6H Agridoce - netcast de tecnologia, ciência e internet

Emissão em mp3 sobre Linux, open source, novas tecnologias, exploração espacial e os limites da ciência.

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Quinta-feira, Dezembro 30, 2004


 
Mafaldinha ou Charlie Brown?

Terça-feira, Dezembro 28, 2004


 

girândola

para que no céu se desenhe
um caos como este

de estrondos e luzes tantas

de estrelas caindo como neve
ou como se de repente
as atraísse a terra
como é gravitacional o coração
Cláudia Caetano, tempo dual

O muito sentido obrigado pela prenda. Uma das belas surpresas deste Natal.

Domingo, Dezembro 26, 2004


 
Todos gostavam de se sentar junto da lareira. Era quente ali. Apesar dos cinco graus negativos do exterior, estavam todos em camisa. As samarras secavam ao pé do lume e um pavio crepitava no fundo da cozinha, bebendo lentamente o azeite da lamparina. Podia ser assim este Natal... Mas não foi.

O relógio de sol não mostrava as horas. O segundo instante era parecido com uma dor de cabeça. O momento amigo era fiel, mas não delicioso. Foi, saudade. Passado e presente. Vontade de sair... de receber o instante de novo no momento perdido. Malditas personagens. Malditos versos. Desertos de imaginação... PRETO. OK PRETO.

VÃO TODOS PARA AQUELA PARTE!


Sábado, Dezembro 18, 2004


 

Fechou

O tasco vai fechar para férias de Natal... até pró ano.
Boas festas a quem quiser... apetecer e ... olhem.. até...

Quinta-feira, Dezembro 16, 2004


 

Viveiros do Bulhaco


Acabei o site dos viveiros... faltam pequenos pormenores... técnicos... coisas minorquinhas que se resolvem durante alguns intervalos. Ufa... este demorou...

Para quem não sabe, os Viveiros do Bulhaco são, segundo palavras próprias,
"... uma empresa recente, implantada no concelho de Vila Franca de Xira, constituída a partir de uma unidade produtiva familiar já existente com meios adequados à produção de plantas herbáceas e arbustivas e com elevada experiência técnica e de mercado"

Quarta-feira, Dezembro 15, 2004


 

Liga de Andebol arranca HOJE

Este governo não fez grande coisa para além de disparates, é sabido e não vale a pena continuar a bater no Badana Torpes. Mas mesmo assim consegui uma coisa importantíssima. Ameaçou retirar a utilidade pública à federação portuguesa de andebol por causa da birra que os seus dirigentes mantinham com a liga e conseguiu que esses iluminados cedessem. Assim, pode começar HOJE o campeonato nacional de andebol. Com 3 meses de atraso, deixando os clubes finaceiramente de rastos, os jogadores com salários atrasados de forma generalisada, os patrocínios a fugir e com um futuro menos risonho a curto prazo. O governo ameaçou e a federação lá se mexeu. Finalmente. Mas o que era preciso era que certas pessoas afastassem se do andebol, que só o prejudicam.

Jogos de HOJE

Madeira SAD - Águas Santas, 19h15
FC Porto - V. Setúbal, 21h00
Sp. Espinho - Manabola, 19h30
ABC - Águeda, 21h00
Belenenses - Ginásio do Sul, 20h00


 

Seguranças

Já tinha saudades das falhas de segurança da Microsoft... Depois dos SP2, voltaram os "Critical Updates"... Bom Natal para a informática... como sempre. Até fiquei com uma lágrima nos olhos.

Terça-feira, Dezembro 14, 2004


 

TMN - Telecomunicações Marcadamente Neuroticas

Não é que hoje a TMN me manda um SMS, a confirmar uma merda qualquer, às 4h da manhã?

4 da manhã?

Acorda um tipo todo sobressaltado a pensar que aconteceu alguma coisa a alguém, ou a pensar que vai ter que partir a cara a um amigo BEBEDO por estar a acordar uma pessoa e é apenas um computador da TMN a dizer que o saldo do cartão vai ser creditado em 5 Euros.

Mas se nós vivêssemos num país com meia dúzia de FUSOS horários... mas não, só temos 2 e até são seguidos...

Desde que surgiram os telemóveis somos cada vez mais invadidos. Às 4 da manhã? Para mandar uma SMS da treta? Que custaria aquilo ficar em lista de espera até às 9? Hm? E aí seria um horário decente. Um horário de expediente.

A disponibilidade para com o cliente deve ser total, concordo, mas quando o cliente é quem estabelece o contacto. Ao contrário deve haver o BOM SENSO de evitar mandar sms às 4 da manhã. Se ainda fosse algo de vida ou de morte... e feito por uma operadora.

Será que se esquecem que os clientes deles não são máquinas, que são PESSOAS de carne e osso? Que dormem, comem, fodem (alguns) como todos os portugueses?

E isto não é só problema da TMN, a GALP faz o mesmo... põe um computador a mandar SMS "Passe hoje nas nossas lojas e use o cartão FastGalP" - Nas NOSSAS lojas? Agora as lojas são dos computadores da GALP? ou alguém acredita que o gerente da loja está a escrever, uma a uma, as SMS?

A lógica pós-modernista da Vodafone do COMUNICA MAIS , VIVE MAIS já consegue colocar as pessoas a falar com computadores por sms. E se os computadores estiverem com INSÓNIAS, nós somos quem lhes serve de psicólogo, pai, amigo e MECENAS.

Mas no fundo nós é que somos TÓTÓS, que pagamos para que nos falem, para que nos digam coisas, mesmo que às 4 da manhã e apenas para dizer que o saldo foi creditado em 5 euros por troca de não sei quantos pontos.


 

Gestão de Crise

CheckList
  1. CHECK
  2. CHECK
  3. CHECK
  4. CHECK
  5. CHECK

Segunda-feira, Dezembro 13, 2004


 

Tremor de terra

14:18 - Tremor em Lisboa. The Big One? Quantos anos passaram desde 1755? Ui...
update 15:30: 5,4 graus! Nada mau... 5,4 noves fora NADA. Siga a vida... foi só um susto.


 

À Segunda

Soft pain killers
Formas estranhas percorrem a parede do meu escritório. Procuram a morte para me levar. Procuram o estranho instante onde eu possa ser eterno. Onde a pá e a vassoura não mais me arrastem para a imunda vertigem desse caminho sem fim. Procuram sentar-se comigo bebendo chá. De camomila se faz favor.

Há uns anos entrei num carrossel sem fim. Uma vertigem profunda da qual apenas duas opções me forneceram, o esquecimento ou a loucura. Optei por mandar tudo às urtigas e decidi-me pela escrita e pelo álcool. Foi uma certeza. Uma imunidade à qual nunca mais pude escapar.

Forraram o meu escritório com um papel verde violeta. Quando o disse a uma amiga, perguntou-me que raio era verde violeta. É verde violeta. Como explicar esta cor? Imagine um verde aveludado com reflexos violetas dependendo da incidência da luz. É verde violeta, porra. Nessa noite fomos sozinhos para casa.

Quando ia às segundas-feiras ao centro de reuniões da minha rua sentia-me angustiado. Ia encontrar aquelas caras tristes, de sempre, marcadas com a miséria da bebida. Iam jurar ficar sóbrios mais uma semana. Iam chorar. Iam querer que eu falasse e também, vertesse os meus líquidos no ombro de um estranho. Mas eu não conseguia chorar. Eu não conseguia sequer contar porque estava ali. Porque a minha vida era completamente diferente. Eu não tinha uma vida miserável, destruída pela bebida. Eu divertia-me. Gostava de beber e dava-me um bestial gozo andar alegre, mesmo que um pouco tonto. Ia ali para ver aquilo que nunca me queria tornar. Um triste acabado.

Havia uma tipa que estava tão mal, que tinha deixado um filho de seis anos dois dias fechado dentro de uma casa de banho, porque fora apenas à rua comprar bebida e se esquecera dele na banheira, regelado. Outro queixava-se que não o deixavam entrar no casino, mas que tinha dinheiro, e mostrava um rolo de notas de 50 Euros para o provar, porque cheirava a álcool. Por isso estava ali, a ver se se curava, para depois ir gastar dinheiro no jogo, que não era vício, nem ele viciado.

Uma anedota estes tristes. E eu alimentava-me deles. Deixava-me ficar quietinho, ouvindo. Fazendo por não falar muito, não revelar muito de mim. Afinal eu não bebia metade destas esponjas. Nem sequer devia estar lá. Estava, porque os tipos das cartas deixaram de me convidar para jogar com eles depois da ronda do lixo. Mas eu voltaria. Era uma questão de tempo. Sentiriam a minha falta e depois seria eu a decidir quando e onde jogar com eles.

Segunda-feira, Dezembro 06, 2004


 

À Segunda

10 minutos para escrever um texto, 5 minutos para imprimir um curriculm vitae, 1 minuto para lavar os dentes, 30 segundos para fazer um filho, 10 segundos para ler uma linha, 1 segundo para um último beijo.

Felicidade a dos ignorantes. Não a dos inocentes que essa pode ser confundida com burrice. É burrice. A dos ignorantes é a verdadeira. A genuína felicidade. Quantas são as coincidências que nos ocorrem na vida? Quantas são as formas de nos perdermos e de alguém nos encontrar? Como te encontrei?

A minha felicidade passa por vegetais cortados aos pedacinhos, temperados com água e, se a médica deixar, um pouco de sal.

Há situações que requerem grandes mudanças, grandes reflexões e renascimentos dolorosos. Diz-se que em ciclos de 28 anos por causa de Saturno. Mas Saturno tem um período de 29,458 anos. Será que eu dando essa volta completa, estou agora preparado?

Nova etapa, novo instante, novo rumo. Delicias de um cego na escuridão dos visionários.

Dia de primavera
Demorando-se
Em tudo o que é água


Ameixieira em flor -
Repousam
As chamas do inferno
Issa Kobayashi, Primeira Neve

Sexta-feira, Dezembro 03, 2004


 

Não menos que 1000 palavras, não mais que o infinito.

Proponho-me sempre escrever o máximo. Aquele texto que jamais será acabado. O superlativo da escrita. Fi-lo durante muitos anos, escrevi sem cessar o início de muitas bibliotecas Borgianas, mas nunca cheguei a sala alguma. A partir de dada altura deixei mesmo de escrever novos primeiros futuros excrementos de papel e tinta. Limitei-me a abandonar-me ao sabor do torpor do álcool, das drogas ou do sexo. Tanto fazia, desde que não fosse confrontado com escrever novo livro.

O meu imaginário poético estava também esgotado e ao reler os poemas antigos, apenas vislumbrava (e ainda assim é) um passado chato, repetitivo e muitas vezes platonicamente apaixonado. Nada de interessante, portanto, por esse lado.

Por insistência bacoca, decidi escrever sobre o falhanço do processo de escrita. Sempre era um tema novo. As palavras ganharam alguma vida na ponta de uma caneta, mas também isso foi sal que rapidamente deixou de temperar a alma. A verdade é que exercitei-me apenas, e nem assim melhorou significativamente a minha caligrafia.

As lamentações de autocomiseração continuaram por bastante tempo. Foi o período da depressão permanente. Do bucólico fascínio pelo cinzento, pela falta de originalidade. Pelo estático, feio, horroroso e imutável eu. Um vazio que me esgotou ainda mais.

Os escritores passaram por mim em velocidades estonteantes a ponto de não retirar prazer algum das suas palavras ocas. São todos uns chatos absolutos, os escritores. Absolutos. A pouco e pouco a minha selecção foi estreitando a ponto de não haver na estante um livro que me apetecesse ler. Estava estafado com tanta letra, palavra ante palavra, frase e parágrafo, ponto final. E ainda por cima aplaudidos, bestialmente aplaudidos. Fartei-me de tanto mono e juntamente fartei-me da minha escrita.

Mudei, dediquei-me à fotografia onde pensei poder retirar algum conforto. É verdade, retiro algum, mas não o todo que a escrita em tempos me proporcionou. Hoje em dia revejo-me minuciosamente a fim de me encontrar. Apenas abro espaço a alguns, poucos, e me permito ler os seus textos e mesmo assim quase sempre com uma sensação de tempo perdido quando passo a página 20.

Não leio nunca os livros que me indicam. Se o fazem, sei que serão uns jarrões para me consumir o espirito. Os livros que me oferecem encaminho-os para uma estante sem sequer os folhear. Todos os livros tem o seu tempo e o seu espaço. Duas coisa que não tenho para eles agora. Por isso esqueço-os. Ficam para ali, até serem perdidos no tempo ou no espaço em que os enfiei.

A minha escrita resume-se a livros de cheque que não tenho e a assinaturas em bolas de futebol que não chuto. Larguei o álcool, as drogas e as mulheres de má vida (ainda terão que me explicar um dia porque são de má vida). Agora estou sóbrio e posso optar entre Santana ou Sócrates (que em qualquer caso me lixarão a vida). Não importa, não votarei, como sempre, aliás. Mas lá fora parece que há grande rebuliço sobre a realidade, mas não importa.

"quem é o presidente da Galp? Quem é o presidente da Auto-Europa? Quem é o presidente da EDP?"

Um verdadeiro rebuliço do qual não faço parte e ao qual apenas me apetece responder com um:
"que importa?"

Não vendo um único poema há mais de ... -unca vendi um poema - e nenhuma revista me comprou alguma vez uma crónica, (pois, também não... ) e penso nos chatérrimos escritores que morrem na minha estante:

"Estes tipos deviam ter um agente excepcional para conseguirem que lhes publicassem tanta treta"

Olho para o gajo que está sentado na minha frente, que com um ar trocista bate com um lápis na mesa. Deve ter uma vida boa o tipo. Tem um fato lavado e a barriga marca a qualidade dos almoços que pode pagar. De resto é um bronco. Não passa disso. Alguém que nunca será lembrado, nem por aqueles que lhe são próximos. Será que ele tem algum livro em casa que não seja de gestão de empresas ou de leis de contabilidade? Respondo, depois de tentar engolir um pouco de saliva da boca deserta de ideias e palavras:

"não, não sei, mas eu preciso mesmo deste emprego".

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