6H Agridoce - netcast de tecnologia, ciência e internet

Emissão em mp3 sobre Linux, open source, novas tecnologias, exploração espacial e os limites da ciência.

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Quarta-feira, Março 31, 2004


 
Porque os silêncios são sempre estranhos, protejo-me detrás de uma cortina de lâminas de titânio, pensando na fracção de escuridão que nos separa. Até que volte a luz. Até que o silêncio seja música e o tempo o odor a terra molhada que inebria a alma.

Terça-feira, Março 30, 2004


 

The Great Slob (do "Septuagenarian Stew" 1994)

I was always a natural slob
I liked to lay upon the bed
in undershirt (stained, of
course) (and with cigarette
holes)
shoes off
beerbottle in hand
trying to shake off a
difficult night, say with a
woman still around
walking the floor
complaining about this and
that,
and I'd work up a
belch and say, "HEY, YOU DON'T
LIKE IT? THEN GET YOUR ASS
OUT OF HERE!"

I really loved myself, I
really loved my slob-
self, and
they seemed to also:
always leaving
but almost
always
coming
back.

Charles Bukowski

Segunda-feira, Março 29, 2004


 

Sir Arnold Bax

Sir Arnold Bax


Normalidades perdidas. Hábitos desavindos na loucura dos homens. Nos princípios dos tempos modernos, perdiam-se em montanhas por fadas encantadas. Ouviam histórias secretas em verdes planaltos. Percorreram os passos de eternos duendes. E viram a luz e lua, o dia e a noite, o sol e a chuva e todos os pontos cardeais perfeitamente alinhados. É bom acordar assim.

Domingo, Março 28, 2004


 

[duas, por favor]

Fórmula do ácido acetilsalicílico, princípio activo da aspirina

Sábado, Março 27, 2004


 

ó... ???

Um biltre que armado ao pedantismo não tem coragem nem de se assumir, nem de ter a honestidade intelectual de directamente expressar a sua opinião.

Como eu adoro hate mails...

Sexta-feira, Março 26, 2004


 

[hábitos]

Gosto de fotografia. Tenho o vício. Uma das últimas saídas foi ali pelas bandas de Santos. Estabeleci um plano para a concretização de uma tarefa audaz, arriscada e se bem concluída, capaz de fornecer algumas flashadas. Pelo menos na vida de algumas pessoas. Não sabia ainda muito bem o que fazer. Matutei sobre o assunto ponderadamente e por fim gizei um plano que cumpri à risca. Fui até Santos e para ganhar coragem subi ao Bar da Barraca para beber um copo de Porto, minha bebida predilecta para as noites semiculturais daquela casa. Depois subi até às escadinhas do Plateau. Isto a horas pouco frequentadas. Ali, cuidadosamente para não ser espantado, apliquei várias camadas de sebo, comprado durante a tarde num talho da Penha de França, em diversos degraus da escadaria. Depois foi apenas esperar. Sentei-me no topo encostado à parede. Coloquei a máquina digital entre as pernas, escondida para que não me detectassem, por debaixo de um sobretudo bastante coçado e velho. Para além disso, ainda não tinha rapado o cabelo e pude espetá-lo fazendo-me passar por vagabundo. Ninguém iria reparar muito em mim. Sentei-me e esperei. Prontamente surgiram as primeiras vítimas. Duas miúdas de liceu, com brutais mini saias e saltos dois números acima do pé. Foram parar quase à porta da Kapital. Tive que conter o riso para não ser detectado.
No fim da sessão, que durou uma hora, conseguira mais uma dezena de polaroids para a minha colecção.

Quinta-feira, Março 25, 2004


 

Um instante

Num instante tudo poderia ser simples... num instante tudo poderia ser sonho... num instante. O mal dos instantes é que nem sempre são próximos. O mal dos instantes é que nem sempre são sonhos.

Quando decido mandar um cavalo para debaixo de um carro, não quero que o cavalo relinche. Quem não quiser, não coma.

Dizem que tenho que deixar de beber tanto vinho... Um dia, um dia... um dia..
Ainda por cima andam a ler o que escrevo. Blog em tempo real... isto devia ter "posts secretos"


 

Poesia de Outono

Chuva. Folhas amarelas. Depressão. Será que a poesia de Outono anda em torno disto?
Andarilho, navegava no rio pela noite. Queria matar a filha, queria. 90% das pessoas são umbiguistas por natureza. Há algum interesse em informar-vos?
CHIU...
Que fazem cá?
Porque vos continuo a alimentar de ...
Outono. E assim ficávamos sem nada para dizer. Realmente não há nada para dizer.
Porque o Outono continua ali fora, do outro lado da janela do quinto andar. Com vista para o Tejo, ou não.
Um cão descobre-o numa toca de Ouriço. Quer lá chegar. Quer lutar contra ele. Comê-lo. E ficou um dia, o Ouriço, na rua, a olhar para o carro que passava do outro lado da estrada. Mentira. Passava aqui.
Morreu? Sim, óbvio. O Outono cegou-o. Caiu. Fui ver que horas eram. Hora de mudar o relógio.

Terça-feira, Março 23, 2004


 

Um pergunta:

Porque é que os bancos de jardim da avenida da liberdade, em Lisboa, estão virados para a estrada em vez de estarem virados para o jardim?

Segunda-feira, Março 22, 2004


 

Onde estão?

Um destes dias talvez os reencontre. Talvez, quem sabe?
Estes são alguns livros perdidos no tempo, na linha do meu passar.

Se por acaso lerem isto, por favor, regressem a casa.

À Espera de Godot
Não Bebas Dessa Água
Poesia Completa de Mário de Sá-Carneiro
Dilúvio de Chamas


 

Agora

Hoje não.
Hoje vou comer um chocolate. Vou abraçar-me. Vou ler e escrever um pouco.
Amanhã? Sim, talvez amanhã.


 

fisga

do Cast. fisga?

s. f., arpão para pescar;
      greta;
      frincha;
      fenda;
      pop.,
      forquilha a que se prende um elástico, usada pelas crianças para atirar pequenas pedras, aos pássaros, por exemplo.

Quinta-feira, Março 18, 2004


 

Bons Ventos

Zapatero vai avançar com lei que permite o casamento entre homossexuais
«SIM»

«Vamos apresentar um projecto de lei para legalizar a união entre homossexuais e o casamento»

E é assim que Zapatero respondeu hoje a uma pergunta na Telecinco espanhola. Com este passo Espanha torna-se num dos países mais avançados em termos dos direitos dos homossexuais. E pode ser que finalmente de Espanha não venham mais maus ventos, porque quanto aos casamentos, parece que vão ser finalmente autorizados.

Quarta-feira, Março 17, 2004


 

Experiência #2

rodrigues, erótico
casamento, layout de
poesia. cidade. jokey da emel

de especado com actividades a fotografia, poesia
como doenças. poesia, venda o conceito!
fugir rotinhos casais
poesia, diversão, fotografia de retrato dos contos.
flores flores
das de roupa,
gay girassol! anões!
fotografia, fazer alimentos!
aborto, poesia! lésbicos, poesia! rodrigues?
álvaro

blog publico! máquinas!
pessoal:
flores, david, jardim.

blog blogspot bombos
filmes e
olhas sobre o fazer

rir do
filho! auto poesia
fotografia
trufas-portugal-bloquear

poesia prisioneiro
alvo molas
estranha perdido a fotografia de flores
cuecão

Domingo, Março 14, 2004


 

Anaïs Nin #4

"Não paro nem consigo descer."

Vou fazer silêncio. Para escrever. Para ouvir o murmurar do que se passa. Vou até lá fora apanhar o sol que não entra no meu peito. Vou. Que a realidade externa é mais fácil que a minha. Que sou um turbilhão. Que não me contenho nas lágrimas pelos outros vertidas. Que sou um fragmento, um instante, um perfeito desalinho do tempo. Uma farpa que se entranhou na carne e que carrego fundo. Sempre mais fundo. Onde não sinto as dores. Não sinto sequer o nada. Onde o silêncio murmura ao ouvido os instantes que busco em correrias do devir.

[ 1 2 3 4 ]


 

BICYCLE REPAIR MAN SKETCH

Monty Python's Flying Circus
CHARACHTERS:
Voiceover (V)
Boy (SB)
Bicycle repair man (B)
Supermen (S1...3)
Superman in need (SIN)

V: This man is no ordinary man. This is Mr. H G Superman. To all appearances, he looks like any other law-abiding citizen. But Mr F G Superman has a secret identity. When trouble strikes at any time, at any place, he is ready to become... BICICLE REPAIR MAN!

SB: Hey, there's a bicycle broken, up the road.

B:

S1: If only BRM were here!

B: Yes, wait, I think I know where I can find him. Look over there!

Caption: FLASH!

S1-3: BRM, but how?

S1: Oh look... is it a stockbroker?

S2: Is t a quantity Surveyor?

S3: Is it a church warden?

S1-3: NO! It's BRM!

SIN: MY! BRM! Thank goodness you've come! Look!

Caption: Clink!
Screw!
Bend!
Inflate!
Alter Saddle!

S2: Why, he's mending it with his own hands!

S1: Se how he uses a spanner to tighten that nut!

SIN: Oh, Oh BRM, how can I ever repay you?

B: Oh, you don't need to guv. It's all in a days work for... BRM!

S1-3: Our Hero!

V: Yes! whenever bicyxles are broken, or menaced by international communism, BRM is ready!


Entretanto o Comunismo já não é o que era. E as bicicletas não se democratizaram, a não ser na Asia. Uma pena. Quero dar as boas vindas ao Bonito ao mundo dos pedalantes. E que não seja preciso recorrer muitas vezes ao Super BRM, e antes muitas ao Super Herói.

Sábado, Março 13, 2004


 

Migalhas

a D

E
Onde sou? Onde és?
Aqui. Em silêncio. Jaz o homem nem sempre curvado.
Foste um segundo, uma farpa de fragmento, uma potência em génese. Como num livro esquecido. Foste. És.
E
Era um telhado com mil telhas vermelhas onde se reflectia uma luz quente. E num canto havia uma negra de tissão. Um sem-saber-que-sou-que-luz-me-aquece. Sou. Era uma escada onde poisavam os instantes. Onde saboreava apenas.
E
O barco vai de saída. Adeus ao cais de Alfama!
Vivi o tempo em elipse que um dia retornou a mim. Trajectória fechada. Reflectida.
O barco vai de partida.
Ou eu,
Foram navegantes os que me deixaram perdido. Foram distantes os poucos que feriram.
Foi o amar-te que me perdeu.


 

Em sentido contrário

Foram instantes os que Titânia trazia ao peito nos amores que desvendava. Eu era um fio de ouro em outro peito fechado. Oberon perdia-se em trabalhos. Titânia em rendas e suspiros. Janelas entrelaçadas sobre um lençol de água fria. Branco de luz. Azul de céu. Negro de breu. Eram ali misturados como numa paleta de artista impressionista. Violentos se olhavam. Tocavam. Titânia o vento norte que soprava no fim do dia de trabalho. Obrion o cabisbaixo carregador de amores marujos. Como tão insistentes nos seus umbigos se perderam sem se encontrar. Sem perceber que nos resquícios dos seus dias, não sobrava mais que o levantar de um olhar para a luz, o céu e o breu e guardar os amores desvendados em fios de contas de ouro.

Inspirado em Titânia de Mário Cesariny


 

Eras

Ordem, manifestação. Veio da aldeia ao cimo do planalto com aquela ladainha presa na ponta dos lábios. Sempre monótona. Um ruído surdo que enchia a sala onde jantavam. Onde o tilintar dos talheres nos pratos sempre era um silêncio gelado. Um momento onde o grito se amainava e lá fora acalmavam o passo por cansaço. Ele levantou-se sem falar e dirigiu-se ao escritório. Ouviu-se um estampido violento que silenciou por um átomo de tempo o pântano da surdina que passava. De novo os talheres tiniram, desta vez caindo violentamente contra o vidrado da china. Cadeiras arredaram-se e o choro inundou o pântano. O rio que vinha da aldeia ao cimo do planalto sussurrava aquela ladainha que trazia presa na ponta dos lábios.

Quinta-feira, Março 11, 2004


 

A Preto e Branco, Cores e Electrões

Dia 3 de Abril, passeata alentejana. A não perder. Tragam a câmara fotográfica, a boa disposição e olho vivo! Mais detalhes aqui e aqui.

Quarta-feira, Março 10, 2004


 

A máquina de café!

Máquina de café

Sabem quando fazemos asneiras atrás de asneiras? Eu sou assim com a máquina de café. Ponho o café a tirar e fico distraidamente a ver a chávena encher e, tanto vou vendo, tanto vai enchendo, que acabo invariavelmente por ter que limpar o balcão. E eu até gosto de italianas.



 

Fotos

Mudei a localização do meu foto blog... a partir de agora podem encontrá-lo aqui


 

Agradecimento

Queria agradecer aos senhores dos serviços municipalizados de recolha do lixo, aqueles que andam a empurrar carrinhos pelas ruas e apanhar o que lá deixamos avulso. Se não fossem eles, a esta hora estava metido em despesas maiores. Por isso, aqui fica o meu muito obrigado.

(só não perco a cabeça porque ainda não a encontrei desde a última vez que a perdi)

Segunda-feira, Março 08, 2004


 

As classificações.

Eu já não me chateio com as classificações que me dão... Estou como tu, gostava que as pessoas gostassem do que escrevo. Se não gostam, bem que ao menos podiam estar caladas, para não dizerem asneiras. É que pelo que percebo, muitas apenas falam por falar. Porque é tipicamente português comentar e rotular. Porque apanhei mais um na teia dos blogs. Porque tenho mais que tu. Porque sou o campeão!

Dou um exemplo: O Aviz, do famoso blogosférico, Franciso José Viegas, é um daqueles que classifica em barda. Tem no blog 339 links para blogs, e por acaso o meu blog foi dos primeiros que ele classificou... como sendo “sixhat agridoce (brasil)”. Agora gostava de saber porque motivo diz ele que eu sou brasileiro... Algo que eu nunca percebi, pois no meu bilhete de identidade está PORTUGUÊS no campo da nacionalidade. Para além do mais passo a vida a falar aqui de Viana do Castelo e de Lisboa. Mas ele lá entendeu que devia ser brasileiro. (Penso que ele nunca deve ter visitado o meu blog).

Outro caso. Num desses tipos que classificam blogs por desporto. Encontrei o meu blog classificado como Fotografia... Ou Fotoblog Europeu / Portugal... Este ao menos acertou no continente e no país, mas o meu blog não é nenhum diário fotográfico.. nem nunca teve intenções de o ser... é mais um daqueles casos em que eles olham para os últimos dois posts... e se por acaso estiverem lá duas fotos... está classificado... E nunca mais se volta a ler o blog.

Terceiro caso, a dada altura falei no blog de banda desenhada. Isto foi por altura da BD da amadora. Eu escrevi sobre o evento e disse a quem me leu para ir lá... Apareci classificado como 6Hat BD... e ainda hoje é assim. Menos mal este, porque efectivamente gosto de banda desenhada, e muito, gostando particularmente de Frank Miller e a sua Sin City e de Patrick McDonnell com o Mutts.

Domingo, Março 07, 2004


 

Tudo

a partir de uma ideia de D

Pequeno. Sentes-te como formiga forasteira no vasto de uma espessa tundra. Árdua tarefa que sentes na pele. Preparas a mão esquerda, colocas o mindinho no chão e com o polegar fazes pontaria, ele reluz nos dedos da tua mão direita.

Tropeças e cais!

Quase desiste o vento de soprar para te ajudar. Pára o Sol de jorrar os seus cântaros de luz e olhas perdido em volta. Riem-se. Vês um olho pequenino, que brilha, reflectindo a sombra da noite. E uma gota de frio orvalho aloja-se no ninho do nariz. Sente-la.

Passa o tempo, passa o vento, já não há suspiro. Partem, entram em casa deixando o jardim cair na penumbra. Levantas-te e nessa noite olhas da janela para o agora vazio instante, que separou o tudo do nada.

Sábado, Março 06, 2004


 

Poema

Colhi uma flor

Enquanto dormia o sono que te esperava
A flor era eu
tu num instante
Amanhã seremos pétalas caídas, novamente
Nas cores que confessamos, que vertemos
A um chão comum.


Lisboa, 6 de Março '04

Sexta-feira, Março 05, 2004


 

Atlântico

Vermelho, doce ensejo
Ilusão, demonstro-me no cárcere de um fio de seda
Acalmo o tempo
O estio, o desejo, uma impulsão, um eterno devaneio.

O mar, o chão, o ar, que navego e perco e deixo e parto
E eu aqui sereno, a ver bater a luz, a ver bater o mar.

Lisboa, 5 de Mar '04

Quinta-feira, Março 04, 2004


 

Esquecimentos

Esqueci. Estava lá, na minha agenda, mas esqueci.
Esqueci porque não me lembrei. É óbvio. Não há mais explicações. E a verdade é que esqueci e paguei.

Agora. Agora tapo a cara com um lenço preto. Protesto contra aqueles que ali em baixo se apoderam do poder decisório. Mas que nunca se esqueceram, porque afinal nunca se distraíram, nunca. São tão perfeitinhos nas suas contradições. Discutem as diferentes nuances de cinzento num assunto de preto e branco. E eu fui preto, de luto como agora. Foi de pernas abertas, escancaradas para uma luz branca, que cega, que chorei.

Fui eu quem sorveu as lágrimas que eles dizem sentir na consciência. Fui eu. Mas tapo a cara com um lenço preto e levanto-me. Levanto-me para me cuspirem na cara mais uma vez. Para ter polícias a expulsarem-me da minha voz e eles poderem ficar sossegadinhos de consciências tranquilas, porque mais uma vez discutiram se este preto e aquele branco afinal não eram mesmo dois tons de puro cinzento.

Quarta-feira, Março 03, 2004


 

Tão actual, tão real...

"Mais desabridos e logo violentos eram uns Seres Quadrados, que tinham a boca para baixo e respiravam bem debaixo da terra. Com estes, pouca gente queria contar - eram algo como um presságio de convulsões. Não se pode dizer que fossem estáveis - esse, embora, o seu maior propósito. Em todo o caso, poupavam desilusões trabalhando como danados, nunca olhando para cima e fornecendo o maior contingente de carga útil ao comércio violento da cidade, que dirigiam de longe, dentro de caixas."

In Titânia - História hermética em três religiões e um só deus verdadeiro com vistas a mais luz como Goethe queria de Mário Cesariny

Terça-feira, Março 02, 2004


 

Explicação do porquê d’As Novelas de Carmen.

Depois de num post anterior ter utilizado o título “As Novelas de Carmen” para descrever a evolução de escrita do meu livro, ou antes, a falta dela, achei que seria altura de explicar o porquê desse título mais que provisório, que espero o seja e nunca passe a definitivo, mas que ainda não foi substituído por puro comodismo, falta de imaginação e inanição pura. Adiante.

Carmen, foi durante o tempo de escrita o título provisório do romance do João Paulo Cuenca, que depois de lançado se passou a chamar “Corpo Presente”. João Paulo Cuenca tem um blog, que mantém ainda, e cujo propósito era:

Diário do processo de edição e finalização do meu primeiro livro, "Corpo Presente", pela Editora Planeta. Aqui pretendo relatar o que de importante acontecer nesses dias, entre detalhes técnicos de edição, paranóias, angústias, bloqueios, motivações espúrias e tudo que envolve o processo de escrever, desde substâncias químicas até joguinhos mentais e auto-ajuda.
in Carmen Blog de João Paulo Cuenca

Naturalmente, acompanhei os últimos tempos de construção do livro e Carmen tornou-se um fiel posto de paragem diário. Entretanto, o João Paulo editou Carmen com o título de “Corpo Presente”, já disse, e por essa mesma altura surgiu o meu projecto, a partir de uma ideia persistente que teimou em não desaparecer.

Carmen não é nem nunca será o título do meu livro, não será nunca o nome de alguma personagem. Não pretende em nada imitar ou relacionar-se com o projecto do João Paulo Cuenca. Aliás, não li sequer o livro dele. Tenho curiosidade, mas aqui por Portugal é complicado arranjar edições do outro lado do atlântico. E eu não concebo pagar mais por portes do que por literatura.

Voltando ao que interessa. Carmen foi, é e será (por pouco tempo, espero) o nome que eu dei à pasta onde tudo o que esteja relacionado com o meu livro ficará? Porquê? Porque Carmen simbolizou o tempo que li a evolução do livro do João Paulo Cuenca através dos seus escritos no blog. E em parte simboliza a ideia de projecto que tenho para o meu.


 

Nada

É um poço sem fundo do qual não sabes sair porque nada vês. Até que começas a tactear e aos poucos sentes a madeira semi-húmida de uma escada. Colocas um pé no primeiro degrau... e sobes. Mesmo sabendo que o poço é infinito e que nunca verás a luz. Mas sobes e passo ante passo, degrau a degrau, sobes e sobes e sobes. Primeiro, com o medo de cair ainda olhas para baixo, para a escuridão. Aos poucos, ganhas confiança e vais subindo mais velozmente. Até que por instantes esqueces-te do fundo do poço e pensas só no teu destino. E sobes e sobes. Até que chega uma altura em que tens a dúvida se valerá a pena continuar a subir. Mas sobes. Porque na escuridão não sabes se estás mais perto da saída se do fundo. E sobes. Ao fim de vários dias, meses e anos sempre a subir, subitamente ouve-se uma voz vinda do fundo do poço...

«Olha, estou farto de descer, vou antes subir agora»

Como é tal possível? Deviam-se ter cruzado contigo. E percebes então que o poço está cheio de escadas. Que permitem a movimentação em todos os sentidos e que todas levam a todas as outras. Que a gravidade dentro do poço é uma questão de perspectiva pessoal e que ficarás eternamente retido neste cárcere. Tens duas opções... ou continuas a subir até encontrar outra escada ou deixas-te cair a um fundo que sabes infinito.

Segunda-feira, Março 01, 2004


 

O futuro da publicação de livros?

Será este o futuro da publicação de livros? Agora todos editarão o seu sem mais desculpas... e as editoras deixam de fazer parte do processo? Mentira. Apenas ficarão com a fatia mais rentável...


 

As novelas de Carmen

Buk escreveu o Post Office em 3 semanas. Keruac escreveu o On the Road em 3 semanas. Começa-se aqui a desenhar um padrão. Simenon, acho eu, dizia que precisava de 21 dias para escrever um policial do inspector Maigret. 21 dias apenas. 3 semanas novamente. O meu livro, se fosse para escrever com um destes calendários, já estava fora de prazo.


 

Charles Bukowski

Charles Bukowski


 

BRRRRRRRR.....

Que frio esta manhã...

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