6H Agridoce - netcast de tecnologia, ciência e internet

Emissão em mp3 sobre Linux, open source, novas tecnologias, exploração espacial e os limites da ciência.

Este blog está agora em sixhat.net. This blog moved to sixhat.net


Domingo, Outubro 31, 2004


 

O Jogo

Deixarei as obsessões para outras frequências de tempo..

Ora enquanto cozinhava pensei um poema.

Não me lembro.
Fodam-se as palavras?
Fodam-se os escritos.
Amor diz paixão.
Quem é, amor? Paixão. A sombra da ilusão passou no saguão deste prédio de 45 andares.
Lisboa? Com que então 45? Minutos escondidos. Jazz. Perdidas as palavras. Billie. Fica mais um pouco. 5 minutos apenas. Perdão?

Trabalhar, vociferar. Verificar. Etiquetar. Embalar. Etiquetar. "Emprateleirar"

A vida é uma girafa com pintas azuis.

Azuis?
Draft it.. Draft it for good.

Sábado, Outubro 30, 2004


 
mar azul

mar azul marco azul
mar azul marco azul barco azul
mar azul marco azul barco azul arco azul
mar azul marco azul barco azul arco azul ar azul
Ferreira Gullar, 1958

Sexta-feira, Outubro 29, 2004


 

Incomprehensibilis Balbutio Hibera Lingua

Uma b'asilei'a em Ca'acas. A lingua pe'dia-se em novelos de voltas e 'evoltas. Lutas e instantes. Ap'ende' a fala' Espanhol u'gentemente. A le' na lingua de Ce'vantes. Ai meu pé de la'anja lima, ou antes, as minhas viagens ao tempo das histó'ias de faca e alguida'. Uma solução intempo'al neste tempo'al que pa'ece abate'-se em Lisboa. Uma ve'dadei'a catást'ofe. Uma desg'aça essa insuficiência. C'esce, pa'a no caminho pa'a um doce. Desce descalça e anda pela calçada. P'ocu'a um instante. Uma sibliante 'eluz na esquina. Olha quem passa e desfaz em desg'aça? Ba'bei'o. Um momento?

O Ba'bei'o não é desta histó'ia. A let'a B e'a pa'a se' esquecida nout'a altu'a.

'olas, 'aleias, 'i'es, 'óinas e afins apenas na p'óxima semana. 'a''ei'o não!

Quarta-feira, Outubro 27, 2004


 

Mac ou PC

Ter um pc que pareça um mac é giro. Aliás é uma das poucas razões para ter um pc... porque honestamente... um mac é muito melhor. Hoje estive até a esta bela hora a tentar salvar o meu Windows XP de um crash fenomenal... Ia ficando sem todos os meus dados pessoais e estava a ver que não conseguia arranjar forma de recuperar o que quer que fosse... Num mac? A probabilidade disso acontecer é reduzida ao mínimo. Num PC? De dois em dois meses.

Agora que está tudo resolvido... penso eu... vou dormir... Argh!!! Aleluias Steve Jobs!


 

No dreams

I was sitting in my office, my lease had expired and McKelvey was starting eviction proceedings. It was a hellish hot day and the air conditioner was broken. A fly crawled across the top of my desk. I reached out with the open palm of my hand and sent him out of the game. I wiped my hand on my right pants leg as the phone rang.
Charles Bukowski, Pulp

Terça-feira, Outubro 26, 2004


 

À Segunda

Atrasado. Desta vez atrasado. Não foi possível ontem. Uma viagem longa impediu o normal funcionamento das instituições. E Outras prioridades se imiscuíram entretanto. Ai canelão canelão quem te manda a ti tocar rabecão. Praia doce, fria com o céu plúmbeo a a marcar o horizonte. Uns risco de sol ao fundo. Um chocolate para adoçar a boca na hora de um adeus, sempre triste. Custa sempre deixar a terra. Custa sempre, por mais que estejamos habituados. Por mais que não haja alternativa. E 400km depois esquecemo-nos dos detalhes. Atrasámos o trabalho. Pensamos em tudo menos nos pequenos detalhes.

Hoje acordei. Voltei a Lisboa. Lisboa é. E como tal voltam lentamente as rotinas, pequenos detalhes que por vezes se escapam. Por isso é que hoje é a à Terça a à Segunda. Nada de grave. Perdoar-me-ão pelo lapso. Foi tudo por causa de um céu de chumbo que me mata de saudades.


 

Optimismo

Sentia-se pouco à vontade e pouco seguro de si próprio. Mas, como não tinha tempo nem grande vontade de encontrar desculpas válidas, decidiu não pensar mais no caso, coçou a garganta, para afugentar o mal-estar, e, à maneira de consolação, concluiu, irritado: «Em primeiro lugar, a culpa não é tão grande como isso, visto que só rezei o começo de uma oração; depois, esta era muito pequena. Além disso, há situações que nos obrigam mesmo a muito pior. Morrer, em nenhum caso tem graça: quer se seja ou não do Partido, faz impressão.»
Mikail Cholokov, Morreram Pela Pátria

Segunda-feira, Outubro 25, 2004


 

Eu gosto tanto deste tipo!



 

Quase de regresso!

Um instante. Um salto. Um pulo. Uma viagem e meio instante depois de regresso. De novo aí ou aqui ou ... onde quiser que a vida nos leve. Instantes? Instantes são paixões.

Sábado, Outubro 23, 2004


 

Orkut

Depois de saber da existência, mas sem me entusiasmar muito com a ideia (claro que não conhecer ninguém que estivesse lá ajudava) finalmente aceitei o convite e fui dar uma saltada ao Orkut... Tão badalado, tão comentado em todo o lado. O conceito é interessante e pode permitir explorar algumas possibilidades. Vou testar e se tiver tempo participar. Para já... deambularei observando.

Nota: O processo de entrada demora como tudo... tanto formulário para preencher... ai!

Sexta-feira, Outubro 22, 2004


 

Me Viana Hi

Às voltas com o sistema nacional de saúde e com as fotografias.

Há cada detalhe nesta cidade que apenas visto. E matei saudades das minhas bolas de Berlim favoritas. Por outro lado, fechou a fábrica do melhor chocolate do país. Fotos das Bolas no Nimages
Da fábrica na minha galeria pessoal

Quarta-feira, Outubro 20, 2004


 

Desafios Fotográficos

Decidi lançar um desafio a quem por aqui passa e gosta de fotografia. Se quiser deixar um link para uma fotografia sua que se enquadre no tema do desafio do lado esquerdo, faça favor. Clique nos links e deixe lá o seu...

Para começar, vou deixar um desafio que está já a correr entre um grupo de amigos.

Grafias Urbanas

Procurem as vossas fotos, coloquem-nas olnine e deixem aqui o link no lado esquerdo. Entretanto eu vou tentar responder ao desafio até domingo utilizando como modelo a cidade de Viana do Castelo, para onde vou hoje de tarde.

(Devo manter este desafio até ao fim do mês de Outubro, por se tratar do primeiro e não saber ainda a adesão das pessoas ao mesmo. Se funcionar os desafios serão mais amiúdes... Se não funcionar... voltaremos à programação normal dentro de momentos. A ideia deste tipo de desafios não é original, há muitos deste género na net. Eu tirei a ideia e modelo do PhotoFriday)

Terça-feira, Outubro 19, 2004


 

Sustos

Entrei aqui ontem e para meu susto apareceu uma barra vermelha... a dizer que não encontrava nenhum Post? Como era possível? Nenhum post? Num blog que tem tanta tralha escrita? Pensei que era coisa do Blogger e fui dormir. Hoje estaria tudo resolvido.

Acordei, liguei o pc para procurar a porcaria dos posts desaparecidos, com a certeza que tinham voltado, que apenas teriam passado a noite fora e estariam de volta ao seu lugar.

Login.... waiting... sixhat agridoce.... BARRA VERMELHA? Novamente? Onde é que eles andam? Desespero. Frustração. Voltem se faz favor...

(Só depois reparei que tinha esta treta a mostrar apenas os Drafts e como não havia nenhum draft escrito... a barra vermelha.)


 

sei lá, D!

Luz de néon a cintilar em várias cores: verde clorofila, roxo e laranja.

Johnny extrai um candiru da vagina de Mary com a ajuda de fórceps... Mete-o dentro de uma garrafa de mescal, onde ele se transforma num verme... Lava-a com um emoliente tropical e os dentes vaginais, misturados com sangue e quistos, saem... Johnny lambe-lhe a cona, primeiro lentamente, mas, depois, com excitação crescente, afasta-lhe os lábios e lambe-lhe por dentro sentindo os pelos púbicos a picar-lhe a língua túmida... De braços caídos para trás e seios empinados, Mary jaz trespassada por pregos de néon... Johnny põe-se em cima dela... A picha, com uma opala trémula de lubrificante na ponta da glande, desliza através dos pelos públicos e penetra até ao fundo da vagina, sorvida por uma sucção da carne faminta... O rosto dele congestiona-se, luzes verdes explodem por detrás dos seus olhos e ele resvala ao longo de um cenário artificial com raparigas aos gritos...
William Burroughs, Festim Nu

Segunda-feira, Outubro 18, 2004


 

À Segunda

Paisagens, fotografias e os últimos raios de sol que caíram neste Outono de chuvas suspeitas. Instantes de passagem de loucuras e guerras inacabadas. Deste fim de semana fica a cortesia, ou falta dela. Cortesia. Palavra madrasta e órfã da língua portuguesa. Palavra cujo uso é ainda teimosamente presente, mas cuja aplicação parece ter ficado guardado no fundo da sala onde alguns ficavam de castigo durante o recreio.
s. f., qualidade do que é cortês, do homem da corte;

urbanidade, delicadeza;
civilidade, polidez;
saudação;
(no pl. ) cumprimentos que, numa praça de touros e antes de iniciar a corrida, fazem os cavaleiros e toureiros à autoridade e ao público;
ser cavalo de ?: ser escolhido para receber visitas.
E todo o tempo passa para o instante que preservámos na memória. Alegoria de campanhas vitoriosas e sempre desejadas. Para que no instante da nossa glória sejamos lembrados pelos feitos, sem enfeites. Sem nunca nos glorificarmos e como pescada de rabo na boca, sejamos apenas exteriormente adorados. Que venham povos e nos escombros da nossa memória falem dos nossos feitos. Que nunca nos iludamos nós com eles, que nos cegam e toldam a vista.

O fim de semana foi suave, sereno e apaixonado, mas também violento, traiçoeiro e gelado. Afinal como todo o Outono deve ser.

Domingo, Outubro 17, 2004


 

Domingo

Penha de França - Da minha casa para o mundo.
panorama 1 (light | full)
panorama 2 (light | full)

Fotos aqui


 

Arrumações

Estive a dar uma arrumação no fotoblog. Talvez lhe consiga dar um pouco mais de atenção agora que está mais simples...

Sexta-feira, Outubro 15, 2004


 

Há um ano

O barco vai de saída
Adeus ó cais de Alfama
Se agora vou de partida
Levo-te comigo ó cana verde
Lembra-te de mim ó meu amor
Lembra-te de mim nesta aventura
P´ra lá da loucura
P´ra lá do Equador
Fausto


 

Amores

Durante semanas manteve o piano fechado. Até o tio Octávio se enfurecer e a mandar treinar escalas. Pelo menos escalas, berrou.
Teolinda Gersão, Os Teclados

Quinta-feira, Outubro 14, 2004


 
[ your ]


 

Era assim uma vez... eu

Toda a minha vida é um pentagrama. Tudo gira em torno desse número mágico. Tudo. Tudo. A lua cerca-me e inunda-me no instante em que procuro os cantos de refúgio. Um pentagrama gravado no chão. No peito. Um desejo de igualdade entre todos os vértices. Uma desilusão. Uma vontade de partir. Fugir. Por vezes apenas quando um dos cantos parece quebrar-se. Que pena o quadrado não ter a magia do pentagrama.

Quarta-feira, Outubro 13, 2004


 

11110110110

Aqui está como contamos de 1 a 10. Aqui estão os números atómicos de cinco elementos químicos - hidrogénio, carbono, azoto, oxigénio e fósforo - que achamos interessantes ou importantes. Aqui estão algumas maneiras de combinar esses átomos: as moléculas adenina, timina, guanina e citosina e uma cadeia composta, alternadamente, de açucares e fosfatos. Estes blocos de construção juntam-se por sua vez, formando uma longa molécula de ADN, compreendendo aproximadamente 4000 milhões de ligações na sua cadeia. A molécula é uma hélice dupla. Esta molécula é de algum modo importante para a formação da criatura desajeitada que aparece no centro da mensagem. Esta criatura tem aproximadamente 14 comprimentos de onda de rádio, ou cerca de 176 cm de altura. Existem aproximadamente 4 mil milhões destas criaturas no terceiro planeta da nossa estrela. Há ao todo nove planetas - quatro pequenos no interior, quatro grandes na direcção do exterior e um pequeno na extremidade. Esta mensagem chega até vós mercê de um radiotelescópio com 2430 comprimentos de onda, ou 306 m de diâmetro. Cumprimentos.
Carl Sagan, O Cérebro de Broca

Mensagem enviada em 1974, pelo radiotelescópio de Arecibo, em Porto Rico, na direcção de M13. M13 é um conjunto globular de estrelas compreendendo aproximadamente um milhão de sois que se encontra a 24 000 anos-luz de distância. Na eventualidade de alguém receber, perceber e responder à mensagem, esta apenas chegará à terra dentro de 48 000 anos.


 

Outono

Por muito poética que esta época seja, hoje coloquei um cobertor na cama. Já não é Setembro. Vou assar.

Terça-feira, Outubro 12, 2004


 

As cruzes

Há um tempo para pescar e um tempo para rezar.
Foi no mar que ganhei a vida e foi na praia que recebi a morte. Chegámos de manhã, trazíamos o carro de bois à justa com o peso. Os animais resfolgavam entre cada passada e eu, na cabeça, puxava com eles. A areia fugia-nos a cada passo e parecia que demoraríamos séculos até chegar. A praia era extensa. A decisão era irreversível. Tínhamos que ir até ao corno do mundo para matar a vida. E assim foi durante toda a manhã e toda a tarde, puxámos, lutámos e por fim, já muito perto de acabar a luz depositámos a última âncora da pesca do atum num cemitério pejado por tantos outros esqueletos.

Segunda-feira, Outubro 11, 2004


 

Espera

A espera é todo o percurso que é preciso percorrer para atingir o fim do texto. O texto simples. Vazio. Onde nada acontece. Onde tudo é mais pormenor que aquele que a mente humana pode alguma vez alcançar. Onde ribombam instantes, fracções são subjugadas pelos tempos de outrora. Por onde se velam fumegantes mortos em batalhas insanas. Onde o tempo com t minúsculo não é mais que o desespero do sábio, no alto de uma colina perdido em cosmogonias. Quadrados e círculos juntam-se, sobrepõe-se em harmonias perdidas. Easy listening.. enterteinment... Assim são os passos desse distante paraíso. No momento em que chegas ao fim- ou quase, ou julgas, ou sim e desistes - encontras a razão da tua espera? Terás mesmo chegado o fim? Ou apenas a novo consultório médico, onde as revistas são as mesmas, sem interesse, apenas ligeiramente menos amarrotadas. Será a espera um caminho para o ventre? Um regresso à tua génese? Olha para a cadeira vazia a teu lado e pergunta-te quem esteve lá sentado. Quem procuras? Talvez percebas a razão da tua espera!
Porto calmo de abrigo
De um futuro melhor(maior)
Porventura(Ainda não está) perdido
No presente temor
Não faz muito sentido
Não esperar (Já não espero) o melhor
Vem da nevoa saindo
A promessa anterior
Quando avistei ao longe o mar
Ali fiquei, Parada a olhar
Sim, eu canto a vontade
Canto o teu despertar
E abraçando a saudade
Canto o tempo a passar
Quando avistei ao longe o mar
Ali fiquei, Parada a olhar
Quando avistei ao longe o mar
Sem querer, deixei-me ali ficar
Madredeus, Espírito da Paz


 

À Segunda

As vossas conversas são instantes oníricos. A vós pertencem. E em silêncio permanecem algures, sem que jamais se fale, se digam "instantes perdidos", fragmentos do passado. Vamos? A menina dança?
Café pela manhã. E jornal também. As notícias. Uma, duas, três desgraças. Nada mau. Agora um pouco de publicidade aos anónimos da nossa praça. Mais um efémero passeio pelas páginas de opinião. Tudo igual. Roupas velhas, por cadáveres vivos. Seguindo em frente, classificados, desporto. Cinema e Teatro... 2 minutos a ver se há novidades. Última página. A tira é repetida mas nem assim deixo de a ler. Os pedaços de fecho de edição, tresmalhados pela coluna da esquerda. Um instante mais... dobro-o e atiro-o para o caixote do lixo.

Domingo, Outubro 10, 2004


 

Antítese

Acordar de noite e lutar contra o mar. Impor, sobrepor, a minha voz à sua. Acima do seu canto o meu grito, mais alto que a sua música a minha raiva, o meu choro, a minha discordância. Atirar pedras, facas, contra o mar. Fechar contra ele todas as portas e janelas. Contra o seu infinito a minha finitude. Partir o mar como se fosse um espelho.
Teolinda Gersão, Paisagem com mulher e mar ao fundo

Sábado, Outubro 09, 2004


 

The moment...

The end? Just a door to a brand new start!

Sexta-feira, Outubro 08, 2004


 

As informadoras

Adivinho em sonhos coisas que passam ou não passam. Talvez seja apenas a minha fértil imaginação a dar cabo dos poucos neurónios que ainda me restam. A falta de juízo parece generalizar-se e concluo que devo estar a enlouquecer.

A mulher entrou no autocarro vazio e veio sentar-se na minha frente, de pernas abertas para mim, numa atitude de desafio e provocação. Com 53 lugares, escolheu precisamente aquele. Era feia como uma mulher pode ser feia. E estava sentada, ali, na minha frente, de pernas abertas. Tentei distrair-me. Pensar na rua, no trânsito, no Outono que chegava finalmente. Quando chegou à minha paragem toquei na campainha. Ela sorria, de pernas abertas para mim. Ao parar inclinei-me para a frente e falei-lhe:

«Amanhã caso-me! Quer ir para a cama comigo?»

Quinta-feira, Outubro 07, 2004


 
A vida é como uma corrida de cavalos... no meio da corrida não dá para pensar se a chibata que trouxemos é comprida que chegue... é bater sempre e com mais força até que o cavalo passe a linha de meta ou caia morto...


 

Mania da perseguição

Tenho, verdadeiramente tenho. Sou sempre seguido, estão sempre a tentar enganar-me, não suporto que me olhem mais que dois segundos que penso logo tratar-se de um maníaco em busca de sangue. Sei que é mentira. O gajo que vinha a descer as escadas de Santa Catarina não teve culpa nenhuma. Foi um acidente, um azar. Olhou-me fixamente tempo demais. E eu respondi. Um homem tem que estar prevenido. Talvez nem sequer tenha olhado assim tanto tempo, apenas o suficiente para se desviar de mim. Mas na sua lentidão não se desviou. Ele caminhava curvado para chão, apoiado numa bengala. Não tenho culpa que tenha ficado tanto tempo no cimo das escadas, parado, a olhar-me e a bater com a bengala no chão. Irritou-me, estava a provocar-me e eu senti o sangue a subir-me à cabeça.
Depois, depois não me consegui controlar. Empurrei-o e ele caiu num vão de escadas. Começou a gritar que o matavam. Mas eu não queria matar ninguém e acabei por achar que ele era mais pequeno e inofensivo do que eu inicialmente avaliara. Deu-me um ataque de remorsos e ajudei-o a levantar. Peguei na bengala e só então reparei que ele era cego. Aí, desatei a rir e o homem perguntou-me de que me ria.

«De uma coisa sem piada nenhuma», disse.
«Você viu o tipo que me empurrou?»
«Não, não vi!»


 

A propósito de política

Fundar bibliotecas era ainda construir celeiros públicos, acumular reservas contra um inverno de espírito, cuja aproximação certos sintomas me fazem prever, mau grado meu.
Marguerite Yourcenar, Memórias de Adriano

Quarta-feira, Outubro 06, 2004


 

Andy Warhol

Like to take a cement fix
Be a standing cinema
Dress my friends up
just for show
See them as they really are
Put a peephole in my brain
Two New Pence to have a go
I'd like to be a gallery
Put you all inside my show

Andy Warhol looks a scream
Hang him on my wall
Andy Warhol, Silver Screen
Can't tell them apart at all

Andy walking, Andy tired
Andy take a little snooze
Tie him up when he's fast asleep
Send him on a pleasant cruise
When he wakes up on the sea
Be sure to think of me and you
He'll think about paint
and he'll think about glue
What a jolly boring thing to do
David Bowie, Hungry Dory


 

A espera

eu ...
servo de um deus menor...

Desejo do teu sucesso,
receptáculo talhado na poeira luminosa,

aguardo na imobilidade do silêncio.

Terça-feira, Outubro 05, 2004


 

Ou"lido"

"A escrita é o veneno e o remédio"
Mariana Newlands, no interludio.net


 

Recordações da Festa

O Mugwump passa o nó à volta do pescoço do adolescente e aperta docemente o nó por detrás da orelha esquerda. O rapaz olha a direito, ofegante. Os testículos serram-se e o pénis retrai-se. O Mugwump enrosca-se a ele acariciando-lhe os genitais com gestos hieroglíficos da troça. Coloca-se depois aos pulos atrás do jovem e enfia-lhe a picha no cu, remexendo-se em movimentos circulares.
Os convidados cacarejam e dão-se cotoveladas, fazendo sinais de caluda uns aos outros.
Wiliam Burroughs, Festim Nu

Segunda-feira, Outubro 04, 2004


 

Reflexão sobre o fracasso

Somos responsáveis pelas situações que se nos deparam, mesmo aquelas que não esperamos. Somos responsáveis porque somos sempre nós quem define como agir perante elas, e nessa condição a nossa actuação influência o futuro até daquilo que pensávamos estar a salvo dessas situações, protegido e imune.


 

O meu contador de visitas

Ele é o meu adorado contador de visitas. Aquele por quem vivo incessantemente. Agora que este blog se prepara para completar a provecta idade da parvalheira e desespero total: 2 anos. A partir de agora só pode piorar. Já dei o que tinha a dar. Estou a explodir e a escrever em guardanapos de papel que depois abandono para que a empregada do café repare. Tenho uma leitora. Pensei, até que descobri que a empregada era ucraniana e não sabia português. Nem um "Obrigado" sequer. Ingrata. Deixei de lhe escrever. Assim vou escrevendo aqui, olhando para a porcaria do contador a fazer pling, pling, pling lá houve mais um palerma que veio ler-me... e outro... e outro... e eu contente. Sempre em frente até ao dia da contagem final. Mas se não fosse o meu contador não estaria aqui a dizer que dois anos são muita fruta. São para mais de mil disparates vociferados aos ventos digitais e muita trapalhice pelo meio. Uma vida que mudou de sitio, cidade e emprego. Ou vida. De puta vadia é difícil escapar... mas eu consegui. E tudo graças ao meu contador maravilha. Adoro-o. Vivo para ele. Adoro os seus altos. Todos. Os baixos não, mas sem eles não haveriam os meus adorados altos. E quando por fim vou dormir... 2 anos. 2 anos?!!! Este blog está velho.

Domingo, Outubro 03, 2004


 

Tarte de Limão

Ingredientes:

Preparação: 2 h
Custo: Económico
Grau de dificuldade: Fácil

MASSA:

* 250 g de farinha
* 125 g de manteiga amolecida
* 1 gema
* 70 g de açúcar
* uma pitada de sal

RECHEIO:

* 6 ovos
* 1 embalagem de Béchamel 500 ml
* 120 g de açúcar + 6 colheres de (sopa) de açúcar
* 2 colheres de (sopa) de maisena
* raspa da casca e sumo de 1 limão

Confecção:

O Prepare a massa com todos os ingredientes indicados, misture bem e forme uma bola; coloque-a dentro de um saco plástico e leve ao frigorífico durante 30 minutos. Separe as gemas das claras. Junte às gemas 120 g de açúcar e bata até obter mistura clara e espumosa; junte-lhe a maisena, a raspa da casca e o sumo do limão e mexa. Junte depois o Béchamel e misture bem. Estenda a massa e forre com ela uma forma de tarte; com um garfo, pique toda a massa do fundo e deite nela a mistura preparada. Leve a forma ao forno a 180ºC durante 1 h 10 m, retire e deixe arrefecer. Bata as claras em castelo e junte-lhes depois o açúcar restante, pouco a pouco e batendo sempre até o batido ficar brilhante. Disponha estas claras em montinhos sobre a tarte e leve de novo ao forno com o grill ligado até ficarem bem douradinhos. Retire a tarte do forno, deixe arrefecer e sirva decorada a gosto.
Estou a preparar um bolo para amanhã, sim!


 

V oito V ceral C analgésico

Ouço mentes em gritos de suores frios.
Destilam ódio. Olham-me, estrangeiro!

Os fluidos aquecem sob a influência de uma radiação forte. Energia solta. Libertação. Prisão. Todos andam em paranóias colectivas. SUPER ME:...E AND YOU TOO.

I CAN
YOU CAN

THIS CAN

Feijada à transmontana. Enlatada. POP SOUP. POPULAR POP. POP. POP THEME. POP MUSIC. IN A CAN. I CAN. YOU...

Flores crispam as suas raízes nos braços de um ciclope no cimo de um rochedo. Precipício sobre o fim do mundo. Contrariado. Olhem a caixa. Vende arroz, a menina come, bebe e caga sentada, olhando o fim.. o fim? Não sente as pernas. Amputam-se. Desejos? Deseja escrever? O ritmo sincopado da invasão de privacidade. Construamos a SOMA que nos há-de proporcionar o prazer eterno. Eternamente sós, felizes. E ela fica no escuro da sua iluminada caixa, perdida entre POP POP POP e um digitar das compras necessárias. SOMA.

ISO 10646:
0041 0063 0065 0074 0079 006C 0073 0061 006C 0069 0063 0079 006C 0069 0063 0041 0063 0069 0064


 

Comoção

Tão frágil que me sinto hoje, tão desamparada. Não me falem, não me falem, porque desato a chorar. Uma árvore de lágrimas a crescer-me no peito, os seus ramos estendendo-se pela garganta, repartindo-se em cruz nas têmporas, desabrochando em pomos de cristal nos olhos. Um simples bafo humano, e estalam. Não me falem. Seria como um rombo numa comporta. Eu trago dentro de mim um rio.
Maria Ondina Braga, A Personagem

Sábado, Outubro 02, 2004


 

Sábado

Decido se vou ou não ver um filme. Não me apetece sair. Apetece apenas sentar e não ver, apenas olhar e se os olhos fecharem, assim será. Tem que ser um filme leve... ora deixa ver... eXistenZ?


 

Ah! A democracia!

Os gregos inventaram a democracia, mas tinham escravos. Actualmente temos uma democracia moderna, não temos escravos, mas inventámos a publicidade. Não muda grande coisa.


 

No meu reinado ria muito e peidava-me ainda mais.

Ordem no terreiro. Ordenamos nós, que estamos nobremente sentados em nossas poltronas, com nossos mantos reais sujos de tanta caganeira, que vós, aí de baixo, vos comporteis como mandam os preceitos de nossos pais, passados de geração em geração pela força da palavra dita ao ouvido surdo de um monge capuchinho, que por sua vez se encarregou de a fazer chegar até nós tal como fora primeiro ouvida. Vós, ides assim receber a bênção de nosso reluzente cu real naquela que é uma primeira mostra ao reino da abertura de pernas que a família real sempre demonstrou. Não chegava a impressa desportiva para nos atormentar a cabeça com o fiasco que é o príncipe regente a jogar o pólo, montado naquela pileca teimosa que nem um jumento, ainda vós tínheis que nos azucrinar a real pensadora para concentrações menos graciosas às quais o exército não soube cabalmente dar resposta. (Cortem a cabeça a 30 generais, diriam em certas cortes. Aqui cortamos apenas os pés. E caso já sejam amputados, vamos por aí a cima de 10 em 10 cm até que atinja o tronco. Depois começa-se pelos braços e só por fim a porta do disparate é decepada. Somos humanos.) Mas nosso povo. Prostrai-vos e sossegai. Nós prometemos que há visão para todos. Que todos poderão ter o seu quinhão de reino este mês. Já ordenamos ao guarda do tesouro que compre 500 metros de pano escarlate e o distribua por cada um de vós nas devidas proporções das vossas castas. Assim peço-vos que sosseguem e vão para casa meus servos. O reino não corre risco e o vosso rei está de saúde e feliz. Vão e trabalhem muito. Muito. Façam os vossos amos felizes que isso fará com que eu tenha um par de cuecas novas ainda antes do Natal. Viva a ... (impossível de compreender perante a ovação que se levantou de imediato. Todos partiram felizes e foram trabalhar porque mais uma vez tinham visto o cu ao rei.)

- Belo discurso. Majestade.
- Obrigado senhora, vamos jogar uma partida de whist enquanto estes pacóvios saem do pátio?

Sexta-feira, Outubro 01, 2004


 

Detesto

Cantos dobrados em páginas de livros que empresto! Receber, de regresso, um livro ao qual tenham feito semelhante coisa é razão para deixar de falar, senão mesmo amaldiçoar, maltratar, ir à bruxa e rogar um mau olhado de todo tamanho, que a pessoa se livre apenas dele por contratação de medium ainda mais poderoso. E mesmo assim acho pouco. Eu risco, dobro, estrago e queimo livros meus. Agora livros emprestados? Os donos que estraguem a seu belo prazer. Por alguma razão os pagaram. Fico Fulo FULO. Enfim, já descarreguei, vou dormir.

Arquivos

10.2002   11.2002   12.2002   01.2003   02.2003   03.2003   04.2003   05.2003   06.2003   07.2003   08.2003   09.2003   10.2003   11.2003   12.2003   01.2004   02.2004   03.2004   04.2004   05.2004   06.2004   07.2004   08.2004   09.2004   10.2004   11.2004   12.2004   01.2005   02.2005   03.2005   04.2005   05.2005   06.2005   07.2005   08.2005   09.2005   10.2005   11.2005   12.2005   01.2006   02.2006   03.2006   04.2006   05.2006   06.2006   07.2006   08.2006   09.2006   10.2006   11.2006  

a MACacada - DR Nimages - Linux Fácil - Sixhat Pirate Parts

This page is powered by Blogger. Isn't yours?

Subscrever Mensagens [Atom]