6H Agridoce - netcast de tecnologia, ciência e internet
Emissão em mp3 sobre Linux, open source, novas tecnologias, exploração espacial e os limites da ciência.
Sábado, Janeiro 31, 2004
Um verdadeiro manguito
Steve Jobs é um homem cheio de talento. Para quem não sabe (alguém não sabe?) foi o fundador da empresa
Apple em 1976, e foi o grande responsável pelo ressurgimento da apple quando voltou à empresa em 1997. Mas para além desse trabalho, Steve Jobs tem outros, entre os quais ser o CEO da
Pixar. Este nome não lhe diz nada? Então se falar de Toy Story, Bug's Life, Monster Inc, ou o último blockbuster Finding Nemo e lhe disser que são obras da
Pixar fica com uma ideia da capacidade de produzir bons trabalhos, que Jobs tem. Porque é Steve Jobs tão importante? Se virmos o
CV dele na sua página pessoal podemos ler que as suas habilitações são:
That "vision thing", public speaking, motivating teams, and helping to create really amazing products.
Apenas aquilo que garante o sucesso de quase tudo onde se mete. Agora quem se meteu com ele foi a
Disney e pelos visto levou para trás. Isto porque o CEO da companhia anda às avessas com toda a gente (chegou a despedir ou obrigar à demissão, não se percebeu bem, do único descendente do fundador da Disney) e na renovação do contracto com a Pixar ... perdeu-a para Hollywood. Disney que não tem uma animação de longa duração de sucesso nos últimos tempos e que tem facturado dinheiro à custa da Pixar. Naturalmente assim, Steve Jobs tinha os trunfos na mão e encetou imediatamente reuniões com a Fox, Warner e Sony para saber quem quer distribuir os filmes da Pixar. E como um miúdo mimado, a Disney fez saber que vai fazer o Toy Story 3, com ou sem Pixar... Agora pergunto eu? Alguém irá ver? Com que técnicos? Com que animadores? A Disney parece um miúdo a quem acabaram de roubar um chupa chupa.
Entretanto a Pixar prepara os novos lançamentos (há ainda 2 filmes Pixar que vão ser distribuídos pela Disney) e o site oficial da Pixar anuncia já "
The Incredibles". E a avaliar pela amostra, será mais um smash. Dia 11 de Maio num cinema... americano.
Eu de manto branco

Ainda não percebi o que vou fazer a propósito dos fantasmas da minha vida. Penso que tenho alguns. Certamente terei alguns. Talvez um dias os mostre aqui, ao vivo e a cores. Talvez os fantasmas possam ser mais que sombras ou então possam apenas desvanecer-se sem importunar mais. Isto tudo porque hoje numa longa conversa de muitas horas com uma amiga minha, ela me chamou a atenção para essas verdades sobre mim escondidas. Revelou-me os processos da minha mente, chamando-me o verdadeiro aldrabão charlatão. Reconheci que sim, que o sou, porque a ela não adiantaria negá-lo. Não mo permitiria sem uma sonora gargalhada. Mas ao longo da deliciosa conversa falamos de tanta coisa... extenuante e sempre um prazer. Depois vim para casa e escrevi. Enchi 25 páginas de rabiscos e não cheguei a conclusão nenhuma. Talvez um dia releia o que escrevi e publique. Talvez um dia mostre os meus fantasmas.
Podia também ser arquitecta, ou talvez pintora. Poderia ser o que quisesse. Será aquilo que desejar certamente. Agora é especialista em colunas de bolhas. Anda pelos
blogs há um ano a
sentir e a deliciar quem por lá passa. Boa sorte para o que se avizinha,
vizinha.
Sexta-feira, Janeiro 30, 2004
Lágrima
Formas do devir
Aqueci o forno.
Quando as baratas circulam rápidas alguma coisa está mal.
Fui ver.
Cheirava a gás na cozinha.
Pisei algo, que fez um estalido.
Liguei o interruptor para ver. Uma barata.
A explosão levou parte do telhado e uma parte da chaminé caiu no quintal da dona da mercearia, junto à latrina, onde por acaso estava nesse momento o filho mais velho, que era um pouco doido e queria ser astronauta. Com o susto borrou-se todo e ficou lá dentro dois dias trancado. Os clientes da mercearia fizeram fila à porta para cagar, até que um decidiu ir buscar um tractor. Atou uma corrente de aço em torno da latrina e levou-a pela avenida principal abaixo com o miúdo de cu ao léu agarrado à porta.
As cores da minha vida
Amarelo
Vermelho
Azul
Ignorante
A vez do meu silêncio.
Vou partir. Não estou interessado em grandes confusões. Não quero. Quero antes que todos se danem. Que vão para outra banda pregar. Que eu estou farto. Não quero ouvir mais saber do que pensam ou não sobre o assunto. Apetece-me não voltar a ver alguns dos disparates que por aqui encontro. A minha ex-mulher bem dizia: "David, não sei para que te dás a esses trabalhos..."
Vou escrever o meu livro lá para fora. Vou emigrar. Se alguém quiser alguma coisa, deixe uma carta na
caixa do correio. Agora vou pagar a pensão de alimentação. Eu quando voltar, leio.
Fomos tomar um café ao Monumental. Sabem? Aquele edifício que tem talvez uns 15 anitos, ali no Saldanha. Ao lado do outro com o piano. Sim o escurinho. Onde por vezes mandas alguém comprar os bilhetes para o cinema. Esse mesmo.
Fomos tomar café ao bar da Medeia, mesmo junto às bilheteiras. Não é que para
nosso espanto não havia mesas disponíveis! E porquê? Porque chovia lá dentro. De alguma forma o temporal tinha conseguido infiltrar-se no tecto falso e tinha decidido presentear os clientes com um banho grátis. Não sei se aquilo é da responsabilidade do Paulo Branco, mas se é, é bom que repare e faça a manutenção da casa, se não é, então deve processar alguém. Foi uma vergonha. Chovia copiosamente. No tempo que lá
estivemos, retiraram dois carrinhos do lixo com água e mais uns quantos baldes e alguidares.
Claro que o responsável fechou o café, mas entre o fechar e não fechar atenderam-
nos (a desoras)... ou seja, com o risco de que o céu
nos caísse na cabeça lá fomos tomando o
nosso café, mais sorvido do que bebido, e
desandamos dali para fora, não fosse o dito tecto desabar. Só espero que por acaso não estejam a tentar fazer do Monumental um novo Brasília onde o abandono e falta de manutenção o levem a afastar clientela e por fim a ser apenas recordado na música do Rui Veloso por causa da rapariguinha do shooping.
Quinta-feira, Janeiro 29, 2004
A Lista
Eis a tralha que está na minha mesinha de cabeceira:
(topo)
New Order - Republic (CD a tocar neste instante)
Marianne Faithfull - A Collection of her best recordings (CD)
Astor Piazzolla - The Tango way, The classic way (CD)
Reinhard Steiner - Egon Schiele - Taschen
José Jorge Letria - Lingua de Gato
Jorge Luis Borges - Ficções
Bloco de apontamentos A5 folhas lisas - Continente
Boris Vian - A espuma dos dias
Miguel Torga - Poesia Completa
(fundo)
Fúria.
Acho que vou deixar de escrever directamente aqui o que penso. Algumas pessoas levam à letra aquilo que aqui vai. Algumas pensam que afinal tudo isto não passa de uma grande verborreia. Alguns algaraviada. Mas ...
Estou furioso. Apenas. Que ninguém me apareça na frente.
Como escreves?
Uma das coisas que naturalmente me provoca algum saudosismo é o facto de no Microsoft Word se poder escrever com caracteres brancos sobre fundo azul. Esta era a forma de utilizar os primeiros editores de texto, que pouco mais faziam que editar texto, (por isso é que são editores de texto, porque editam texto) em formato ascii. Depois o tempo foi evoluindo, os processadores de texto
WYSIWYG (
What You See Is What You Get) começaram a tomar conta do mercado, o windows 95 surgiu em força e depois foi uma história de meio instante passado. Ora, felizmente o Word continua a manter esta funcionalidade o que me agrada bastante. Não que a utilize com grande frequência (afinal não é todos os dias que escrevo um livro e quando o faço, faço-o na minha
smith-corona silent ou então na
Rover), mas revela-se de grande utilidade para quando se quer escrever mais que puramente um parágrafo. Não cansa a vista, é relaxante e permite que quem nos observa, nos continue a chamar chanfradinhos da cabeça.
Houve um tempo em que tudo era azul e tudo era simples, básico e directo. As impressoras eram de 9 agulhas e acordavam os vizinhos de cada vez que queria fazer provas de leitura às 5 da manhã (e não foram tão poucas assim).
Instantes
(Bato violentamente na minha
smith-corona e tento parecer algo compenetrado)
Coincidências. Fui ver algumas coisas do meu
passado. Fui apenas deleitar-me com aquilo que eu narcisisticamente escrevi e encontrei-me em pormenores que não imaginava serem capazes. Julgo tudo muito depressa. Tudo o que faço, escrevo ou ouço outros fazerem e dizerem. Sou assim. Gosto não gosto. Amanhã noutras circunstâncias talvez fosse de forma diferente.
Tanto disparate obrigo as pessoas a comer! Algumas talvez com a paciência de Jó consigam aturar alguma da minha verborreia. Duvido que muitos passem da segunda linha. Bebo bastante. Sou uma peste para os amigos, namoradas e bichanos. Talvez nem todos sofram da mesma forma as minhas iras, mas suspeito que o mal é geral e todos quando podem fogem a sete pés. Acredito, mas não acredito no que digo, que seja irascível. Sou, de certeza. Ok,
sou.
(pausa para mais um gole de
JD)
Rapidamente retomo caminhos que desejo reencontrar. E nesses preâmbulos soturnos, até decadentes e ofensivos, ao meio neurónio que pensava ter, descobri um quadro. O quadro de uma vestido da
Katarina Zaric. Um vestido abandonado entre a luz e a sombra, vazio, esperando. Que procura esse vestido? Que espera?
(nova pausa, para mais um momento de degustação do malte, mais prolongada e a tentar lembrar-me do vestido)
A revista Dimensão.
(pausa para pensar o que vos vou dizer sobre a revista)
Nada.
(Azar)
the tigers have found me
and I do not care
Buk.
publicada por David #
02:28

Quarta-feira, Janeiro 28, 2004
Lugar de Sangue
É melhor não ficares ao meu lado se não sabes o que fazes. Sou arisco. Talvez até te corte um braço. Talvez até morda mais dolorosamente que um escorpião. Aqui jazem alguns dos meus inimigos. Alguns nem souberam alguma vez serem meus inimigos. Apenas sentiram a minha ferroada instantes (milionésimos de segundo) antes de verem a luz. Ou o inferno. Que eu não acredito nada dessas coisas.
[Tuco is in a bubble bath. The One Armed Man enters the room.]
- I've been looking for you for 8 months. Whenever I should have had a gun in my right hand, I thought of you. Now I find you in exactly the position that suits me. I had lots of time to learn to shoot with my left.
[Tuco kills him with the gun he has hidden in the foam.]
- When you have to shoot, shoot, don't talk.
Terça-feira, Janeiro 27, 2004
E eu?
Nas caixas de lápis guardam os meninos os seus sonhos
Ramón Gómez de la Serna
Egon Schiele
Assim, sem outro título que não tenho para o que vou falar a seguir. Não se trata de nada sobre o pintor austríaco, nascido em Tulln. Trata-se de uma impressão e da forma como por vezes estamos desatentos na vida.
Um dia veio-me parar às mãos um livro da Tashen sobre Schiele. Como o momento em que o livro me foi oferecido, foi de particular efusividade, não o olhei atentamente. Tanto porque algumas das imagens são difíceis de apreender numa observação rápida. Depois passou-se o tempo e o livro foi ficando para segundo plano, escondido por detrás de tantos na estante. Ontem porém peguei nele. E folhei-o com mais vagar, voltei a parar numa das fotografias que mais me tinham intrigado da primeira leitura. Um quadro,
um auto-retrato com ventre nu de Egon Schiele, de 1911. E embora fosse uma fotografia pequena, num canto de página, foi o quadro que mais me chamou a atenção. Talvez pela ausência de braços. Pelos vermelhos do rosto e do ventre. Do aspecto doentio que a expressão do sujeito possui. Schiele a dada altura teve um fascínio pela patologia e pela forma como a expressão humana a revelava. E este quadro prendeu-me o olhar porque talvez no abandono da figura, mais que em outros quadros onde também os sujeitos aparecem mutilados e patologicamente exagerados, o olhar de Egon Schiele é aqui mais dramático, desnudado e impotente.
Segunda-feira, Janeiro 26, 2004
Disse isto aqui de uma forma incompreendida
NA ÚLTMA PÁGINA DE UMA ANTOLOGIA NOVA
Tantos bons poetas!
Tantos bons poemas!
São realmente bons e bons,
Com tanta concorrência não fica ninguém,
Ou ficam ao acaso, numa lotaria da posteridade,
Obtendo lugares por capricho do Empresário...
Tantos bons poetas!
Para que escrevo eu versos?
Quando os escrevo parecem-me
O que a minha emoção, com que os escrevi, me parece –
A única coisa grande no mundo...
Enche o universo de frio e pavor de mim.
Depois, escritos, visíveis, legíveis...
Ora... E nesta antologia de poetas menores?
Tantos bons poetas!
O que é o génio, afinal, ou como é que se distingue
O génio, e os bons poemas dos bons poetas?
Sei lá realmente se distingue...
O melhor é dormir...
Fecho a antologia mais cansado do que do mundo –
Sou vulgar?...
Há tantos bons poetas!
Santo Deus!...
Álvaro de Campos
A net tem destas coisas. Algumas pelo menos.
Domingo, Janeiro 25, 2004
Um instante Meu tempo num instante. Acelerei até à inserção. Inscrevi o meu nome no ritmo da corrida. Soho fervilha, os cavalos estão prontos. Ritmo. Nada mais importa. O chuto ficou quase cá. Quase lá. Onde vamos todos partir. Novamente a duzentos e trinta e um por cento.
Cesariny era um tipo muito porreiro. Disse o gay pseudo intelectual ao gajo que queria ser enrabado.
Onde foi que se viu falar do tempo? Chovia copiosamente. Como pode ser bom tempo este?
(Não posso beber e escrever... )
50ºC Sombra
50ºC sombra
Autocarro desaparecido
Uma garrafa de viagem, um pé descalço, outro balança.
Se você não sabe o que se faz.
Viagem numa margem.
Ninguém recorda.
As baratas talvez.
Eu? Tu eras?
Sábado, Janeiro 24, 2004
Tarde Demais
O relógio não me consulta
O meu sol nunca se atrasa
Quanto menos tempo eu tenho
mais depressa o tempo passa
Já não se fazem horas
nem minutos como antes
Quanto mais passado eu tenho
menos duram os meus instantes
O que me resta tentar
O que me falta entender
A vida acaba quando se descobre
Como vivier
Gianoukas Papoulas
Sexta-feira, Janeiro 23, 2004
Eles estão quase de volta com um álbum
novo. Depois de "
The Beginning Stages Of...", "
Together We're Heavy" será a evolução, a que Tim DeLaughter chama de verdadeiro primeiro álbum. Sai em Maio. Até lá... desespera-se.
Ressaca
Estarás aqui tão perto. Estiveste sempre. Algumas vezes estive aqui. Outras nem sempre. Ausente, como sempre distante. Repetem-se os dias, os sonhos o acordar e o deitar. O dormir e o ressacar. Fiz Greve. Que greve? Fiz. Dói-me a cabeça, apertam-me as tripas, incharam-me os ouvidos e martelo bate violentamente na bigorna.
O tic tac do ponteiro grande do relógio enche a sala.
Eu tinha que falar disto aqui, não podia remeter este
link para outro lado qualquer, escondio onde fosse. Tinha que ser aqui. Mais nada. Quem não quiser ir lá... azar... não vá... Quem nunca leu a
COL, mesmo nos arquivos, não sabe o que perde. Alguns deles estão por aqui espalhados, alguns estão nos meus
links ( Vá lá ao fundo da página e está lá uma palavra "
LINKS", clique e depois navegue), outros já estiveram ou então fiz aqui referência, procure. Mexa-se, ande, ande, isto aqui não é um supermercado.
Quinta-feira, Janeiro 22, 2004
Definirmo-nos em 100 frases? Se tivéssemos que falar de nós mesmos o que diríamos? Um
ABOUT ME em 100 pedaços.
David por David. Experimentem... vão ver que descobrem coisas muito estranhas sobre vocês mesmos.
Quarta-feira, Janeiro 21, 2004
Fome
00:40 am - Vou até Santos comer qualquer coisa.
Terça-feira, Janeiro 20, 2004
Segunda-feira, Janeiro 19, 2004
As nossas histórias
Lisboa está quente, apesar dos 10 graus que marca o termómetro. Ocupados, todos, não pensam no que se passa para lá destas paredes. Não dia em que se vislumbre alguém inteligente vou esconder-me, colocar os óculos escuros e no esconderijo de um recanto vou adormecer.
“Eu fui-me chegando a ela
Quis partilhar o instante”
O metropolitano estava atrasado. O cais deserto. Esperava. Já tinha fumado dois cigarros e pensava no que raio fazia ali? O que me tinha levado a sair em direcção a casa dela? Que faço eu?
Procurei distrair os pensamentos com o mapa da rede. Telheiras, Campo Grande, Alvalade, Roma, Areeiro, Alameda, Arroios, Anjos. Oito estações. Não se via vivalma.
Apaguei a beata com a biqueira do meu sapato. Olhei para os dois lados, vinha um engravatado a descer as escadas. Trazia uma gabardina por cima do fato, ao ombro uma mala de tiracolo.
Esperei mais algum tempo. Espreitei para o fundo do túnel, não via nada. Quanto tempo mais teria que esperar? Decidi ir-me embora. Nada podia fazer. Eles estavam juntos. Não me abririam sequer as portas.
Ao passar pelo homem da gabardina, ele olhou-me e eu gritei-lhe:
“Passa para cá a mala ou atiro-te à linha!” – Estupefacto estendeu-me a mala.
“Cobarde, fica com ela” disse, repelindo-o e subindo as escadas da estação.
Passei as portas de vidro e ouvi lá em baixo o barulho das carruagens a entrar na estação. Voltei-me e desatei a correr escadaria abaixo. Quando cheguei à plataforma o comboio tinha arrancado e na carruagem à minha frente passava o homem da gabardina agarrado à mala com ambas as mãos.
Sábado, Janeiro 17, 2004
Coisas tão felizes
(do José Tolentino Mendonça)
Os princípios são mais perto, mais nobres e mais simples. Mais. Mais. Vive mais diz a publicidade. Comunica mais. Mais o quê? Vai à rua, vê quem passa, Utiliza o teu corpo para te movimentares, faz mais por ti. Não te prendas.
- Quando vamos passear?
Um destes dias está próximo certamente. E que faremos entretanto? Vamos, ficamos. Somos disparates perpetrados contra o ego.
- Vou ver a minha mãe. Levas-me lá?
O terror, a aflição de tantos anos. Um cemitério quase deserto, perdido numa serra. O vento sopra forte no desolado pátio defronte da igreja.
Começar de novo. Onde? Aqui, ali, acolá?
Quinta-feira, Janeiro 15, 2004
A Pequena Caixa
(do Vasco Popa)
Mandarim sou
Filmes de ternos desejos. Fui. Sou?
Procuro apenas o que não encontro.
Distraio-me. Elejo-me como vazio.
Rodeio-te com espasmos. Solto-te para me perder.
O medo? Que medo?
Sou o vazio enquanto me encho de mínimos.
E as queimas continuam...
Já aqui disse que queimo os livros que não quero. A dada altura recebi uma indignada chuva de protestos por tal. Digo novamente:
são meus, faço com eles o que quero. Azar.
Agora fiquei a saber que
ela não gosta e que
ele também queima.
Filhos ...
A Internet está repleta de filhos únicos.
Bolo de Ananás
Que quando temos fome e nos apetece alguma coisa diferente, a verdade é que demorando muito tempo até a encontrar, acabamos por desistir. Será isto verdade? Não sei, mas o bolo que estou a comer agora...hm não me sai da cabeça.
Ingredientes:
1 lata de Ananás;
6 ovos;
8 colheres de sopa de açúcar;
6 colheres de sopa de farinha;
1 colher de chá de fermento.
Preparação:
Separe as gemas das claras e bata as claras em castelo. Junte as gemas com o açúcar e bata até obter um creme branco, e depois misture o fermento, as claras e a farinha, e mexa. Unte uma forma com manteiga, polvilhe o fundo com açúcar e rodelas de ananás de lata. Deite o preparado e leve ao forno a 180ºC até estar cozido (perto de 30 minutos).
Terça-feira, Janeiro 13, 2004
A dois
Já falei por estas linhas perdidas, que em casa pouca televisão se via. Não apanhávamos nem SIC nem a TVI. A RTP1 dava mal (excepto quando a Académica de Coimbra jogava – umas 3 vezes por ano.) e apenas a RTP2 dava bem e de forma constante. Ora, esses tempos já foram. Nunca pensei bem no assunto. Isto até pode parecer anómalo, mas depois lembrei-me de todas as razões pelas quais precisava de TV. Enchi uma página cheia de vazio, quando anunciaram o fim da RTP2.
Os que me são próximos começaram então uma campanha corrosiva para me tentarem convencer dos benefícios da TV. Primeiro, a casa para onde vim morar, tem TV por cabo. Se até agora o desperdício eram 3 canais hertzianos, agora eram 50 mais a metade da mensalidade (algo que só pago por causa da Internet de Banda Larga). Não funcionou.
Depois ofereceram-me um leitor de DVD, mesmo sabendo que não tenho TV. (E leitor de DVD tenho no portátil). OK, tenho leitor, mas não tenho DVDs e não vou pagar balúrdios por filmes que já vi. Ainda por cima adorando eu ir ver filmes ao cinema, único local onde eles merecem ser projectados e vistos. Quem disser o contrário, leva já nos cornos.
Nem assim. Ofereceram-me um DVD. Chegou por correio. Estava muito bem embrulhado e era um filme que eu desejava ter visto na altura em que esteve no cinema. Faltava-me mesmo a TV para fechar o pacote. Mas mesmo assim aproveitei uma ida a Viana para ver o filme no leitor da minha irmã. Ou seja, enganei os que me queriam enganar mais uma vez. Ainda livre da Matrix julgava-me inatingível, nada havia que me fizesse voltar. Consegui?
Como qualquer história que ser preze, vou voltar ao início nesta construção cíclica que parece ser a minha vida. Convencido que a Matrix não me voltaria a agarrar, sentei-me na sala a tentar escrever um pequeno texto para hoje. Pensei falar no carro, mas o
Azoia já está farto de o fazer em relação ao dele e achei que o gosto que ele tem pelo seu carro é mais importante que o meu. Entretanto naquele canal que outrora se chamara RTP2 começava uma nova série. Nova? Não podia ser. Eu conhecia aquela banda sonora. Levantei de repente o olhar e lá estava o genérico.
Six Feet Under ou
Sete Palmos de Terra se preferirem. A Dois, sendo praticamente a mesma coisa que a RTP2 recolocou em exibição uma das melhore séries dos últimos tempos.
Acabei por não ver a série porque estive demasiado ocupado a escrever este texto. Mas a série convenceu-me a comprar uma TV antes da próxima segunda feira à noite. Melhor que isto só se o a RTP2 reexibisse
Twin Peaks do
David Lynch. Aí comprava um ecrã gigante de 100 cm e pedia ao Agent Smith para me reintroduzir na Matrix. Sim eu sei, sou um vendido.
Domingo, Janeiro 11, 2004
Nevoeiro
Hoje o dia foi longo. Já não me lembrava de levantar tão cedo. Por razões profissionais, os últimos tempos foram de deitar tarde e muito dormir. Claro que uma constipação persistente ajudou bastante. Ironia, ironia. Quando mais tempo preciso, menos tempo tenho. Hoje o dia começou cedo. Uma viagem à minha cidade preferida. Sim, Viana. Estou de novo aqui no norte. Amanhã vou tomar um café na esplanada da praia Norte. Se o tempo ajudar, apanhar um pouco de Sol, e depois quem sabe, talvez comer um pinguim( M. como não estás cá, cabe-me a mim a tarefa de ir às guloseimas). Até lá...
Mas eu queria falar de nevoeiro porquê? Devia ser para chamar a atenção apenas.
Sexta-feira, Janeiro 09, 2004
Saldos
Quem me conhece sabe que sou avesso a este frenesim. Sabe que odeio mesmo magotes, e que apenas compro aquilo que eu penso que preciso/quero. Normalmente não decido lentamente. Sou célere e depois da ideia inicial sobre o que quero comprar, compro.
Mentira. Sou mentiroso. Não sou nada impulsivo a fazer compras. Tudo, ou quase tudo o que procuro é ponderado ao ínfimo pormenor. Normalmente não pela razão, mas antes pelo sentimento. Esmiuço compulsivamente a minha relação sentimental com o objecto e depois de decidida a compra sou feroz a atacar e decidido a consegui-lo.
Ora, quem me vê pensa que afinal sou muito impulsivo. Isto porque apenas assiste à parte final da compra, aquela em que eu falo no produto e ajo em conformidade. (A minha mãe pelo contrário, conhece-me melhor, acha que eu sou um indeciso de primeira).
Por estas e por outras razões e aqueloutras que não para aqui chamadas, não gosto de saldos. Porque os saldos não dão tempo para pensar, ou para criar uma relação especial com o objecto. E por isso me penitencio por ter desde logo sucumbido à tentadora parangona das montras. Até tu, Brutus! Até tu.
Quarta-feira, Janeiro 07, 2004
S. Jorge
A preparar mais um pequeno futuro. Um pequeno passo curto, simples e incisivo. Por um instante decidi parar de andar. Olhei para a minha esquerda, depois para a minha direita. Vi que ninguém estava por ali. Ninguém. Tudo estava deserto. O coração não sangrava. Estava morto. Não poderia de forma alguma sangrar. Já não. Depois caminhei para a direita. Vi os filmes que estavam nos cartazes das vitrines. Entrei, subi e fui direito à magnífica cafetaria no foyer do primeiro andar. As suas cores não confundem. Regressei ao passado. Anos 50, altura em que o S. Jorge abriu. A cafetaria é um dos pontos mais agradáveis de Lisboa, não só para tomar a bica quando se vai ao cinema, mas também para um repouso quando está mais sossegada. Um repouso agradável. Sossegado. Num espaço agradabilíssimo afinal o coração ainda tem vida. Alguma. É apenas uma questão de tempo até parar de sangrar.
Segunda-feira, Janeiro 05, 2004
"Happy Songs For Happy People" é o nome do novo álbum dos Mogwai e o mote para os concertos que trazem a banda escocesa a solo luso, dias 5 e 6 de Fevereiro, respectivamente em Lisboa e Gaia.
Praticantes de um rock que rema contra a facilidade das marés de lugares-comuns musicais, os Mogwai ocupam um espaço muito próprio e original que não tem deixado indiferente a crítica especializada. São aplaudidos pela capacidade de fundir a paixão pelo rock com uma vertente mais experimental que recusa convenções.
Stephen Malkmus, dos extintos Pavement - um dos maiores nomes da indie norte-americana - diz que eles são simplesmente "'a' banda do século XXI".
Os Mogwai nasceram para os discos de longa-duração em 1997 com "Mogwai Young Team", ao qual se seguiu uma colecção de singles e um álbum de remisturas. Bem longe da sua Glasgow natal gravaram "Come On Die Young", editado em 1999, ao qual se seguiria "Rock Action" em 2001.
Do
Público. A não perder...
RECADOS
#1
Ainda bem que eu sou academista. Os meus camaradas de hoje ficaram entre o ... e o eufórico. (Há mesmo coisas que não são reproduzíveis, nem mesmo aqui.) Queria apenas era lembrar que ainda nem a procissão chegou a meio e que não vale a penas fazer a festa nem o enterro de nada nem ninguém nesta altura.
#2
Obrigado amiga, pela conversa de dia 3/4.
#3
Ainda respeitante à #1, o
grupo está a funcionar. Falta saber quem será efectivamente o terceiro guarda-redes da selecção. Podem ver
aqui.
Sábado, Janeiro 03, 2004
Japón

O filme vindo do México é uma surpresa e uma meia desilusão. Surpresa pelo arrojo de ser um filme deslocalizado e universal, quando esperava um filme de cultura local. Trata um assunto universal e é uma provocação à igreja e aos religiosos. Afinal o Homem de quem não sabemos nunca o nome, podia até ser uma segunda vinda de Deus à terra. Talvez para acabar o trabalho começado há 2000 anos. Talvez não. Mas por essa perspectiva não ganho eu o dia. A desilusão vai para alguma da utilização de não profissionais na rodagem do filme. O não profissionalismo chega a um ponto que é exagerado. Embora as duas personagens principais estejam muito bem, as secundárias... ai meu Homem. Hihihi. Ok, não explico. Vão ver.
Outra questão tem a ver com em momentos a fotografia não me ter agradado. Sei que o filme foi filmado em 16mm e depois ampliado para 35mm. Ora uma das coisas que acontece quando se filma assim é que o controlo sobre o resultado final não é uniforme. Quantas mais variáveis se introduz mais difícil é. E em momentos não gostei da fotografia.
Por fim, não gosto de um filme tão demonstrativo. Há coisas que penso terem sido desnecessárias. Uma regra da animação é “a sugestão antes da acção”. Neste filme devia-se ter sugerido mais e agido menos. Mas é a minha opinião apenas. Daqui a pouco tenho os realizadores da praça a atacar-me...
Ainda à Procura
Continuo à procura daquilo que poderá ser um dia o perfeito sentir deste site. Até hoje não houve ainda algo que me contentasse completamente. Por isso continuo a procurar. Sempre. Lentamente. A ver onde param as modas. Talvez no dia em que ache que encontrei, ele acabe. Ou então quem sabe se um dia desisto.
JSBX
Jon Spencer Blues Explosion já tocou tudo o que o
White Stripes ainda vai tocar.
Sexta-feira, Janeiro 02, 2004
D. Sebastião
Eu era para falar qualquer coisa sobre o D. Sebastião... Mas só me lembro daquela música “sebastião come tudo, come tudo”. Pelo menos a foto é bonita.
Diário Estelar - Entrada 3456-32-12,43134
Navegamos à vista da grande estrela mãe. Em Espanha começa-se agora a embrulhar as prendas para oferecer. Embora o império esteja cada vez mais forte e a consumir os espíritos dos mais fracos, ainda haverá resistentes por muito tempo. A Coca-Cola não triunfará. A tripulação não desanima. A luta será aguerrida.
A geração 'sex' está pronta. A geração 'next' também. Sex more, Live more. O lema. Atacaremos pela manhã. Uma batalha longa durante este ano. Agora estamos escondidos por detrás da lua menor do planeta XDF-664 do quadrante Yu-3.
O médico de bordo proibiu os implantes de silício para aumento da potência. Diz que não podemos desperdiçar munições. O porão anda vazio. Mas se ainda disparássemos alguma coisa. Há um ano que não vemos ninguém nos radares.
O capitão veio à messe dos praças no outro dia. Trazia uma camisola nova. Estava belo, como sempre. A primeiro-cabo pendurou-se logo nas pontas dos pés. Eu continuei sentado a comer os brócolos de Therivian. O cozinheiro é um pouco abelhudo e coze-os sempre com vinagre a mais. Há quem diga que é para afastar os lineus de Volfan, mas eu acho mesmo é que o tipo tem um acordo com o médico para nos dar cabo da saúde. Ah. O Capitão? Veio cá dizer que a partida deve ser dentro de pouco tempo. Para o mês vem cá outra vez dizer o mesmo.
No outro dia passei pela casa das máquinas. Tenho lá um amigo que me arranja uns filmes pornográficos feitos por duas trufas do planeta. O espectáculo não é bonito de se ver, mas sempre nos entretemos. De vez em quando conseguimos algum tesão com a coisa.
Ontem a nave sofreu alguns impactos. Pensávamos ter-se tratado de pequenos asteróides e fomos ver dos estragos. Quando lá chegamos vimos que tinha sido lastro de outra nave o que embatera com a nossa. Ficou tudo cheio de sujo. Com a minha sorte, fui eu o voluntariado para limpar a merda da F-359-B. Andei naquilo duas horas até que decidi sentar-me a fumar um cigarro. Para minha infelicidade aquilo era explosivo e dali a pouco estava na enfermaria com os pelos do cu todos chamuscados.
Quinta-feira, Janeiro 01, 2004
O Girassol
Andei pela sombra daquele jardim, para a frente e para trás durante tanto tempo. Voltei-me à tua procura sem te encontrar. Queria por fim saber para onde olhar. Para escrever umas palavras que te dizer. Esta noite sonhei com o que queria deste ano. Pena é que me não lembre dos sonhos. Andei para lá e para cá. Para ver onde anda o meu tempo. Para ver onde para o meu pensamento subi a um monte. Fiquei pasmado quando nada vi. Inclino-me. Nada significa. Nada cresce. Nada. Nada. Nada de novo a Oeste.
Arquivos
10.2002
11.2002
12.2002
01.2003
02.2003
03.2003
04.2003
05.2003
06.2003
07.2003
08.2003
09.2003
10.2003
11.2003
12.2003
01.2004
02.2004
03.2004
04.2004
05.2004
06.2004
07.2004
08.2004
09.2004
10.2004
11.2004
12.2004
01.2005
02.2005
03.2005
04.2005
05.2005
06.2005
07.2005
08.2005
09.2005
10.2005
11.2005
12.2005
01.2006
02.2006
03.2006
04.2006
05.2006
06.2006
07.2006
08.2006
09.2006
10.2006
11.2006
Top dos Pods - a MACacada - DR Nimages - Linux Fácil - Sixhat Pirate Parts

Subscrever Mensagens [Atom]