Sixhat Agridoce - netcast de tecnologia, ciência e internet
Emissão em mp3 sobre Linux, open source, novas tecnologias, exploração espacial e os limites da ciência.
Quarta-feira, Junho 30, 2004
T-2
Terça-feira, Junho 29, 2004
T-3
Segunda-feira, Junho 28, 2004
T-4
Roman
On n'est pas sérieux, quand on a dix-sept ans.
- Un beau soir, foin des bocks et de la limonade,
Des cafés tapageurs aux lustres éclatants !
- On va sous les tilleuls verts de la promenade.
Les tilleuls sentent bon dans les bons soirs de juin !
L'air est parfois si doux, qu'on ferme la paupière ;
Le vent chargé de bruits - la ville n'est pas loin -
A des parfums de vigne et des parfums de bière...
Arthur Rimbaud
Domingo, Junho 27, 2004
Golpe de Estado
I
A sensação que a mudança de mãos, que se prepara entre Belém e S. Bento, transmite, é a de um
coup d'etat ao mais alto nível. Um golpe de estado palaciano onde quem sai não quer perder o poder e quem entra não passou pelo crivo da cruz do
povo. Ora se isto não é um golpe de estado nesta
ditadura democrática então não sei o que será. Já não se fazem golpes de estado de tanques na rua.
II
A segunda nota vai para a falta de espírito democrático do presumível sucessor. Ainda antes de Durão se demitir, ainda antes de o Presidente da República decidir, já Santana Lopes conversa com Paulo Portas sobre a formação do novo Governo. E claro, Paulo Portas é o único a capitalizar com este "
golpe".
III
Por fim e para não me alongar, depois de umas eleições europeias tão pouco concorridas, onde os políticos mais uma vez foram questionados na sua utilidade pelos portugueses e onde o presidente veio a terreiro pedir elevação e o
voto dos portugueses, penso que não lhe restará outra solução que não seja a
dissolução da assembleia para que os portugueses votem e digam de sua justiça.
Caso tal não aconteça, continuará o
alheamento do povo em relação aos políticos, aumentando o descrédito que as pessoas têm em relação à utilidade do seu voto. E daqui por dois anos talvez nem haja
eleições... apenas talvez uns tanques na rua? Mas se calhar nem isso será preciso... Pelo menos pelo caminho que esta
ditadura democrática parece seguir.
Afinal se isto acontecer pergunto-me e pergunto-te:
Quanto vale um voto?
Quinta-feira, Junho 24, 2004
Saudades de Viana do Castelo
De repente ou num repente, enchi-me de saudades desta minha praia do cabedelo, de uma bola de Berlim no Manuel Natário, de um passeio de bicicleta até ao fim do pontão da praia norte, da Bertrand da Praça, da Isamira também, do Instituto da Juventude com o seu fumo insuportável, do meu Girassol solarengo onde passo as tardes a escrever, do Aquário, do ar húmido que se respira, do cheiro a sargaço, do Gil Eanes, do Tabuinhas em Carreço, de um sarrabulho em Ponte do Lima, de um arroz de cabidela no Cedro, de cada rua e viela a quem conheço as pedras como um mapa...
E claro da minha mãe, meu pai e minha irmã... e já agora, das 3 gatas que estão lá em casa também. Dos amigos que não vejo há tempo demais, das pessoas, do sotaque, da agitação, da hospitalidade... de subir lá cima e ver a vastidão de uma vertigem, de sentir o céu mais azul e sorrir.
Esta semana vai ser complicada. Nunca mais é dia 2...
Quarta-feira, Junho 23, 2004
Teachers defend school skirt ban
E assim acabam com a imagem que nós temos das colegiais...
(Ai colegiais... )
Mas em todo o caso, a obrigação das raparigas utilizarem calças até parece ser algo que vem na linha de pensamento do que uma sociedade moderna é: (risos na plateia)
Um voltar ao passado... Minhas senhoras, preparem-se para um destes dias chegarem às
urnas e vos ser barrado o
direito de voto. Aliás eu vou falar já com a minha irmã para que ela aprenda piano e fale francês, senão... ninguém lhe pega.
E quanto ao senhor que pretende impedir as suas alunas de usar saia, talvez deva reflectir porque precisa de o fazer. Será que olha para as suas pernas com alguma intenção menos própria? E já agora, porque é que afinal precisam os seus alunos de andar de uniforme? Estes brits são doidos... ( e pensávamos nós que eram os romanos)
Segunda-feira, Junho 21, 2004
O Último Poema?
Cavalo. Cavalinho. Cavalicoque.
Deixá-lo.
Coitadinho.
Carvão de coque.
Matá-lo
Devagarinho.
Lá vai ele a reboque.
Cavalo. Cavalainho. Cavalicoque.
Mário Cesariny (1923)
Sexta-feira, Junho 18, 2004
Em que filme foi tirada esta fotografia?
Um pequeno desafio apenas para os mais curiosos:
Em que filme do grande mestre foi tirada esta foto? Claro que isto não é suficiente. Gostava de saber qual o filme de Alfred Hitchcock gostas mais. Responde nos comentários. Qual a actriz preferida dos seus filmes? Qual a cena mais marcante? Tudo o que te apetecer dizer sobre Alfred Hitchcock.
Quinta-feira, Junho 17, 2004
passando o olhar por um verso
(...)
O pó das praias sempre me soube à dormência amarela das secas...
Guilherme Rodrigues n
os Fazedores de Letras n.56.
Terça-feira, Junho 15, 2004
I'll keep an eye out for other things that may interest you.
Estava junto à rotunda do Freixo, quem vira para a marginal, parado, a conversar com um amigo. Um badego atravessou o céu, cruzando o sol, qual trânsito de Vénus (a propósito David, gostei das tuas fotos) e permitindo-me ver a faísca de uma cauda de lume.
O gigante que queimava entre os dedos começou a fazer sentir-me a sua força inoportuna e finalmente desviei a porra do olhar soltando um impaciente "foda-se".
Sexta-feira, Junho 11, 2004
"Este nacionalismo a propósito do futebol é pouco e a bandeira custa um euro. A verdade sociológica mais profunda é que este é um nacionalismo barato"
"face à consciência nacional de um défice de resultados positivos (do país), os portugueses querem sucesso rápido, breve e imediato, e o futebol resolve-se em 90 minutos"
"Desse ponto de vista, o futebol é fantástico, porque é a plena consciência nacional do fracasso"
Carlos Fortuna ao
Público
Quarta-feira, Junho 09, 2004
Até o jade se quebra
Até o jade se quebra
e até o ouro se altera.
Até as penas do quetzal mudam de cor:
a vida, na terra, não é sem fim,
estamos apenas um instante aqui!
Nezahualcoyotl
Terça-feira, Junho 08, 2004
Trânsito de Vénus em Lisboa
Domingo, Junho 06, 2004
A passarada.
Oh Se faz
favor Tá vendo o que eu quero dizer? Não tá?
Deve ser cego?
E agora?
Tá vendo a preto e
branco?
Mexa no botão. Não deu? E na antena?
Já mexeu?
A emissão é a cores
sim. Não. O problema não é daqui. Mexa mais para a direita...
Está quase...
mais um pouco. Está a
melhor agora?
Porque é que não vê? O que vai fazer?
Buscar a espingarda?
PUMMMMM!
Cof, Cof, Cof, era escusado isso... cof cof
Já vê? Sim? Excelente.
Então sente-se.
A emissão vai começar...
Já agora, a que é que disparou? Aos badegos que lhe cagavam a antena? Hm...
compreendo. Podem efectivamente causar graves problemas de transmissão.

Engenheiro Sousa Veloso - Boa tarde senhores espectadores, bem vindos a mais um p'og'ama TV Rural. Hoje vamos falar da criação de suínos nas propriedades do Alto-Alentejo. Para isso temos connosco um proprietário de uma suinicultura de Portalegre, o senhor David Rodrigues, a quem agradeço desde já a cedência das instalações para a realização deste p'og'ama.
Sábado, Junho 05, 2004
Explicações?
Ela entrou, deitou-se na minha cama. Quando me aproximei para a beijar, perguntou-me, desviando os lábios, que raio queriam dizer os números ao lado do seu nome no meu caderninho azul?
Há coisas que não queres saber, não querem dizer nada que te interesse, disse eu, tentando desviar-lhe a atenção para o facto de ainda me não ter dado um beijo. Mas ela voltou à carga:
Interessa sim, é que não sou eu a única a estar lá... todas as tuas exs tem também números lá! O que querem dizer?
Ainda me chateei e disse-lhe que fiquei muito ofendido por ter lido o caderno sem me pedir. Que era uma invasão de privacidade. Mas ela nada, voltou à carga com a pergunta dos números.
E que fizeste?
Então achei que a conversa não ia a lado nenhum. Disse-lhe que tinha que ir à cozinha. Levantei-me e fui. Saí pela porta dos fundos e vim até aqui ao bar.
E ela?
Ela ainda está lá. Deve andar às voltas com o caderno. Não sei quanto tempo vai ficar por lá, por isso podemos ir pescar hoje de tarde, não?
Sexta-feira, Junho 04, 2004
início de fim-de-semana
Fim de semana, sem vontade de cozinhar. A minha gata correu para cima dos móveis e já atirou com um vaso ao chão. A minha ex telefonou a perguntar pela pensão dos putos.
Já é dia 4 e ainda não foste ao banco depositar o cheque. Eles precisam de comer. Tu partiste para parte incerta. Incontactável. O trabalho acumula-se. As europeias passam-me ao lado. O futebol também. Recebi catálogos novos para compras antigas! Admirável. Agora não preciso deles. Já fiz uma máquina de roupa, outra a caminho. O rádio sussurra Coltrane. O trabalho acumula-se. Mais ainda. Há 48 horas que não consigo disfarçar um mal estar tremendo.
E não te esqueças que prometeste jantar com os teus filhos esta semana. O ... tem teatro na quinta. Eu vou para fora no fim-de-semana das eleições com o J. (Cabrão, um dia furo-te os pneus do BMW) e tens que ficar com as crianças. Algo está ao lume na cozinha. Fui ver e tinha uma panela com água a ferver há meia hora. Era para um chá! Azar. Que será que dá hoje na televisão?
Dá os parabéns à tua mãe que já não a vejo há muito tempo. Diz-lhe que quando lá for, lhe levo uma treta qualquer que já não ouvi. Fiquei sem bateria. Há quanto tempo não falo com a minha mãe? Sinto-me sozinho! Peguei no telefone da companhia e telefonei-lhe.
Mãe, vou aí jantar. Saí, deixei um estore aberto para que o cheiro a esturricado se diluísse durante a noite. Apaguei as luzes e à saída ainda dei um pontapé na gata.
Sai-me da frente, Carica!
Vassily Kandinsky
NoBidades
Olha a bibinha! Quem quer a bibinha? O Madame, compre esta faneca que está fresquinha! Benha aqui, madame. Compre, compre, é 2 Euros a meia dúzia. É comprar, madame. Bibinha, olha a bibinha!
Quinta-feira, Junho 03, 2004
Warm Light
alone
tonight
in this house,
alone with
6 cats
who tell me without
effort
all that there
is
ti know
Charles Bukowski em
The Last Night of The Earth Poems
Quarta-feira, Junho 02, 2004
Ambiente impróprio? Mude-se!
Os efluentes líquidos e os lixos provenientes de um aglomerado populacional, tornam o ambiente e vizinhança dessa comunidade desagradável e doentio. Em civilizações primitivas, a própria comunidade mudava de local quando o ambiente se tornava impróprio.
in J.M.Novais
Terça-feira, Junho 01, 2004
[ Vida do Marquês de Sade ]
2 de Junho de 1740. Nasce Donatien-Alphonse-François de Sade, em Paris. Conhecido como Marquês de Sade, deriva do seu nome a conhecida expressão "sadismo".
1757. Serve na "guerra dos Sete anos"
1763. Casa com Renée-Pelagie de Montreuil. 15 dias de cadeia por "práticas libertinas"
1765/66. Várias ligações com actrizes e prostitutas.
1767. Morte do pai, Conde de Sade. Nasce o seu primeiro filho.
1768. Processo Rose Keller em Arcueil. Quinze dias de detenção em Saumur e mais sete meses em Pierre-Encise, próximo a Lyon. Festas e bailes no castelo de "La Coste", na região de Provence.
1769. Nasce o segundo filho.
1771. Nasce a sua filha.
1772. Condenado à morte à revelia. Foge para Itália. A 12 de Setembro é preso em Chambéry e é transferido para Miolans na Savoie.
1773. Foge de Miolans.
1774. Esconde-se no seu castelo de "La Coste".
1775. Novo processo de 5 jovens de Vienne e Lyon. Nova fuga para Itália.
1777. Morre a sua mãe, senhora de Sade. Preso em Paris, é enviado para a masmorra de
Vincennes onde conheçe o conde de Mirabeu.
1778. Tentativa de fuga. É capturado em "La Coste" e volta a
Vincennes.
1782. Escreve
Dialogue entre un prêtre et un moribond.
1784. Após uma tentativa de fuga, é transferido para a Bastilha em Paris.
1785. Escreve
Cent vingt journées de Sodome.
1787. Escreve
Contes et d'historiettes.
1788. Escreve
Les Infortunes de la vertu, uma versão preliminar de
Justine, publicado em 1791.
2 de Julho de 1789. Alegadamente Sade grita da cela à populaça da rua "Estão a matar prisioneiros aqui" causando uma pequena revolta. Dois dias depois é transferido para o hospício de
Charenton. Dia 14 dá-se a revolta da Bastilha que marca o início da revolução francesa.
1790. Encontra-se novamente livre e a mulher divorcia-se dele. Conhece Marie-Constance Quesnet
1791. Publicação clandestina de
Justine.
1793. Preso por cerca de um ano, acusado de "moderadismo", escapa por pouco à guilhotina.
1795. Publica
Aline et Valcour, e
Philosophy in the Boudoir.
1798. Publica
Juliette
1800. Publica
Crimes de L'amour. Publica clandestinamente
La Nouvelle Justine.
1801. Napoleão Bonaparte ordena a prisão do autor anónimo de
Justine e de
Juliette. Sem direito a julgamento é feito prisioneiro na prisão de Bicerte.
1803. Sade é declarado mentalmente doente e é transferido de novo para o hospício de
Charenton onde organiza espectáculos.
1810. Sade inicia um relacionamento com Madeleine Leclerc de 12 anos, que durará quatro anos até à sua morte.
1813. Publica oficialmente
La Marquise de Ganges.
2 de Dezembro de 1814. Morre no hospício de
Charenton. O seu filho mais velho queima todos os manuscritos não publicados.
Esta biografia do Marquês de Sade é breve, incompleta e não exaustiva. Existem na internet muitos recursos sobre a vida deste aristocrata francês onde se podem encontrar mais pormenores sobre a vida do mesmo. A sua escrita aqui serve como um guia rápido para quem quiser de uma penada ter uma visão do que foram os 74 anos de vida do Marquês de Sade e poderá servir de ponto de partida para outras explorações.
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