6H Agridoce - netcast de tecnologia, ciência e internet

Emissão em mp3 sobre Linux, open source, novas tecnologias, exploração espacial e os limites da ciência.

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Quinta-feira, Setembro 30, 2004


 

Com o café já tomado

Devemos definir o homo sentimentalis não como uma pessoa que experimenta sentimentos (porque todos somos capazes de os experimentar), mas como a pessoa que os erigiu em valores. A partir do instante em que o sentimento é considerado como um valor, toda a gente quer senti-lo; e como todos nos orgulhamos, dos nossos valores, é grande a tentação de exibirmos os nossos sentimentos.
Milan Kundera, A Imortalidade


 

Já sei do que preciso

[ CAFÉ ]

Quarta-feira, Setembro 29, 2004


 

Temporada de Patos

Nimages: Indie LisboaA segunda surpresa do festival. Um filme onde quatro personagens "problemáticas", um jovem, Flama, cujos pais se divorciam, outro, Moko, com dúvidas na descoberta da sua sexualidade, uma jovem, Rita, com uma mãe que a abandona e um Pizzaman, etnógrafo (não me lembro do nome dele, mas é o único adulto! Esperem? Adulto? Ok.. pode ser), cuja vida é passada a cuidar de uma tia enferma. A descoberta, numa tarde de domingo, das suas realidades, da sua confrontação e dos seus desejos, num ambiente sereno, onde a importância das coisas é colocada em perspectiva pela coincidência de se encontrarem os quatro na mesma casa.

Este filme arrisca-se a ser um dos vencedores do festival. O realizador mexicano, Fernando Eimbcke, dirige o filme com grande sentido de ritmo, ao que não é alheio o seu trabalho prévio em vídeo clips. Aliás, a ligação música-imagem denota bem as origens do realizador, tornando-se, em momentos, excessiva para alguns gostos mais "cleans". Apesar disso será certamente um dos vencedores do festival, mais não seja pela parte do público, se bem que isto serão contas que se farão no fim.

Terça-feira, Setembro 28, 2004


 

Venha também ao indie lisboa

Claro que os dois posts anteriores foram colocados ontem à noite, já hoje de madrugada.

Hoje é dia de cinema mexicano. Amanhã descanso. Talvez! Não me canso de publicitar. Em vez de ir ver o matt damon, que até já esteve melhor que ultimamente, a partir tudo em cacos... vá ao INDIE. E não se assuste. Lá, ninguém percebe nada de cinema. Anda tudo de sandálias e de cabelos ao vento. Espampanantes. Doidos. Jovens. Mas todos de olhos abertos para ver, participar. Estar presente! Venha daí. Se não gostar prometo que só dura até domingo. (este ano)


 

Abbas Kiarostami - 10 on Ten

Aconteceu hoje no indielisboa um dos melhores momentos do festival (um dos, porque não fui a todos). 10 on Ten não um filme sobre Ten ou outro qualquer filme do realizador iraniano. 10 on Ten é uma lição de cinema por um dos seus grandes pensadores. 10 on Ten, muito mais que um grande filme, é uma enorme lição a ser bebida por quem estuda, realiza e vê cinema. 10 on Ten é um filme que ensinando a ver, ensina também a fazer, prendendo o interessado à lenta subida do cenário de "O gosto da cereja". Uma lição tão importante e bem conseguida merecia uma exibição extra até ao fim do festival. É pena, pois certamente voltaria a esgotar a sala.


 

Os meus nomes

Gosto de dar nomes estranhos às minhas fotos. Gosto porque esses nomes fazem sentido, pelo menos a longo prazo. Tornam-se parte da própria fotografia. Entranham-se nela com o tempo, como o perfume num vestido de pura seda.
E depois é como outras coisas estranhas que fazemos na vida, como dar nomes aos nossos filhos sem nunca lhes termos vistos as fuças com 20 anos de idade. Começámos por fazer listas logo que sabemos ir ser pais e nem adivinhámos se serão gajo ou gaja. Somos uns tótós lamechas, mas gostámos.
E se fazemos coisas tão estranhas como adivinhar o nome correcto para uma cara que não imaginámos, porque não poderei eu dar nomes estranhos às minhas fotos? Dou porque gosto.

Segunda-feira, Setembro 27, 2004


 

Foto Tosqueira

Guarda de Honra
Está a ser montada uma galeria de fotos toscas, muito mal tiradas, ali ao lado. Passem por lá, comentem, opinem e perguntem o que quiserem. Não sejam muito maus. As fotos já o são e já temos noites muito mal dormidas por causa da nossa falta de jeito para o boneco.


 

No silêncio

não serei o teu reflexo, disse escapulindo-se entre as chávenas de café e vendo-se em corpo inteiro no espelho, ao cima da escada, passaria incólume, sem ser tocada pela casa, porque não a aceitaria nunca, ir-se-ia embora igual a si própria, porque recusara ouvir as suas vozes,
Teolinda Gersão, Paisagem com mulher e mar ao fundo


 

Pequenas Meninas Malvadas

Em 10 minutos. Fulo da vida, decepcionado, levemente aéreo e feliz, para terminar completamente distraído, absorto em esquecimentos de outros tempos. Assim e depois de me libertar da carga negativa que trazia dentro de mim, sorri e arrependi-me. Mas já tinha colocado o Voto na URNA.

Domingo, Setembro 26, 2004


 

La fenêtre sur la montagne

Disseram-me em criança «não subas às árvores, podes cair».

Todas as noites vou dormir com um soco no estômago. Não aguento regressar a casa sem andar à pancada. Não é repetição nenhuma de algum filme. Mas tenho sempre que andar à pancada. Pelo menos sinto-o como se de facto tivesse realmente levado um soco no nariz. Porque não me calo. Porque detesto as hipocrisias que me querem impingir. Cortar cordões umbilicais dizem, largar as saias da mãe. A verdade é que me fui habituando ao sabor do sangue. Ao fim de algum tempo uma pessoa habitua-se a tudo, dizem. É verdade. E por vezes aprende-se a gostar também.

Também é verdade que continuo a subir às árvores. Já parti uma perna e esfolei um braço. Uma vez cai de cabeça e preguei um susto de morte a minha mãe. Mas continuo a subir. E como não há árvore que seja impossível para mim, (acho eu, até cair novamente) lá continuo de nariz empinado a olhar as copas das mesmas e a desejá-las, a amá-las, mesmo sabendo que não me compreendem e que me acham um tonto por tantas vezes tentar. Esqueço-me que estou no alto. Esqueço-me do meu suporte e esqueço-me de mim. E invariavelmente a árvore atira-me ao chão.

Pediram-me um beijo e eu tinha pedras nas mãos sem saber que lhes fazer. Pode-se dizer que foram tratados no Hospital os efeitos dos meus beijos. Não sou de meias medidas quando perco a paciência, sabia-lo, ou talvez não. E hoje não vim para casa com os lábios roxos ou ensanguentados. Acabou. O cordão umbilical ficou lá onde devia ter ficado. Entre o azul de um lago e o risco amarelo de um sorriso condescendente. No silêncio dessa montanha que tens dentro de ti, que nunca quis subir e nunca pretendi ter como cenário de minha janela.

Sábado, Setembro 25, 2004


 

Amanhecer Entre os Selvagens

Lisboa, não se reflecte a queda de neve prevista para o fim de semana. Mas também não faz calor. Síncope cardíaca em cada floco. Em cada instante. O garçon da pastelaria esqueceu-se de me trazer o eclair recheado... Um café e uma água das pedras. Melhora consideravelmente o meu dia a dia. Manifestações de cor jorraram na rua. Na imensa turba de gente que se atropelava para conseguir ver, tocar e cheirar os desejos orientais. Incenso. Especiarias. Ilusão e fantasia. Sonho ligeiramente construído e sempre desejado. Sempre procurado entre as frinchas de um soalho, calçada ou mesmo alcatrão. Da uniformidade surge essa diferença única de a minha peça ter já sido usada. Mais que a tua. Mais, melhor, potência sétima de uma carteira recheada de petro-dolares. No dia em que me sentei contigo, vi essa fracção de impossibilidade. Deitei-me de costas e contemplei o céu vazio de nuvens.
Lá fora começou a chover.


 
gatos no elevador da lavra - @David Rodrigues

Sexta-feira, Setembro 24, 2004


 

Hoje e toda a semana...



 

Schedar

Noite de leituras com vagar(es). Ainda à procura do meu tom de arco-íris.

Quinta-feira, Setembro 23, 2004


 

Como Fazer Poesia

Lição n.º 6
Um poema é feito, como tem sido notado com frequência, de palavras, não de sentimentos; segue a lógica da linguagem, não a das emoções. Um tema emocional deve o seu significado artístico ao contexto da obra em que participa e não ao contexto das experiências da quais surge. Tem vida própria, como T.S. Eliot observou, «no poema e não na história do poeta». O Conteúdo integral de uma obra de arte pode tornar-se banal e impalpável se tirado da textura da obra e recolocado na sequência do desenvolvimento psíquico, na «história do poeta». Em resumo, quanto mais nos aproximamos da origem da obra de arte, tanto mais nos afastamos do seu significado artístico.
Arnold Hauser, Teorias da Arte

Sob o mesmo tema, como fazer poesia, textos passados:
Lição 5 4 3 2 1


 
[ free ]


 

A vaca de fogo

À porta
daquela igreja
vai um grande corrupio
À volta
duma coisa velha
reina grande confusão
Os putos
já fogem dela
deita o fogo a rebentar
soltaram
uma vaca em chamas
com um homem a guiar

São voltas
Ai amor são voltas
sete voltas
são as voltas da maralha
Ai são voltas
Ai amor são voltas
são as voltas
são as voltas da canalha

No largo
daquela igreja
vive o ser tradicional
à volta
duma coisa velha
e não muda a condição
Letra e música: Pedro Ayres Magalhães
In: "Os dias de Madredeus"



 

I Love Rock And Roll

Quase tudo me é igual
Só me preocupo com coisas insignificantes
Detalhes, instantes, segundos e fracções
Por todos eles me ponho mal
E nunca revejo as minhas decisões.


Medronhos,

(estou velho para isto)

"Vem viver a vida amor, que o tempo que passou não volta mais..." RUC dixit...

Daqui a tão pouco tempo vou estar aqui. Ou ali. A ver o meio caminho que percorri. Nunca sabendo qual a direcção que tomar. Ou antes numa lógica de criação, apreender os destinos que nunca somos, papeis, nada é livre. FIM. Ela não volta. Dorme.

(fade out)

di ende

THAT'S a WRAP...

Quarta-feira, Setembro 22, 2004


 

O Deserto

Torpor. Um calor seco invade-me. A vista engana quando tento perceber se na distância alguém se aproxima. Ouço vozes na noite. Fantasmas que gritam enquanto a serpente sacode a sua cauda. Olho novamente a última linha de horizonte, onde ainda há um pequeno ponto luminoso que se esvai num minuto. No minuto onde o calor dá lugar o gelo, da escuridão absoluta. Onde o deserto se torna terrífico e misterioso. Suporto melhor os dias. São constantes. Quentes, abrasadores mesmo, mas constantes. Por outro lado, no deserto, nunca sabemos o que a noite nos reserva. É o silêncio ilusório. Vemos sombras em dunas distantes que de manhã não existem. Ouvimos animais que jamais poderiam ter sobrevivido à travessia. O silêncio fere-nos. Endoidece-nos. As primeiras noites passadas no deserto revelam-se um martírio. Insónias terríveis parecem até afastar os mosquitos. No deserto não há nada. Nem mesmo mosquitos. Adaptamo-nos. Forçosamente adaptamo-nos. Ninguém vence o deserto.


 

Kick It

How do you do a cool dance?
Baby don't split those high pants
I gots these rules that we can do - do and sink
I don't look too good in pink.

I used to slash myself up
I like to play it tough
Cuts, bruises, blood and there's bottles breaking rough
You gotta handle that stuff.

Yeah, yeah!
Tear it up,
Rip it up
Kick it up
Yeah, yeah!
Tear it up,
Rip it up
Kick it up
Yeah, yeah!
Kick it, kick it, kick it!

I wanna be your cat
...Screw that!
I'm not sixteen but I gots leather boots and suede
Ah go fuck your pain away!

I heard you like kinky shit
That just depends who I'm with
What is it? Acid, limo or some kind of toy?
Like you said 'Search and Destroy'

Some people don't like my crotch
Because it's got fuzzy spots
But if you flame it
It's a neat burning bush baby
And that is just what I've got

Yeah, yeah!
Tear it up,
Rip it up
Kick it up
Yeah, yeah!
Tear it up,
Rip it up
Kick it up
Yeah, yeah!
Tear it up,
Rip it up
Kick it up
Yeah, yeah!
Kick it, kick it, kick it

And if you're leaving with sin
Escape the city I'm in
Come on and knock it where it's rocking non-stop
Make your way to Berlin
Peaches, feat Iggy Pop


 

Até parece um país conhecido.

Um estado totalitário verdadeiramente «eficiente» será aquele em que o todo-poderoso comité executivo dos chefes políticos e o seu exército de directores terá o controle de uma população de escravos que será inútil constranger, pois todos eles terão amor à sua servidão.
Aldous Huxley, prefácio de Admirável Mundo Novo

Terça-feira, Setembro 21, 2004


 

A Manhã Seguinte

De manhã, era manhã e eu continuava vivo.
Se calhar vou escrever um romance, pensei.
E assim foi.
Charles Bukowski, Correios


 

Catacumbas daqui a 9 dias

Dia 30 esta voz na Travessa Água da Flor à Rua da Rosa. Sem falta ou com falta noutro lado qualquer...

Segunda-feira, Setembro 20, 2004


 

Café?



- Solúvel com 20% de Café!

- Encha 5 se faz favor!


 

A Programação

... segue dentro de momentos. Pelo incómodo pedimos desculpas aos nossos telespectadores.
A máquina de legendagem fez tilt e vamos ter na segunda parte o Eládio Clímaco a dobrar os actores.


 

Garage Sell


Vendo esta beleza! Alguém interssado?


 

Um brinde

Aos pudicos (e aos falsos-pudicos já agora),
hip hip, hurra.

Aos cornudos (e aos que não sendo, sentem a dor),
hip hip, hurra.

Aos fala-barato (e aos sonsos e inquietos mudos),
hip hip, hurra.

Aos tristemente-que-eu-estou-tão-abandonado-
-porque-tu-não-queres-ir-ao-cinema-comigo-comer-
-batatas-fritas,-beber-pepsi-e-talvez-namorar

hip hip, hurra.


 

Oração da tarde

Um café, se faz favor, (que a minha máquina está desligada por causa do electricista que ainda não apareceu). Um café, e um copo de água.


 

Electrizante

Algumas pessoas são eléctricas. Eu sou apenas às vezes. Alguns têm centrais eléctricas nos carros. Eu tenho na cozinha. E não, não tenho um farol apontado à Penha de França. Não sou eu. Mas tenho a cozinha eléctrica mais eléctrica do país. E não tenho nenhum dos gadgets modernaços que estão a pensar. Tenho é electricidade na cozinha. Olha a novidade. Sim. na cozinha. No positivo, no negativo e na terra. Ontem um curto-circuito qualquer apagou-me as tomadas todas. Apagou? Mentira. Colocou electricidade em tudo o que seja cabo de cobre. E hoje espero pelo electricista para perceber o que se passou. Espero e desespero. Assim começa mais uma semana. Uma boa Segunda-Feira para si, senhor electricista, onde quer que esteja.


 

Madrugada

Andava pela avenida. Verificando cada passo para não pisar os riscos que separam o chão, que o quebram em mil pedaços e que o isolam, mantendo-o tão unido. Já passam poucos carros a esta hora. Desço a avenida saltitando, como que jogando ao jogo da macaca. Lembro-me que quando em novo passávamos o recreio a jogar. Lembro particularmente como eram difíceis de acertar as casas mais distantes. E lembro-me como me concentrava arduamente para o conseguir.

Dou por mim nestes pensamentos e olho em volta envergonhado. Alguém viu? Não há ninguém na rua para ver. E muito menos para me prestar alguma atenção. Tenho mil ideias a fervilhar na cabeça e não há ninguém as quem as contar. Nem que fosse um estranho, mas os estranhos já estão todos a dormir. Alguns bem perto, nos recantos abrigados de logradouros imundos de uma cidade podre à espera de novo 1755. Ele há-de vir. Está escrito nas profundezas das falhas da terra. Mas não na memória.

Eu saltito de laje em laje recordando novamente os meus recreios de escola primária. Foi lá que tive a primeira namorada. Mentira, não tive. Ela não quis namorar comigo. Tinha eu 6 ou 7 anos. Gostava dela, mas como não queria namorar, esperei-a no portão da escola e bati-lhe. Guerreamo-nos até que a minha mãe me deu um valente puxão de orelhas e fiquei de castigo uma semana. Depois disso nunca mais falei com ela. Ou ela comigo, já não sei. Agora, presumo, deve estar casada, mãe de filhos, gorda e inchada. Na aldeia as raparigas se não casam cedo são faladas. E ela era bela demais para não casar. Por vezes pergunto-me o que é feito dela, mas esta visão assusta-me. Assim como o pensar que ela pode não se lembrar de mim. Cobardia talvez.

Quase ao chegar ao fim da avenida vejo as horas num relógio gigante que existe na parede da farmácia. Marca 4 e 27. Olho de novo para a minha procedência e interrogo-me se vale a pena voltar a subir com tão pouco movimento? Já é quase dia e eu estou cansado. Não subo, vou dormir. Como é que ela se chamava?

Domingo, Setembro 19, 2004


 

E não é hoje ainda assim?

Na Alexandria as religiões são tão variadas como os negócios: a qualidade do produto é mais duvidosa.

Marguerite Yourcenar, Memórias de Adriano


 

Sanidade Mental

  1. Sou Polígamo (ou se preferirem Infiel). A monogamia é para os pinguins.
  2. Automedico-me. Aliás, eu detesto medicamentos, mas detesto ainda mais os médicos.

Agora explique-me alguém, o que é que os dois pontos da lista tem a ver um com o outro? Se são dependentes e correlacionados ou apenas duas curiosidades isoladas que nada tem a ver uma com a outra. Cada vez mais concluo que a minha sanidade mental passa por não me preocupar com as vossas opiniões, mas mesmo assim não resisto a perguntar, mais uma vez, «Quem é o louco?».

A lista de opções é:
  1. Não há louco nenhum, apenas um azul intenso no fundo de um Oceano.
  2. Porque raio é que vim parar a este site, quando o que queria era saber as batotas do DOOM3 (as batotas podem ser encontradas aqui)
  3. O gajo perdeu tempo a escrever esta merda?
  4. Foda-se, vou adicionar o tipo à minha lista de blogs de leitura obrigatória.
  5. Polígamo é o aparelho para detectar se uma pessoa está a dizer a verdade, não é?
  6. O que o gajo precisa é de tomar um frasco de cianeto.
As vossas respostas nos comentários, não me enviem para o email, porque já me chegam as Lolitas Calientes mandarem-me imagens de septuagenárias em posições de quebrar os ossos do reumático. Mas alguém tem que ganhar a vida.

Sábado, Setembro 18, 2004


 

Tentando escrever

Só se aprende com os mestres, dizem. Mestres? Onde andam vocês? Onde posso ouvir as vossas palavras? Onde beberei o sumo de maracujá que correrá na minha pena?

Vencendo a inércia, movo o carreto da minha quase exausta smith-corona.

Mais uma linha.

Novas palavras iniciam nova frase, um parágrafo mais, talvez uma página inteira.

- David.

- Sim, estou aqui! Quem fala?

O silêncio enche o quarto, apago a luz e puxo os cobertores para cima.


 

Poetas

Nada de desculpas, portanto. Eu sempre fui uma criatura cheia de defeitos, Mr. Bones, um homem cheio de contradições e inconsistências, outros tantos cabos que puxaram demasiados impulsos. Por um lado, um coração puro, bondade, o leal acólito do Pai Natal. Por outro lado, um tipo intratável e desbragado, um niilista, um palhaço bêbado. E o poeta? O poeta, suponho, ficou algures no meio, no intervalo entre o melhor e o pior de mim.
Paul Auster, Timbuktu

Quinta-feira, Setembro 16, 2004


 

A idade da inocência

Diz-se que as situações românticas são contagiosas e, se nos serões passados à luz de velas naquele café-bar onde não imperavam as atitudes de cerimónia houvesse alguns pares de amorosos, quem poderia afirmar se os homens de idade mais madura não seriam contaminados?
Graham Greene, Empresta-nos o Seu Marido?


 

Porque Escrevo

... (Decididamente eu hoje não posso fingir e escrever como das outras vezes. Muito me hei-de eu rir, quando eles lerem a história da minha alma!...) ...
Raúl Brandão, A Morte do Palhaço e o Mistério da Árvore


 

Refurbishing My Bookshelf

Lentamente, muito lentamente, como duas agulhas de bússola que nada apressa, os pés giraram para a direita: norte, nordeste, este, sudeste, sul, su-sudoeste. Depois pararam e, ao cabo de alguns segundos, voltaram-se outra vez, sempre com o mesmo vagar, para a esquerda: su-sudoeste, sul, sueste, este...
Aldous Huxley, Admirável Mundo Novo

Quarta-feira, Setembro 15, 2004


 

No cimo de um penhasco

Sou instante perdido, ode ao erro Dionisíaco. Procuro Tritão, encontro silêncio, tu de branco vestida. Ouro num pote de mel e um saiote de seda pendurado num cabide. Um quarto vazio. Um instante. Um sótão. Tece, tece a tua teia, aranha pequenina. Chama-me soprando no teu búzio. Olho-te nos olhos e abandono-me quando a maré me tocar os pés.

Terça-feira, Setembro 14, 2004


 
(...)Precipitou-se porta fora e atravessou o leito da rua, impelido irresistivelmente para a água. Já se agarrava à água como um faminto à comida. Galgou a grade, como grande ginasta que fora na sua juventude, para grande orgulho dos pais. Susteve-se ainda, preso pelas mãos que perdiam as forças, espreitou por entre as barras um autocarro que facilmente abafaria a sua queda, e exclamou baixinho: «Queridos pais, mas é que eu sempre vos amei», e deixou-se cair.
Precisamente nesse momento, o trânsito tornara-se tão imenso que parecia interminável.
Franz Kafka, A Sentença

Segunda-feira, Setembro 13, 2004


 

Como fazer poesia

Lição n.º 5
Discutia-se agora um conceito de poesia. Que é poesia? E logo surgira uma clássica definição: «Poesia é a expressão rítmica da emoção.» Foi mal aceite a clareza tradicionalista da fórmula.

- Poesia é imagem - propôs a mais hierática de duas moças perpetuamente, e acaso naturalmente, desdenhadoras, que cometiam ambas os seus primeiros versos e ambas, ainda por cima, eram bonitas.

Sobre o ombro de um pianista careca, cuja palavra de mel abundava nos mais sisudos paradoxos - delícia do grupo! - assomou-se o rosto sacrílego de um não iniciado, um jovem economista muito notório na sua órbita (após publicação de um ensaio sobre O Crédito como Factor de Progresso), que, inocente, arriscou:

- Poesia é tudo o que for belo..., é tudo o que a gente sente, porque a vida é sempre bela...

Acolheram-no vários sorrisos condescendentes e uns leves, polidos, encolhimento de ombros, que logo lhe fizeram sentir quanto os seus termos deviam ser empíricos, forçando-o à retirada.

Foi Frederico quem recolheu a palavra e disse, por sua vez:

- Poesia não é imagem. Não!

Os surrealistas, três jovens esquálidos, de olhos imensos, húmidos e quase ferozes, ajoelhados casualmente entre as poltronas de Amâncio e da dona da casa, apoiaram-no. Só o mais jovem, que era loiro e satânico, o considerou depreciativamente, de alto, pois estava de pé, encostado a uma estante que corria toda a parede da sala, forrando-a de livros. Esse crianço agressivo, que ninguém conseguia detestar, dificilmente admitia qualquer ideia que não lhe nascesse na mente ou não proviesse do divino Marquês, quando muito de algum dos seus mais próximos mentores. Tinha na mão La Philosophie dans le boudoir e achava-se verosimilmente rico de mocidade, de vício, de refinadas e ostensivas anomalias ...

Ernesto sabia que Frederico podia entrar no jogo, mas que aquela sorte de florilégios não o desumanizava. Por isso o escutava com interesse de cumplicidade, entre irónico e partidário.

- A poesia autêntica não é imagem, quero eu dizer, simples comparação ou imitação, não é representação plástica - prossegui Frederico -, está para além da figuração, da representação das coisas... Sobretudo, poesia não é «literatura»....

Cortês aprovava-o com a cabeça, agradado daquele rumo do discurso, e dispunha-se mesmo a intervir, fornecendo-lhe o auxílio da sua destreza no campo das congeminações filosóficas, quando Ernesto o susteve, carregando os sobrolhos na direcção dele.

- Poesia - concluía Frederico - é metáfora, é metamorfose, é revelação de um património comum a todos os seres existentes, uma espécie de inferno-paraíso a desenterrar da terra...

Esforçando-se por clarificar o seu pensamento, fora ainda, no entanto, suficientemente obscuro para se impor a muitos dos presentes, cujo snobismo intelectual, assente em deficiências de cultura e no hábito da mistificação, respeitava quase sempre aquilo que não entendia.

A atmosfera de excitação mental tornava-se mais tensa e não tardou o objecto do torneio a derivar da poesia para o amor.
Urbano Tavares Rodrigues, Os Insubmissos

Sob o mesmo tema, como fazer poesia, textos passados:
Lição 4 3 2 1


 

Botânica

- Fiz toda a sorte de cursos, passei pelos professores mais ilustres da Europa, tenho trinta mil volumes, e não sei se aquele senhor além é um amieiro ou um sobreiro...
- É um azinheiro, Jacinto.
Eça de Querioz, A cidade e as Serras


 

À Segunda

Os quilómetros acumulam-se, assim como o pó, ao longo da estrada da lezíria. O calor enche o habitáculo. Os mosquitos zumbem não se preocupando em ocultar o seu ataque. Já há algum tempo que evito matá-los. Acabam invariavelmente por vencer. As janelas abertas ensurdecem-me e acabo por desligar o rádio. Setembro, tempo de apanhar as culturas. O milho está alto e impede a vista de mais que a estrada amarela em que sigo. Um pouco à frente uma pequena elevação, uma ponte sobre um canal de água. Dois homens tentam a sorte lançando o anzol. O calor encharca-me as costas e procuro uma posição mais relaxada para conduzir. Ouço incessantemente os seixos a baterem no fundo do carro. Ao longe vislumbra-se já o meu destino. Acelero. Num cruzamento perto, mudo de direcção e sigo para o rio. Chego. Estaciono e procuro as máquinas fotográficas. Verifico o filme e coloco o olhar no viewfinder. Então por um instante, antes de tirar a primeira fotografia, baixo a câmara e olho em redor saboreando o silêncio.

Domingo, Setembro 12, 2004


 

Vertigem

Fechei os olhos. O vento passou acariciando-me a cara com mãos frescas de invisível amor. Respirei fundo, respirei no ar todos os anos perdidos que me voltavam, mas com forte e profunda tranquilidade. A brisa, agora, já me não trazia o misterioso apelo de outrora-além. Os mundos (devo eu lamentá-lo?) haviam perdido para mim o atractivo das coisas ignoradas. Tinham aprendido o que só a experiência inútil nos ensina: que o apelo está em nós, e não nas coisas. Era uma brisa de restituição, que me devolvia a mim mesmo, e às minhas coisas, e à minha gente. Sentado e só - quer dizer, vendo a paisagem como tempo e acção, alheio à tropa de turistas sem secreta intimidade com o cenário - deixei-me envolver, banhar, penetrar de sol, azul, frescura e horizontes.
José Rodrigues Migueis, Léah e Outras Histórias

Sábado, Setembro 11, 2004


 

A minha ex...

Salto da cama. Minha ex-mulher entra em casa cheia de gás, mas só consegue pronunciar "você...". Não contava me ver nu abrindo a porta, e vacila com a visão do apartamento. Faz o giro da sala, pára na entrada do banheiro, sai andando de costas, anda que nem bêbada, entra no quarto e mergulha na cama aos prantos. Pensei que ela fosse dizer "tá satisfeito?", mas não diz mais nada, fica deitada de bruços, soluça com o corpo inteiro, e não sei o que fazer. Só posso olha o corpo dela se debatendo, o lado esquerdo bem mais que o direito e, olhando aquilo, de repente me vem um forte desejo.
Chico Buarque, Estorvo


 

supersexies

Não sei se às 4 da manhã este texto poderá ser entendido como resultado de uma grande insónia ou antes de uma grande loucura alcoólica. Não pretendo que seja reflexo de um ou de outro. É apenas o resultado de uma admiração, de uma surpresa constante e do acompanhamento, tanto quanto as migalhas vão chegando, de um trabalho deveras cativante. Vivamente, fica a minha admiração, o meu desejo de surpresa e os meus parabéns, mais uma vez.

Regressam à coluna ali do lado de onde saíram por distracção minha.

Sexta-feira, Setembro 10, 2004


 

As Árvores

Porque somos como troncos de árvores na neve. Aparentemente estão apenas pousados na neve e com um simples empurrão conseguir-se-ia afastá-los. Não, não é possível porque estão firmemente ligados ao solo. Mas reparem que até isto é apenas aparente.
Franz Kafka, Os Contos

Quinta-feira, Setembro 09, 2004


 

Retracção Pública

Ora muito bem, eu sou um gajo com uma data de problemas, e a maior parte deles sou eu quem os cria, quer dizer, com as mulheres, e o jogo, e essa coisa de sentir hostilidade por certos grupos de pessoas e quanto maiores os grupos mais hostilidade sentir. As pessoas dizem que eu sou pessimista e sombrio, que sou intratável.

Nunca me hei-de esquecer duma garina que certa vez se pôs a gritar:

- Tu és tão pessimista, porra! A vida pode ser uma coisa muito bela!

Ai, pois pode, acho que pode, sobretudo se gritarem mais baixo.
Charles Bukowski, A Sul de Nenhum Norte


 

Pergunta Fútil

O que acontece quando detestas a maior parte das pessoas do mundo, e tens um sentido exarcebado do teu papel?

Escreves um Blog, claro. Mas não é tudo mau, eu detesto também outras coisas no mundo, mas apenas para desenjoar.


 

Os net

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68,3 MB de um update!

Uma hora de espera é que tenho pela frente. Vejo os emails todos. Todos. Mesmo aqueles que já não imaginava estarem vivos.

Enter here. Buy cheap Viagra.

4% - Doce, preciso de um doce... ataco a minha cozinha. Queijo e Marmelada. Hm... delicia...

5% - ?? Só? Porque será que não consigo deixar de pensar na Kylie Minogue? Não acham estranho que os nomes dos festivais sejam cada vez mais compridos? Festival Europeu de Artes do Espectáculo para um Público Jovem. Forma de dizer que não havia dinheiro algum se o nome fosse sucinto. Ou então medo de que ninguém soubesse do que se tratava.

21% - Menos tempo. Que Tempo? Chuva. Ilusão. Médias pluviométricas acima das verificadas nos últimos 20 anos para o mês de Agosto. Descanso.

28% -
Le beau physique hante notre civilisation hédoniste et individualiste. Il monopolise la une des magazines féminins, il nourrit nos angoisses et nos joies. Pourtant, on le sait, les canons de la beauté sont tributaires d'une époque, de ses valeurs, de son imaginaire. Il fallait le talent de l'historien Georges Vigarello pour évoquer l'art de l'embellir de la Renaissance à nos jours. L'auteur rend compte des métamorphoses historiques de cette invention de soi-même, qui est d'abord vécue comme un dévoilement de Dieu. D'où une histoire qui pourrait se résumer comme un long chemin vers la mise en valeur des parties de plus en plus basses. D'où le cri d'alarme de Pierre Sansot. Dans son vif essai, l'auteur nous invite à nous ressaisir face à un culte qui confine aujourd'hui au despotisme de l'insignifiance.
35% - Despotismo da insignificância. A verdade. Absoluta do vazio em que nos encontrámos.

45% -
Lyotard talks of the death of the professor, Rorty talks of the death of epistemology, Barthes and Foucault talk of the death of the author, Derrida talks of the death of the book. I believe that they are all talking about the same death.

How would you word it? What is it being characterized by the death of the professor, epistemology, authors, and the book? What's a term for that for all that?

50% -
...it speaks to the death of modernism to me, the death of the grand narrative, the death of authority.
62% - Um Milhão de pessoas. Onde estavam? Perdi na tradução. Onde estavam eles? Um italiano. Dois? 4 raptados no Iraque. As ONG a fugir, santas com medo da guerra. Há guerra? Ainda? Um dó. um fá, um sol e um mi.

70% -


72% - http://www.rfimusique.com - Lou Reed :
Holly came from Miami FLA
Hitch-hiked her way across the USA.
Plucked her eyebrows on the way
Shaved her leg and then he was a she
She said, hey babe, take a walk on the wild side,
Said, hey honey, take a walk on the wild side.

Candy came from out on the island,
In the backroom she was everybody's darling,
But she never lost her head
Even when she was given head
She said, hey baby, take a walk on the wild side
She said, hey babe, take a walk on the wild side
And the coloured girls go, doo doo doo, doo ...

Little Joe never once gave it away
Everybody had to pay and pay
A hustle here and a hustle there
New York city is the place where they said:
Hey babe, take a walk on the wild side
I Said hey Joe, take a walk on the wild side

Sugar Plum Fairy came and hit the streets
Lookin' for soul food and a place to eat
Went to the Apollo
You should have seen him go go go
They said, hey Sugar, take a walk on the wild side
I said, hey honey, take a walk on the wild side

Jackie is just speeding away
Thought she was James Dean for a day
Then I guess she had to crash
Valium would have helped that dash
She said, hey babe, take a walk on the wild side
I said, hey honey, take a walk on the wild side
And the coloured girls say doo doo doo, doo ...
75% - Isto é verdadeiramente um POST longo. doo doo doo, doo doo doo....

80% -

E agora escrevendo sobre algo verdadeiramente útil. Vá visitar o Museu da água



90% - O finale.... Arauto de plasma de ouro. De adjectivos objectivamente desnudados. Como os DENTES. Absorto em exercícios de rabiscos caducos. Objectando na sombra de um quarto escuro. Um pesadelo diurno. Um Choro.

95% - Instalação. Luz, acção... Poder na ponta do rato. do dedo? Do .... Quero Um MAC.....

99% -

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Details: To enable the details of this specific error message to be viewable on remote machines, please create a tag within a "web.config" configuration file located in the root directory of the current web application. This tag should then have its "mode" attribute set to "Off".


SOLUÇÃO: Novo Download.... Votlar à casa de Partida. Voltar à estaca Zero?!!!! A Janela das traseiras não é suficientemente alta? Uma marreta por amor dos blogueiros desesperados. Oh deuses do Webdesign da treta, dai-me um dia de descanso. Maldito projecto de Website.


Quarta-feira, Setembro 08, 2004


 

No silêncio do meu canto

No colégio, estava sempre sozinha. De vez em quando, uma ou outra freira chamava-me à parte e dizia: «Não é bom isolares-te, depois vêm as tristezas.» Então, para a contentar, ia ter com as minhas colegas, metia-me na roda mas nunca ninguém me atirava a bola. Passava algum tempo com elas, de mãos dadas, e depois ia outra vez sentar-me num banco com os meus pensamentos.
Susanna Tamaro, Responde-me

Terça-feira, Setembro 07, 2004


 

Na escuridão

Incendiados pelas bombas da Luftwaffe, os trigos arderam toda a noite. Toda a noite os reflexos do incêndio purpurizaram o céu e, na estepe iluminada pelo bélico e atroz fogo-de-bengala, o luar fantasmagórico do quarto crescente da Lua amolgada era de uma poesia abusiva e o seu tanto deslocada.
Mikail Cholokov, Morreram pela Pátria

Segunda-feira, Setembro 06, 2004


 

Vergonha

O Governo português não vai enviar ajuda às vítimas do sequestro na Ossétia do Norte. O primeiro-ministro baseia a sua decisão na falta de um pedido oficial das autoridades russas e nas dificuldades económicas de Portugal.
É nestas alturas que tenho vergonha de ser Português! Quando um governo toma uma posição como esta perante a tragédia, desonra os políticos, desonra os portugueses e desonra o país.
Aos que sofreram a tragédia peço desculpa pelo meu governo e espero que perdoem.


 

Inverno

Parado! Fico parado! Parado. Contemplando? Esperando apenas algo que não sei se virá! Apenas isso? Apenas. Deslizo da minha cadeira e sinto o chão frio nas minhas nádegas. Abraço os meus joelhos e começo a baloiçar. Depois de algum tempo, decido que o fim dos dias jamais poderá ser igual. Levanto-me e vou para a cozinha, abro a porta da escada de incêndio e desço até ao quintal. Ao fundo fica um casebre que usamos para guardar lenha. No caminho apanho um garrafão de diesel. Despejo-o na madeira guardada para o inverno. Depois sento-me num pequeno banco de madeira e pego numa caixa de fósforos. Fico assim durante alguns minutos, a ouvir o silêncio. Acendo um fósforo e atiro-o para o chão, mesmo no meio de uma poça de combustível. Imediatamente o fogo cresce e inunda de vermelho e morte todo o casebre. O fumo começa a impedir a visão. Mas mantenho-os abertos. Vai ainda demorar algumas horas até que todo o casebre arda. Volto lentamente para dentro e telefono aos Bombeiros. Até eles chegarem não terei frio.


 

Oceano Vocal

«... O amor é uma coisa rara, difícil de encontrar; e que só aparece a poucos, por acaso, e uma vez por século, se tanto, como fenómenos igualmente inexplicáveis, aqueles de elevar-se alguém nos ares ou de um analfabeto citar Cícero em correcto latim.»
Hélia Correia, A Fenda Erótica


 

TE

XXXX OO XXXX  XXXX  UU  XXXXXXX

XXXX OO XXXX XXXX UU XXXXXXX
XXXX OO XXXX XXXX XXXX UU
XXXX XXXX XXXX UU
OOOOXOOXOOOO XXXX UU XXXX UU
XXXX XXXX UU XXXX
XXXX OO XXXX XXXX UU XXXX
XXXX OO XXXX XXXX XXXXXXXXUUU
XXXX OO XXXX XXXX XXXXXXXXUUU


 

Buscas!!!

Separamo-nos. Perdemo-nos. Receio que a culpa fosse minha; não lhe prestei atenção; ofendi-a. Outras vezes ocorre-me se não seria simplesmente uma mudança de horarário no seu trabalho! A verdade é que tenho andado preocupada. Desconheço-lhes a morada, o telefone. Liguei para a rádio, esta tarde, e - coisa estranha! - não conheciam lá ninguém com o nome de Vânia. «Vânia? Vânia quê?» Respondi que o apelido não sabia. A telefonista tornou: «Vânia? Não há cá nenhuma Vânia.»
Maria Ondina Braga in A Personagem

Domingo, Setembro 05, 2004


 
Isto é um Post.
Isto tem Letras e palavras e frases.

O número é o 783

Tem música das theoretical girls - embora não seja audível.

NEW YORK - PARIS - MOSKVA
E UM COMBOIO DE VIA ESTREITA PARA SANTA MARIA DA FEIRA
AR DEm inDigENTES na esCAdaRIAs DO Suplício

Sábado, Setembro 04, 2004


 

Uma questão de perspectiva

A sua inteligência, rica de filosofia, nunca se deixava tomar por quimeras.
Edgar Allan Poe


 

Marrano

Para o que era «proibido» tinham os árabes uma palavra, mahram. Pela religião de Alá, a carne de porco é proibida. Ficou assim designado o suíno logo à nascença - era mahram, donde «marrão», «marrano», o porco. E a palavra passou a ser insulto dirigido aos cristãos-novos, judeus conversos, para evitarem a expulsão da Península Ibérica.

Sexta-feira, Setembro 03, 2004


 

A Relíquia

Ella ergueu-se, deu as graças ao Senhor. Eu fui para o meu quarto, fechei-me lá, a tremer, sentindo ainda, regeladas e ameaçadoras, as palavras da titi, para quem os homens «acabavam quando se mettiam com saias». Tambem eu me mettera com saias, em Coimbra, no Terreiro da Herva! Alli no meu bahú, tinha eu documentos do meu peccado, a photographia da Thereza dos Quinze, uma fita de sêda, e uma carta d'ella, a mais dôce, em que me chamava «unico affecto da sua alma» e me pedia dezoito tostões! Eu cosera essas reliquias dentro do fôrro d'um collete de panno, receando as incessantes rebuscas da titi, por entre a minha roupa intima. Mas lá estavam, no bahú de que ella guardava a chave, dentro do collete, fazendo uma dureza de cartão que qualquer dia poderiam palpar os seus dedos desconfiados... E eu acabava logo para a titi!

Abri devagarinho o bahú, descosi o fôrro, tirei a carta deliciosa da Thereza, a fita que consercára o aroma da sua pelle, e a sua photographia, de mantilha. Na pedra da caranda, sem piedade, queimei tudo, amabilidades e feições; e sacudi desesperadamente para o saguão as cinzas da minha ternura.
Eça de Queiroz in A Relíquia


 

Hello, I love you

Hello, I love you
Won't you tell me your name?
Hello, I love you
Let me jump in your game
Hello, I love you
Won't you tell me your name?
Hello, I love you
Let me jump in your game

She's walking down the street
Blind to every eye she meets
Do you think you'll be the guy
To make the queen of the angels sigh?

Hello, I love you
Won't you tell me your name?
Hello, I love you
Let me jump in your game
Hello, I love you
Won't you tell me your name?
Hello, I love you
Let me jump in your game

She holds her head so high
Like a statue in the sky
Her arms are wicked, and her legs are long
When she moves my brain screams out this song

Sidewalk crouches at her feet
Like a dog that begs for something sweet
Do you hope to make her see, you fool?
Do you hope to pluck this dusky jewel?

Hello, Hello, Hello, Hello, Hello, Hello, Hello
I want you
Hello
I need my baby
Hello, Hello, Hello, Hello
The Doors in Waiting for the Sun

Quarta-feira, Setembro 01, 2004


 

VOXX quase

É sabido que a VOXX fechou, acabou, caput... embora continuem a emitir nas frequências da mesma (91.6Mhz e 90.0Mhz em Lx e Porto) os alinhamenentos automáticos.

Uma das coisas que logo se verificaram, a seguir ao fechar da estação, foi o mudar do sinal de RDS. Os receptores de rádio passaram a apresentar um ecrã completamente vazio, como que esperando alguma coisa que as ondas do ar lhe podessem enviar. Sim... recebendo ESPAÇOS VAZIOS...

Na minha viagem de férias, ao chegar ao Porto sintonizei a 90.0Mhz, a RUC (107.9Mhz) já tinha ficado para trás havia meia hora e o comercial generalista não me agradava. Para minha surpresa o RDS marcava aquelas 4 letrinhas tão saudosas. VOXX. VOXX. Por um instante instalou-se a nostalgia de um tempo de uma saúde mental que parece não voltar à antena. Foi um instante e uma surpresa. Uma boa surpresa.


 

you

you're a best, she said
your big white belly
and those hairy feet.
you never cut your nails
and you have fat hands
paws like a cat
your bright red nose
and the biggest balls
I've ever seen.
you shoot sperm like a
whale shoots water out of the
hole in its back.

beast beast beast,
she kissed me,
what do you want for
breakfast?
Charles Bukowski

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