me admira é que haja quem, não querendo pensar pela sua cabeça, se limite a acenar com a mesma, anuindo no que os outros fazem, com um mimetismo patético. E se nenhuma situação pode ser assim tão simples, tão preto e branco, como bom e mau, como nós e os outros, admiro-me quando se aceita catalogá-los, aos outros, de terroristas, quando afinal foram afinal eles os atacados.

Só há uma verdadeira história de resistência passiva no mundo, embora tenha degenerado depois em violência, como não podia deixar de ser. Foi na Índia a resistência passiva. Vou fazer Sal.

Sábado, Dezembro 06, 2003


 

Desafio de Natal

Hoje é dia 6 e decidi lançar um desafio até dia 16 deste mês. 10 dias para escreverem um conto de Natal. Como? Condição? Tem que ter apenas 8 frases. Nada de testamentos. Podem enviar o vosso pequeno conto de Natal para o email sixhat@msn.com. Os melhores contos serão colocados aqui nos dias 17, 18, 19 e 20 de Dezembro. Encarem isto como um desafio. Uma brincadeira. Uma forma diferente de desejarem Boas Festas.
Boas histórias.


 

Maria José Morgado

A memória é selectiva. E eu faço esta selecção em detrimento das estradas de terra encarnada ou dos pôres-do-sol de fogo, que para mim são memórias fúteis. Muito boas para romances e notavelmente aproveitadas pelo Lobo Antunes nos seus livros sobre Angola... mas tudo isso é dispensável, não me traz saudades.

Sexta-feira, Dezembro 05, 2003


 

O Fenómeno


Era sexta feira à noite. Caminhava apressado para casa. O trabalho já passara e era a altura de ir à disco. Jantou apressado e foi tomar banho. Perfumou-se. O gel no cabelo ficava-lhe a matar. Olhou-se várias vezes ao espelho. Deu uma volta para verificar se as calças lhe acentuavam os contornos e não atrapalhariam na pista de dança. Foi buscar o seu casaco de cabedal preto que vestiu por cima da t-shirt branca. Meteu as chaves do Corsa no bolso e saiu.

- Olha lá, não voltes tarde!
- Claro. Até logo. – gritou-lhe das escadas.

"E esta aqui era ele dentro do aquário. Lembras-te do aquário, querido? Nem se conseguia respirar em condições lá dentro. Foi uma carga de água, para o tirar de lá sem partir o vidro. E ainda por cima queixava-se das orelhas."

"Ninguém o mandou lá meter as ditas. E não são tão assim de abano. Ele com aquele gorro disfarça. Ó merda, esqueceu-se de levar o gorro. Vai lá ver se ainda o apanhas?"

"Ó Quim?! Ó Quim!? Já lá vai. Hoje vai apanhar tanto frio..."

"Pelo menos volta cedo para casa, fico mais descansada."

"Anda, vamos dormir!"

Quarta-feira, Dezembro 03, 2003


 

O meu amor é marinheiro

O meu amor é marinheiro
O meu amor mora no mar.


Assim começa mais um dia da minha sina. Mais um dia de liberdades adulteradas. Mais um dia de paisagens soterradas. Mas que dia este em que ficamos. Em que os braços são como o vento. Onde ninguém os pode amarrar.
Sertão meu amor. Calor que me abraça. Faltas-me! Faltas-me. Estou assim ficando. Caindo. Indo até lá. Cá tão perto. Que faria de nós um ser moderno? Que faria de nós mais que um abrupto caminho neste inverno? Um presente de Natal embevecido. Que quero? Uma surpresa? Uma prenda? Um desatino moderno e soterrado. Que aflição. Que sei eu afinal desta confusão? Que sei? Que sei? Vagueio pela noite disfarçando os meus passos. Fazendo os outros verem que rasguei os encargos do meu passado. Desilusão. Que noite fria se avizinha. Que noite fria se avizinha. Que farei?

Segunda-feira, Dezembro 01, 2003


 

Sobre a escrita

Somebody at one of these places asked me: "What do you do? How do you write, create?" You don't, I told them. You don't try. That's very important: not to try, either for Cadillacs, creation or immortality. You wait, and if nothing happens, you wait some more. It's like a bug high on the wall. You wait for it to come to you. When it gets close enough you reach out, slap out and kill it. Or if you like it's looks, you make a pet out of it.

A frase é do sempre revigorante Charles Bukowski


 

Dia azarado

Ficou tão pouco para dizer. Os silêncios são enormes. De que não se fala? De que outros pensamentos privamos quem nos rodeia?

Na rádio começou a tocar uma música de Nirvana. O All Apologies. Nesse preciso momento olhei para uma folha na minha frente e era um poema. Chama-se "Os Anjos" da Ana Hatherly:

Todos têm uma boca lassa
e as claras almas sem limites.
E em seus sonhos por vezes perpassa
uma saudade (talvez de pecado).

Quase todos parecidos uns com os outros
nos jardins de Deus estão calados
como se fossem inúmeros intervalos
em sua força e melodia.

Mas quando desdobram suas asas
despertam uma tal vibração
como se Deus com sua vasta criadora mão
folheasse o obscuro Livro do Início.


O poema depois de lido não faz nenhum sentido com o que o título me sugeriu de imediato, mas ficou aquela leve sensação de tristeza. Aquele desejo de reconstruir todo um passado de forma diferente. De forma a partir para outras paragens, de forma a que tudo fosse instantaneamente diferente. O poder da varinha de condão que transforma tudo. Como se os anjos realmente podessem voar e a sementeira de ventos não desse em tempestades!

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